Assassinato de Khamenei gera preocupações sobre caos regional prolongado-Xinhua

Assassinato de Khamenei gera preocupações sobre caos regional prolongado

2026-03-03 14:06:03丨portuguese.xinhuanet.com

* O Irã confirmou no domingo que seu líder supremo, Ali Khamenei, foi morto em ataques aéreos conjuntos entre Estados Unidos e Israel no dia anterior.

* O assassinato de Khamenei provocou uma forte reação da República Islâmica. À medida que a escalada do conflito continua, analistas alertam que o Oriente Médio pode mergulhar em uma instabilidade e um caos ainda maiores.

* "Ampliando a perspectiva para todo o Oriente Médio, a situação está entrando em uma nova fase mais perigosa e imprevisível", disse um analista.

Cairo, 1º mar (Xinhua) -- O Irã confirmou no domingo que seu líder supremo, Ali Khamenei, foi morto em ataques aéreos conjuntos entre Estados Unidos e Israel no dia anterior.

"O líder supremo... teve uma vida piedosa, amou o Irã, garantiu a independência do país, opôs-se à dominação estrangeira e trabalhou incansavelmente pela resiliência e fortaleza de nossa nação", disse o Ministério das Relações Exteriores do Irã em um comunicado. "Ele sempre será um pesadelo vivo para seus assassinos".

O assassinato do líder supremo iraniano provocou uma forte reação da República Islâmica. À medida que a escalada do conflito continua, analistas alertam que o Oriente Médio pode mergulhar em uma instabilidade e um caos ainda maiores.

Pessoas se reúnem para expressar solidariedade ao Irã e protestar contra o assassinato do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, nos subúrbios do sul de Beirute, Líbano, em 1º de março de 2026. (Foto de Bilal Jawich/Xinhua)

MORTE DE KHAMENEI

Nascido em 1939, Khamenei assumiu o cargo de líder supremo do Irã em 1989, após a morte de Ruhollah Khomeini, fundador da República Islâmica.

Durante décadas, Khamenei liderou o Irã em seu confronto com os países ocidentais, incluindo os Estados Unidos, enquanto o país sofre com as prolongadas sanções americanas.

No sábado, após enviar múltiplas ameaças militares, os Estados Unidos e Israel iniciaram ataques em larga escala contra instalações militares e autoridades de alto escalão do Irã.

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que o objetivo "é defender o povo americano eliminando ameaças iminentes" do Irã, e o Ministério da Defesa israelense declarou que o país lançou um ataque "preventivo" contra o Irã "para eliminar ameaças a Israel".

As Forças Armadas israelenses, por sua vez, disseram em um comunicado que cerca de 200 caças fizeram um "amplo ataque" no oeste e centro do Irã, marcando o maior sobrevoo militar da história da Força Aérea Israelense.

Em Teerã, mísseis atingiram áreas próximas ao escritório de Khamenei. Após uma série de declarações contraditórias de Israel, dos Estados Unidos e do Irã, a agência de notícias iraniana Nour News, afiliada ao Conselho Supremo de Segurança Nacional do país, anunciou na manhã de domingo a morte do líder supremo.

"O líder do Irã alcançou o martírio enquanto exercia suas funções", informou a Nour News, acrescentando que o ataque também resultou na morte da filha, do genro, do neto e de uma das noras de Khamenei.

Após o anúncio da morte de Khamenei, o gabinete iraniano decretou 40 dias de luto nacional. No domingo, manifestantes iranianos saíram às ruas de diversas cidades, expressando sua indignação e exigindo retaliação.

Ali Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, prometeu duras represálias contra os Estados Unidos e Israel.

"Ontem, o Irã lançou mísseis contra os Estados Unidos e Israel, e eles os atingiram. Hoje, nós os atacaremos com uma força que eles jamais viram", disse Larijani em uma publicação nas redes sociais.

Pessoas se reúnem para lamentar a morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, em Teerã, Irã, em 1º de março de 2026. (Xinhua)

AMPLAS ONDAS DE CHOQUE

Os ataques dos EUA e de Israel desencadearam uma retaliação maciça do Irã, com relatos de explosões e ataques com mísseis em Israel, além de países como Bahrein, Catar, Kuwait, Jordânia, Emirados Árabes Unidos (EAU) e Arábia Saudita.

