O conflito desencadeado pelos ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra o Irã entrou em seu 12º dia na quarta-feira. Observadores notaram que, embora os Estados Unidos e Israel tenham obtido alguns ganhos táticos, a escalada dos combates frustrou as esperanças de Washington por uma vitória rápida.
Cairo, 11 mar (Xinhua) -- O conflito desencadeado pelos ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra o Irã entrou em seu 12º dia na quarta-feira, com mais de uma dúzia de nações afetadas até o momento e repercussões sentidas em todo o mundo.
Observadores notaram que, embora os Estados Unidos e Israel tenham obtido alguns ganhos táticos no campo de batalha, a escalada dos combates frustrou as esperanças de Washington por uma vitória rápida.
Conforme crescem as preocupações com uma guerra de desgaste prolongada, também aumenta o pedido internacional pelo fim imediato das hostilidades e pelo retorno à mesa de negociações.
CHAMAS DA GUERRA SE ALASTRAM
Até quarta-feira, o conflito, que se estendeu por todos os estados do Golfo e por vários outros países da região, parecia destinado a durar mais do que a "guerra de 12 dias" entre o Irã e a coalizão israelo-americana em junho de 2025.
No epicentro da crise regional, o Irã sofreu pesadas baixas. Durante os ataques iniciais dos EUA e de Israel, o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, foi morto, juntamente com vários altos funcionários do país. As instalações militares, os complexos da liderança e a infraestrutura estratégica do país também foram alvo de intensos bombardeios.

Jovem remove escombros de um prédio destruído em Teerã, Irã, em 4 de março de 2026. (Xinhua/Shadati)
As autoridades iranianas relataram até agora mais de 1.300 mortes. Entre as vítimas, estavam mais de 160 meninas que foram mortas quando um ataque atingiu uma escola no sul do Irã.
Em retaliação, o Irã lançou mais de 30 ondas de ataques com mísseis e drones contra alvos americanos e israelenses em todo o Oriente Médio, e milícias alinhadas a Teerã também intensificaram os ataques em toda a região.
Pouco depois dos ataques ao Irã, o Hezbollah começou a disparar foguetes e drones contra o norte de Israel. O país respondeu com extensos ataques aéreos e operações terrestres em todo o Líbano, visando a liderança e a infraestrutura do Hezbollah.
De acordo com autoridades libanesas, os combates mataram pelo menos 570 pessoas e deslocaram quase 760.000, com bairros inteiros no sul do Líbano e nos subúrbios do sul de Beirute sofrendo ataques israelenses.
Para além do campo de batalha, a guerra provocou ondas de choque por todo o mundo. O setor da aviação foi o mais afetado. Com a continuidade e expansão dos combates, os principais aeroportos do Oriente Médio foram obrigados a cancelar ou atrasar voos por motivos de segurança, causando interrupções significativas na indústria da aviação da região.
O mercado global de energia também sofreu sérias perturbações. O fechamento efetivo do Estreito de Ormuz, uma via navegável essencial que normalmente transporta cerca de 20% do petróleo e gás do mundo, obrigou algumas empresas de transporte marítimo a suspender suas operações.
Os ataques à infraestrutura energética agravaram a situação. Israel atacou instalações petrolíferas iranianas no fim de semana, o que provocou ataques retaliatórios do Irã contra instalações energéticas em todo o Golfo. Várias instalações importantes foram obrigadas a interromper ou reduzir suas operações.
A combinação desses impactos fez com que os preços globais do petróleo subissem mais de 25% nos primeiros dias do conflito, com o petróleo bruto sendo negociado brevemente entre 100 e 120 dólares americanos por barril, os níveis mais altos em anos.
Amin Nasser, diretor-executivo da Saudi Aramco, alertou na terça-feira que a instabilidade prolongada desencadeada pela escalada militar pode ter consequências de longo alcance para os fluxos globais de energia e para a economia em geral.
GUERRA SEM ESTRATÉGIA CLARA
Como um dos iniciadores dos ataques ao Irã, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse na segunda-feira que a campanha militar EUA-Israel contra Teerã terminaria "muito em breve".
Embora tenha posteriormente recuado em algumas dessas declarações, sinalizando uma possível escalada nos ataques ao Irã, analistas disseram que as mensagens vindas de Washington refletem a incerteza sobre se o país conseguirá atingir os objetivos que estabeleceu antes do conflito.
"Washington provavelmente está ciente de que os prolongados conflitos militares no Oriente Médio tendem a se tornar custosos, complexos e politicamente delicados, tanto interna quanto internacionalmente", disse Akram Atallah, analista palestino de Gaza.
Como observou Atallah, antes e durante os ataques aéreos contra o Irã, os Estados Unidos e Israel declararam seus objetivos: eliminar a capacidade de mísseis balísticos do Irã, alcançar o enriquecimento zero de urânio e, potencialmente, facilitar uma "mudança de regime".
No entanto, nenhum desses objetivos foi alcançado. Os ataques iniciais mataram Ali Khamenei, mas seu segundo filho, Mojtaba Khamenei, que também adota uma postura anti-americana, foi rapidamente escolhido como o novo líder supremo. Isso, segundo analistas, reflete tanto a resiliência do sistema político iraniano quanto os erros de cálculo estratégicos dos Estados Unidos e de Israel.

