Inovação refrescante: eletrodomésticos fabricados na China amenizam onda de calor na Europa-Xinhua

Inovação refrescante: eletrodomésticos fabricados na China amenizam onda de calor na Europa

2026-07-06 10:09:47丨portuguese.xinhuanet.com

Crianças brincam na Prater Hauptallee durante uma onda de calor em Viena, Áustria, em 25 de junho de 2026. (Xinhua/He Canling)

*Segundo a empresa de pesquisa de mercado Euromonitor International, estima-se que as fabricantes chinesas Haier, Gree e Midea representem, juntas, 32% do mercado europeu de varejo de aparelhos de ar-condicionado em volume de vendas.

*Apesar das recentes tensões nas relações comerciais entre a China e a UE, o aumento acentuado nas vendas de ar-condicionado indica que a lógica fundamental do mercado supera qualquer narrativa que vise promover o protecionismo comercial em nome da "segurança".

*Ao facilitar a expansão global de seus produtos, a China transformou a necessidade emergencial de refrigeração em soluções de longo prazo que impulsionam a transição energética e reforçam a resiliência climática.

Guangzhou, 4 jul (Xinhua) -- Para o austríaco Denis Yurchak, a busca por um ar-condicionado para enfrentar o verão escaldante deste ano foi uma verdadeira aventura.

Desde o final de junho, uma onda de calor implacável tem castigado a Europa, quebrando diversos recordes de temperatura. Após passar dois dias procurando um ar-condicionado portátil no país, Yurchak voltou sua atenção para um modelo oferecido pela gigante chinesa de eletrodomésticos Midea.

"Estava esgotado em quase toda a UE", publicou ele nas redes sociais. Desesperado e sem conseguir dormir por causa do calor, ele chegou a entrar em contato com um distribuidor na Hungria, onde o aparelho constava como disponível em estoque, e se preparou mentalmente para uma viagem internacional.

Então, ele teve sorte: seu agente de IA o avisou que restava apenas uma unidade em Linz, na Áustria, a cerca de 200 quilômetros de sua residência. Ele reservou o aparelho imediatamente, dirigiu até lá na manhã seguinte e finalmente conseguiu o tão necessário ar-condicionado. "Fiquei feliz como uma criança, era o último Midea PortaSplit de todo o país, e era meu!", escreveu ele.

"Conseguir o ar-condicionado em meio ao pânico e à crise causados ​​pelo calor extremo virou uma verdadeira aventura. Além disso, agora meu apartamento finalmente está fresco", acrescentou ele.

A experiência de Yurchak reflete a de muitos europeus que correm para comprar equipamentos de climatização de fabricantes chineses. Nas redes sociais, multiplicam-se relatos de compradores que dirigem centenas de quilômetros apenas para encontrar preços inflacionados em 100 euros (cerca de 114 dólares americanos). A demanda é tão intensa que alguns criaram sites específicos para monitorar os estoques das lojas em tempo real.

Dados da Agência Internacional de Energia mostraram que a Europa está aquecendo a uma taxa duas vezes superior à média global, mas apenas 20% das residências europeias possuem ar-condicionado. Os aparelhos, antes considerados itens não essenciais na Europa, estão se tornando uma "necessidade de sobrevivência".

Na Joybuy, marca de varejo on-line da JD.com voltada para a Europa, as vendas de aparelhos de ar-condicionado dispararam quase 40 vezes durante a onda de calor de 19 a 25 de junho, em comparação com a primeira semana do mês. Segundo a empresa de pesquisa de mercado Euromonitor International, estima-se que as fabricantes chinesas Haier, Gree e Midea respondam, juntas, por 32% do mercado varejista europeu em volume de vendas.

Tobias Strobel, chefe de inovação técnica em ar-condicionado residencial no Centro de P&D da Midea na Alemanha, mostra instalação do ar-condicionado split portátil PortaSplit, da Midea, em Stuttgart, Alemanha, em 30 de junho de 2026. (Xinhua/Zhang Haofu)

INOVAÇÃO PREVALECE

No ano passado, a Europa registrou uma corrida pela compra de aparelhos de ar-condicionado fabricados na China em meio a temperaturas recordes. Neste verão, os fornecedores chineses continuam relatando um aumento acentuado nos pedidos vindos da Europa, impulsionados por produtos que oferecem preços acessíveis, baixo consumo de energia e conformidade com as regulamentações locais.

