Comentário: Escassez de aparelhos de ar-condicionado na Europa evidencia potencial comercial entre China e UE-Xinhua

Comentário: Escassez de aparelhos de ar-condicionado na Europa evidencia potencial comercial entre China e UE

2026-07-07 13:18:48丨portuguese.xinhuanet.com

Tobias Strobel, chefe de inovação técnica em ar-condicionado residencial no Centro de P&D da Midea na Alemanha, mostra instalação do aparelho de ar-condicionado split portátil PortaSplit, da Midea, em Stuttgart, Alemanha, em 30 de junho de 2026. (Xinhua/Zhang Haofu)

Beijing, 5 jul (Xinhua) -- Enquanto ondas de calor sem precedentes castigam a Europa neste verão, causando mortes e atrapalhando a vida das pessoas, um item doméstico antes considerado de nicho virou uma necessidade essencial para milhões: o ar-condicionado.

Em um continente onde apenas 20% das residências possuem sistemas de climatização, a corrida pela compra de aparelhos de ar-condicionado esvaziou as prateleiras das lojas e fez disparar os preços das unidades usadas. No entanto, algo que passou despercebido é uma lição fundamental dessa escassez de oferta: a cooperação comercial pragmática entre a China e a UE não é um “risco” a ser mitigado, mas sim um pilar de salvação para as famílias europeias que enfrentam choques climáticos crescentes.

Limitada por normas de preservação do patrimônio arquitetônico, custos de instalação exorbitantes e um planejamento industrial baseado na premissa de um clima relativamente ameno, a oferta local está muito aquém da crescente demanda por soluções de climatização acessíveis, fáceis de instalar e energeticamente eficientes.

Nesse cenário, fabricantes chineses, como a Midea e a Haier, registraram um crescimento robusto nas exportações de aparelhos de ar-condicionado para a Europa este ano. Modelos como o PortaSplit, da Midea, tornaram-se um sucesso absoluto justamente por resolverem as principais dificuldades enfrentadas pelos consumidores europeus.

Combinando a expertise em engenharia do Centro de P&D da Midea em Stuttgart, na Alemanha, contribuições de design do seu centro europeu em Milão, na Itália e capacidades avançadas de fabricação na província de Guangdong, na China, o modelo PortaSplit foi desenvolvido sob medida para o mercado europeu. Ele não exige perfurações e é energeticamente eficiente. Como o modelo tem estado esgotado em vários países europeus, chegou a ser criado um site para que os consumidores locais pudessem acompanhar a reposição dos estoques.

Pessoas se refrescam junto a ventiladores com sistema de nebulização durante uma onda de calor em Roma, Itália, em 26 de junho de 2026. (Xinhua/Li Jing)

Esse comércio em expansão de equipamentos de climatiznatureza mutuamente complementar e de ganhos mútuos da cooperação econômica e comercial entre a China e a UE, uma relação que, por muito tempo, foi ofuscada por discussões restritas sobre déficits comerciais em certos círculos políticos europeus.

O comércio nunca se resume a um jogo de estatísticas frias ou de competição industrial; seu valor fundamental está na capacidade de melhorar o bem-estar das pessoas comuns. O fato de os consumidores europeus demonstrarem, com suas escolhas de compra, preferência por produtos chineses de climatização, veículos de nova energia e uma ampla gama de mercadorias acessíveis e de alta qualidade comprova que o comércio entre a China e a UE gera benefícios tangíveis para as famílias europeias, em vez de representar uma suposta “ameaça”.

A escassez de aparelhos de ar-condicionado abriu, na verdade, vastas novas áreas de cooperação complementar, e não de competição de soma zero. A China possui a cadeia produtiva mais completa do mundo e uma elevada capacidade de inovação, enquanto a Europa conta com padrões ambientais líderes globais e expertise na formulação de políticas climáticas. Espera-se que uma cooperação bilateral mais forte ofereça uma gama maior de produtos inovadores adaptados à demanda do mercado europeu, apoie a UE no alcance de suas metas de transição verde e crie empregos de qualidade para ambos os lados.

Pessoas se divertem em uma fonte durante uma onda de calor em Budapeste, Hungria, em 29 de junho de 2026. (Foto de David Balogh/Xinhua)

Essa sinergia já proporcionou o alívio e o frescor tão necessários na batalha contínua contra ondas de calor intensas, e ainda há um enorme potencial inexplorado para ambos os lados em áreas como tecnologia verde, adaptação climática e economia digital.

À medida que as mudanças climáticas se tornam um desafio compartilhado cada vez mais urgente para toda a humanidade, a dissociação econômica ou o protecionismo apenas prejudicarão os consumidores comuns de ambas as regiões. Laços comerciais estáveis ​​e abertos entre a China e a UE podem servir como amortecedor contra choques externos, melhorar a qualidade de vida das populações de ambas as regiões e ajudar os dois lados a enfrentar, em conjunto, mais desafios.

Nesse sentido, o comércio e a cooperação entre a China e a UE vão muito além dos volumes comerciais. O objetivo é aumentar a resiliência e o padrão de vida das famílias, capacitando as pessoas a manterem uma vida agradável diante de perturbações naturais, ao mesmo tempo em que compartilham os benefícios do desenvolvimento impulsionado pela tecnologia, da colaboração industrial e da globalização.

Em vez de se concentrarem exclusivamente em números da balança comercial, ambos os lados podem destravar um crescimento robusto na cooperação bilateral ao adotar uma abordagem centrada nas pessoas. São esses benefícios cotidianos, tangíveis e muitas vezes discretos, que geram valor real para as famílias comuns, estabelecendo, ao mesmo tempo, uma base sólida para que ambos construam um futuro compartilhado mais verde e resiliente.

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