À medida que o conflito entrava em seu segundo dia, um número crescente de vítimas e danos era relatado em toda a região.

No Irã, além dos assassinatos de altos funcionários e comandantes militares, o número de mortos no ataque de sábado a uma escola primária feminina na província de Hormozgan, no sul do país, subiu para 165, com dezenas de feridos, segundo a agência de notícias oficial iraniana IRNA.

De acordo com autoridades israelenses, múltiplos ataques com mísseis lançados pelo Irã contra Israel resultaram em pelo menos uma morte e vários feridos.

No domingo, o Comando Central dos EUA informou que três militares foram mortos e cinco ficaram gravemente feridos na operação contra o Irã.

Entre os países do Golfo que foram alvos, os Emirados Árabes Unidos relataram que pelo menos três pessoas foram mortas e 58 ficaram feridas durante ataques aéreos iranianos no país.

Em Omã, dois drones atingiram o Porto de Duqm no domingo, a cerca de 550 km ao sul de Mascate, ferindo um trabalhador, informou a Agência de Notícias de Omã, citando uma fonte de segurança.

Com a confirmação da morte de Khamenei, os aliados regionais do Irã, incluindo o Hezbollah e os Houthis, expressaram indignação com os ataques dos Estados Unidos e de Israel, prometendo continuar a resistência.

Israel também se prepara para expandir suas linhas de frente. O exército israelense disse no domingo que estava se preparando para convocar 100 mil reservistas para aumentar a prontidão ao longo de suas fronteiras com a Síria e o Líbano, assim como na Cisjordânia, na Faixa de Gaza e no sul de Israel.

Foto tirada em 1º de março de 2026 mostra fumaça em Teerã, Irã. Na noite de domingo, a emissora estatal iraniana IRIB informou que os Estados Unidos e Israel atacaram partes da organização em Teerã. (Xinhua/Shadati)

CAOS PROLONGADO

Após o assassinato de Khamenei, o Irã agiu rapidamente para lidar com o vácuo de poder, anunciando no domingo a formação de um conselho de transição de três membros para administrar as funções do Estado.

O Conselho de Discernimento do Conveniência do Irã selecionou Alireza Arafi, jurista do Conselho Constitucional do país, como membro do conselho de liderança interina, que também inclui o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, e o chefe do Judiciário, Gholamhossein Mohseni-Ejei.

Mesmo assim, analistas acreditam que a morte de Khamenei provavelmente levará a mudanças significativas no cenário geopolítico regional e a um caos prolongado na região.

"Como os Estados Unidos e Israel violaram uma das linhas vermelhas do Irã ao assassinar o líder supremo, isso dá ao Irã um motivo para intensificar o conflito e ampliar o escopo de seus alvos", disse Abu-Bakr Al-Desouky, especialista egípcio em assuntos do Golfo e política iraniana.

Adnan Bourji, diretor do Centro Nacional de Estudos do Líbano, concordou que "a guerra ainda está em seus estágios iniciais e, até o momento, não há indícios claros de que terminará em breve".

Apontando para os Estados Unidos e Israel, o especialista político sírio Maher Ihsan disse: "Eles estão incentivando o caos e aumentando o ódio e o sentimento de vingança na região".

"Isso não será bom para Israel e para os Estados Unidos, só vai mergulhar a região em ainda mais turbulência", acrescentou ele.

O início da guerra, juntamente com a morte de Khamenei, "marca uma ruptura fundamental na ordem regional", disse Mohammed Zakaria Aboudahab, professor de ciência política da Universidade Mohammed V, no Marrocos.

"Ampliando a perspectiva para todo o Oriente Médio, a situação está deslizando para uma nova fase mais perigosa e imprevisível", acrescentou ele.

(Repórteres de vídeo: Dong Xiuzhu, Fahrzam Vanaki e Eran Lahav; edição de vídeo: Yu Jiaming, Liu Xiaorui e Hui Peipei)

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