O ar-condicionado split portátil PortaSplit, da Midea, alcançou a marca de mais de 200 mil unidades vendidas na Europa este ano, o dobro do volume registrado no ano anterior, disse Xiong Xueqin, diretora de vendas da Midea RAC para a região da Europa.

O produto manteve um ritmo de vendas sólido em todo o mercado europeu, com a demanda dos consumidores superando amplamente as projeções, disse ela. Segundo a empresa sediada em Guangdong, suas vendas totais de aparelhos de ar-condicionado nos mercados da Europa Ocidental, incluindo Alemanha, França, Espanha e Reino Unido, cresceram mais de 70% em relação ao ano anterior no primeiro semestre de 2026.

A Europa apresenta barreiras estruturais que dificultam a penetração do ar-condicionado. As taxas de instalação podem ultrapassar 1.000 euros, e os consumidores geralmente precisam esperar semanas por uma vaga na agenda de instaladores durante o pico do verão. Há também outras restrições a serem consideradas, como normas rigorosas de ruído, proibições de alterações em fachadas de edifícios históricos e a preocupação generalizada de que o uso em massa de aparelhos de ar-condicionado aumente o consumo de energia e comprometa as metas climáticas.

Em resposta, a Midea informou que dedicou três anos ao desenvolvimento do PortaSplit, que conta com uma unidade externa fixada a um suporte de janela sem necessidade de perfuração. O peso da unidade externa foi reduzido para menos de 10 kg, permitindo que a maioria dos usuários adultos realize a instalação por conta própria. Voltado para o mercado europeu, onde os preços da eletricidade são elevados, o produto também se destaca por tecnologias de economia de energia líderes no setor.

"O 'Fabricado na China’ vai muito além de simplesmente copiar produtos desenvolvidos originalmente para o mercado interno chinês e lançá-los diretamente no exterior. Na verdade, trata-se de redefinir linhas de produtos para atender às demandas específicas dos consumidores locais", disse Xiong.

"Com esse produto direcionado, os consumidores europeus podem perceber que as empresas chinesas se destacam não apenas na fabricação, mas também na inovação".

Um engenheiro trabalha no Centro de P&D da Midea na Alemanha, em Stuttgart, em 30 de junho de 2026. (Xinhua/Zhang Haofu)

Outros fabricantes chineses também lançaram produtos de climatização inovadores projetados para o mercado europeu.

Para atender às rigorosas normas alemãs de controle de ruído noturno, a Haier reduziu o ruído operacional mínimo de seus aparelhos de ar-condicionado para 18 decibéis, "o que equivale, aproximadamente, ao som de páginas sendo viradas em uma biblioteca silenciosa", disse Yu Shipeng, diretor da divisão de mercado internacional de ar-condicionado da Haier.

Na Ningbo Heallux International Trading Co., Ltd., localizada na província de Zhejiang, no leste da China, funcionários trabalhavam intensamente para embalar ventiladores de torre equipados com telas inteligentes, um produto que virou um sucesso de vendas na Europa.

Hu Benchun, diretor da empresa, disse à Xinhua que o produto foi desenvolvido sob medida para o mercado europeu. Entre janeiro e maio, as exportações desse ventilador cresceram cerca de 60% em relação ao ano anterior.

Zhou Nan, secretário-geral do setor de eletrodomésticos da Câmara de Comércio da China para Importação e Exportação de Máquinas e Produtos Eletrônicos, disse que o recente aumento nas vendas de equipamentos de climatização na Europa ressalta a força da cadeia de suprimentos chinesa.

Com os prazos de entrega de eletrodomésticos reduzidos para apenas duas ou três semanas, a China está bem posicionada para responder a picos repentinos de demanda, como as ondas de calor inesperadas na Europa, disse Zhou.

Foto sem data mostra aparelhos de ar-condicionado em uma loja na França. (Xinhua)

EQUILÍBRIO ENTRE CLIMATIZAÇÃO E METAS CLIMÁTICAS

Zhang Monan, vice-diretora do Instituto de Estudos Americanos e Europeus do Centro Chinês de Intercâmbios Econômicos Internacionais, contou suas observações para a Xinhua. Apesar das recentes tensões nas relações comerciais entre a China e a UE, o aumento acentuado nas vendas de aparelhos de ar-condicionado indica que a lógica fundamental do mercado prevalece sobre qualquer narrativa que vise promover o protecionismo comercial em nome da "segurança", disse ela.

