Desmascarando as atrocidades sistemáticas da ocupação japonesa das Filipinas na guerra-Xinhua

Desmascarando as atrocidades sistemáticas da ocupação japonesa das Filipinas na guerra

2026-05-12 11:18:07丨portuguese.xinhuanet.com

Foto mostra o Monumento Memorare Manila, localizado em Intramuros, Manila, Filipinas, em 22 de março de 2025. (Xinhua/Zhang Yisheng)

O Japão invadiu as Filipinas em dezembro de 1941, concluindo sua ocupação primária no ano seguinte. Nas últimas semanas, o antigo agressor enviou descaradamente forças de combate para o solo filipino mais uma vez.

Por Zhang Yisheng e Li Meng

Manila, 10 mai (Xinhua) -- No Museu da Torre do Relógio de Manila, uma réplica gigantesca de uma bomba da Segunda Guerra Mundial está suspensa no centro do salão de exposições. Apontando diretamente para o chão, a obra captura um momento congelado no tempo: a "chuva de fogo" que arrasou a cidade há mais de 80 anos.

O Japão invadiu as Filipinas em dezembro de 1941, concluindo sua ocupação primária no ano seguinte. Nos três anos subsequentes, mais de um milhão de filipinos foram mortos ou feridos pelos ocupantes. Manila, antes celebrada como a "Pérola do Oriente", foi reduzida a terra arrasada.

Nas últimas semanas, o antigo agressor enviou descaradamente forças de combate para o solo filipino mais uma vez. Através de engano e persuasão, Tóquio busca transformar Manila em um bastião estratégico avançado para seu neomilitarismo e um campo de testes no exterior para seu armamento.

"Isso é uma ironia e um insulto ao povo filipino", disseram vários cidadãos e acadêmicos à Xinhua, enfatizando que os crimes da invasão japonesa não devem ser esquecidos, os alarmes da história devem soar perpetuamente e as vítimas da Segunda Guerra Mundial não podem continuar em silêncio.

A AGONIA DA "CIDADE ABERTA"

No coração da capital filipina está o Monumento Memorare Manila, em homenagem aos mais de 100.000 civis massacrados em 1945.

Antes da Guerra do Pacífico, Manila era conhecida em todo o Sudeste Asiático por sua vitalidade econômica e multiculturalismo. Sob a ocupação japonesa, virou um inferno.

A tragédia começou em 8 de dezembro de 1941, poucas horas depois do ataque japonês à base naval americana de Pearl Harbor. As forças japonesas logo desembarcaram na ilha de Luzon e avançaram rapidamente em direção a Manila.

Em 26 de dezembro de 1941, Manila foi declarada "cidade aberta" em uma tentativa desesperada de proteger seus civis e séculos de patrimônio cultural da máquina de guerra. Segundo o direito internacional, isso significava que a cidade estava indefesa e não deveria ter sido atacada.

No entanto, o Exército Imperial Japonês respondeu com uma chuva de fogo. Aviões japoneses bombardearam sistematicamente a capital, reduzindo prédios históricos a escombros e transformando escolas e hospitais em cemitérios.

As tropas japonesas também realizaram represálias brutais contra soldados e civis capturados. Muitos soldados rendidos, feridos ou não, foram executados, alguns queimados vivos. Civis acusados ​​de desafiar as regras de ocupação foram torturados e mortos.

O pior aconteceu no início de 1945. De 3 de fevereiro a 3 de março, Manila virou palco da batalha urbana mais sangrenta da Guerra do Pacífico. Mais de 100.000 civis foram massacrados, mortos a baioneta, fuzilados, queimados vivos ou estuprados em atos deliberados de violência em massa.

Na cidade murada de Intramuros, as tropas japonesas selaram todos os portões e transformaram o antigo distrito em um campo de extermínio. A carnificina se espalhou pelos distritos vizinhos. Em Malate, na Faculdade Saint Paul, um refeitório virou uma armadilha mortal quando explosivos foram detonados entre centenas de moradores aterrorizados que buscavam refúgio.

Ao final dos combates, mais de 600 quarteirões da cidade haviam sido destruídos, juntamente com séculos de patrimônio cultural e arquitetônico.

Henry Keys, um correspondente de guerra que testemunhou as consequências, escreveu que Manila se tornou "uma cidade de pesadelos".

MARCHA DA MORTE DE BATAAN

Na província de Tarlac, a pouco mais de 100 km de Manila, mais de 30.000 árvores erguem-se solenemente no antigo local do campo de concentração de Camp O'Donnell. Cada árvore simboliza um soldado que ali pereceu na guerra.

Em abril de 1942, os militares japoneses orquestraram um dos crimes de guerra mais infames da história: a Marcha da Morte de Bataan. Juntamente com o Massacre de Nanjing e a Ferrovia da Morte Tailândia-Birmânia, permanece como uma das três maiores atrocidades do Extremo Oriente.