Em resposta aos impactos de eventos climáticos extremos, repentinos e imprevistos, o setor manufatureiro da China agiu rapidamente para ajustar sua oferta à demanda do mercado da UE. "Isso é uma prova sólida da confiabilidade da indústria manufatureira chinesa", disse Zhang. "De forma mais ampla, o pilar mais confiável para os laços comerciais entre a China e a UE está na própria dinâmica do mercado".

Segundo um comunicado conjunto divulgado em 30 de junho, a China e a UE estabeleceram um mecanismo de consulta sobre comércio e investimento para fortalecer a confiança mútua e gerir atritos comerciais. Ambas as partes concordaram que medidas e iniciativas para ampliar o acesso ao mercado podem contribuir para equilibrar a relação comercial, dizia o texto.

Em meio à grande procura por equipamentos de climatização chineses, alguns internautas europeus ficaram impressionados com a ampla disponibilidade de sistemas de climatização na China. Com o ar-condicionado presente na maioria dos trens, ônibus e metrôs das cidades chinesas, um vídeo curto mostrando um canil climatizado viralizou recentemente, gerando debates animados sobre os custos de eletricidade na China, que são comparativamente baixos.

O país construiu o maior e mais dinâmico sistema de energia renovável do mundo, tanto para atender à sua enorme demanda por eletricidade a preços acessíveis quanto para cumprir suas metas de redução de emissões de carbono. No período de janeiro a março, a geração de energia renovável na China atingiu 882,9 bilhões de quilowatts-hora, representando cerca de 37% da geração total de energia.

Foto aérea feita por drone em 27 de maio de 2026 mostra parque eólico envolto em neblina em Lianjiang, na província de Fujian, leste da China. (Xinhua/Jiang Kehong)

A China também é a maior produtora e o maior mercado mundial de veículos de nova energia (NEVs). Dados divulgados no mês passado pela Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis mostraram que as vendas de NEVs em maio atingiram 1,496 milhão de unidades, um aumento de 14,4% em relação ao ano anterior. Os NEVs representaram 56,9% de todas as vendas de veículos novos, um aumento em relação aos 40,9% registrados em 2024 e aos 50,8% em 2025.

Para enfrentar melhor as mudanças climáticas, a China apresentou suas novas Contribuições Nacionalmente Determinadas em setembro passado. O plano estabelece metas ambiciosas para 2035. Elas incluem a redução das emissões líquidas de gases de efeito estufa de toda a economia entre 7% e 10% em relação aos níveis de pico. A China também visa aumentar a participação de combustíveis não fósseis no consumo total de energia para mais de 30%. Além disso, o país planeja expandir a capacidade instalada de energia eólica e solar para mais de seis vezes os níveis de 2020.

De fato, os produtos de refrigeração chineses destinados à exportação incorporam características distintas de baixo teor de carbono desde a fase de projeto, uma vez que a China tem elevado continuamente os critérios de eficiência energética para reduzir as emissões de carbono, disse Pan Helin, especialista do Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação.

Por um lado, a China tem impulsionado a transição completa da indústria para refrigerantes naturais com altíssima eficiência e baixo potencial de aquecimento global, reduzindo significativamente as emissões de carbono diretas e indiretas. Por outro lado, diversas soluções de climatização estão intrinsecamente ligadas aos sistemas de energia renovável distribuída do país, incluindo instalações fotovoltaicas e de armazenamento de energia, explicou ele.

Ao facilitar a expansão global de seus produtos, a China transformou a necessidade emergencial de refrigeração em soluções de longo prazo que impulsionam a transição energética e aumentam a resiliência climática, observou ele.

"Essa abordagem não só ajuda os usuários em todo o mundo a passarem seus verões confortavelmente, como também garante que cada refrigeração seja fornecida com o mínimo custo ambiental", disse Pan.

(Reportagem de Bai Xu, Qiang Lijing, Cheng Lu, Yao Yuan, Meng Yingru, Zheng Keyi, Zhang Xuan, Lu Yun e Ren Yaoting)

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