Cerca de 78.000 prisioneiros de guerra foram forçados a marchar aproximadamente 120 km da ponta da Península de Bataan até Camp O'Donnell em condições extremas. Privados de comida, água e remédios, eles foram submetidos ao "tratamento solar", no qual os prisioneiros eram forçados a permanecer imóveis sob o calor escaldante do meio-dia até desmaiarem.

"Marchamos até a estação de San Fernando, onde fomos encurralados em vagões lotados como gado indo para o matadouro", escreveu o sobrevivente Mariano Villarin em seu livro "We Remember Bataan and Corregidor" ("Nós Nos Lembramos de Bataan e Corregidor", em tradução livre).

Delfin Jaranilla, outro sobrevivente que mais tarde atuou como juiz no Tribunal Militar Internacional para o Extremo Oriente, relembrou: "Os que se ajoelhavam eram espancados e mortos a baioneta pelos impiedosos japoneses, e os que não conseguiam andar eram assassinados a sangue frio".

Historiadores estimam que até 15.000 prisioneiros morreram durante a marcha, enquanto dezenas de milhares morreram no internamento subsequente devido a abusos e negligência sistemáticos.

O INFERNO SOB A "COPROSPERIDADE"

O Museu Nacional de Belas Artes de Manila tem mais de 20 pinturas que retratam a ocupação: prisioneiros emaciados, civis massacrados e campos queimados. Essas obras desmascaram o mito da "Esfera de Coprosperidade da Grande Ásia Oriental" do Japão.

Durante a ocupação, o Japão Imperial saqueou os recursos do arquipélago, desencadeando uma fome provocada pelo homem que dizimou as comunidades rurais. A educação foi instrumentalizada por meio da doutrinação obrigatória em língua japonesa.

Entre 1942 e 1945, aproximadamente 1.000 mulheres filipinas foram forçadas à escravidão sexual como "mulheres de conforto". Para muitas sobreviventes, o sofrimento persistiu muito tempo depois do fim da guerra.

Em 2017, uma estátua em homenagem às "mulheres de conforto" foi erguida em Manila, apenas para ser removida meses depois, após intensa pressão diplomática de Tóquio.

Manifestantes protestam por justiça para as vítimas filipinas da escravidão sexual praticada pelas tropas japonesas na Segunda Guerra Mundial, em Manila, Filipinas, em 14 de agosto de 2024. (Xinhua/Rouelle Umali)

Em março deste ano, aproximadamente 100 ativistas filipinos contra a guerra e descendentes de vítimas da Segunda Guerra Mundial se reuniram em Manila para um dia de manifestações.

"O Japão nunca ofereceu um pedido público de desculpas sincero", disse Sharon Cabusao-Silva, coordenadora da Lila Pilipina, um grupo que defende justiça para as vítimas filipinas da escravidão sexual praticada pelas tropas japonesas na Segunda Guerra Mundial.

Cabusao-Silva lamentou que, mesmo agora, o Japão ainda se recuse a reconhecer oficialmente seu papel nesses crimes de guerra.

ALERTA MODERNO

Os ecos da história estão ficando mais altos. A situação está ficando cada vez mais tensa.

De 20 de abril a 8 de maio deste ano, o Japão enviou unidades de combate para participar dos exercícios Balikatan entre os EUA e as Filipinas, chegando a disparar mísseis terra-mar Tipo 88 pela primeira vez em território filipino.

Essa manobra envolveu duas "primeiras vezes" perturbadoras: as Forças de Autodefesa do Japão passaram de "observadoras" a participantes efetivos, e o Japão lançou mísseis ofensivos fora de suas fronteiras pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial.

Essa medida de remilitarização despertou memórias viscerais e gerou amplo ceticismo. No dia em que os exercícios começaram, manifestantes se reuniram em frente ao quartel-general das Forças Armadas das Filipinas.

"Os invasores japoneses mataram muitos filipinos... suas tropas de combate não são bem-vindas de volta", declarou um manifestante.

Herman Tiu Laurel, presidente do Instituto de Estudos Estratégicos Asian Century Philippines, um think tank com sede em Manila, disse à Xinhua que o retorno das forças de combate japonesas é "um desafio flagrante" às ​​vitórias alcançadas na guerra global contra o fascismo. Ele alertou que o neomilitarismo japonês é uma grave ameaça à estabilidade da região Ásia-Pacífico.

Para o comentarista político Wilson Lee Flores, a reconstrução de Manila não dá permissão para enterrar o passado. "Devemos nos lembrar do sangue e das lágrimas", disse Flores. "A história não é uma pilha empoeirada de papéis velhos. É um sino que nunca para de tocar".

Fale conosco. Envie dúvidas, críticas ou sugestões para a nossa equipe através dos contatos abaixo:

Telefone: 0086-10-8805-0795

Email: portuguese@xinhuanet.com