Pessoas participam de manifestações em lealdade ao novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, na Praça Enghelab, em Teerã, Irã, em 9 de março de 2026. (Xinhua/Shadati)
"Os Estados Unidos entraram em um dilema", disse à Xinhua, Mokhtar Ghobashy, secretário-geral do Centro Al-Farabi de Estudos Políticos no Egito.
"Há erros e uma estratégia ruim por parte dos Estados Unidos, porque claramente não perceberam que o Irã é um nó estratégico presente na região e que este sistema político não pode ser derrubado facilmente", acrescentou Ghobashy.
Alguns acadêmicos ocidentais também argumentam que os Estados Unidos atualmente precisam de uma base estratégica clara em seu conflito com o Irã.
"Normalmente, os EUA só chegariam a uma grande guerra depois de criar um consenso interno, compartilhar objetivos e informações com aliados e conquistar apoio entre a população, a classe política e a mídia", disse Vali R. Nasr, especialista em Irã e islamismo xiita da Universidade Johns Hopkins, em entrevista recente. "Nada disso aconteceu".
"O maior erro dos Estados Unidos foi acreditar que a força militar sozinha poderia produzir uma nova ordem política na região, ignorando as profundas complexidades sociais, sectárias e tribais", disse Adel al-Ghurairi, analista político iraquiano e professor da Universidade de Bagdá.
APELOS GLOBAIS PELA PAZ
Em meio às crescentes tensões e aos efeitos colaterais cada vez maiores, a comunidade internacional intensificou os apelos por uma suspensão imediata das operações militares, pedindo que todas as partes tenham moderação e priorizem o diálogo e a diplomacia.
Protestos foram feitos em diversos países, incluindo Estados Unidos, Irã, Índia e Iraque, condenando as ações militares conjuntas entre EUA e Israel contra o Irã e exigindo o fim da intervenção estrangeira e a restauração da paz.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou na sexta-feira que a situação no Oriente Médio "pode sair do controle de qualquer pessoa", enfatizando que "é hora de parar os combates e iniciar negociações diplomáticas sérias".

O secretário-geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres (frente, centro), discursa em uma reunião de emergência do Conselho de Segurança sobre o ataque conjunto entre EUA e Israel ao Irã, na sede da ONU em Nova York, em 28 de fevereiro de 2026. (Xinhua/Xie E)
Líderes da União Europeia disseram na segunda-feira que o bloco está pronto para desempenhar um papel na redução das tensões no Oriente Médio, defendendo a desescalada e o retorno às negociações.
Líderes nacionais também fizeram apelos urgentes por esforços diplomáticos para alcançar a desescalada. Nos últimos dias, líderes de países como Jordânia, Líbano, Síria, Turquia e Iraque enfatizaram a necessidade de as partes envolvidas exercerem moderação, reduzirem a tensão, priorizarem o diálogo e buscarem uma solução diplomática.
Em um telefonema na terça-feira com o ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, reiterou a esperança da Rússia em uma rápida redução da tensão e no retorno a uma solução política e diplomática, acrescentando que a Rússia permanece pronta para ajudar a facilitar esses esforços.
A China, por sua vez, tem reiteradamente pedido um cessar-fogo imediato, o retorno ao diálogo, o respeito à soberania nacional e a proteção dos civis. Zhai Jun, enviado especial do governo chinês para assuntos do Oriente Médio, está visitando a região para pressionar pela redução da tensão.
(Repórteres de vídeo: Dong Xiuzhu, Zhang Yanfang, Yao Bing, Marwa Yahya, Adel Ahmed, Mahmoud Fouly, Huang Zemin, Emad Drimly, Sanaa Kamal, Li Jun e Khalil Dawood; edição de vídeo: Liu Ruoshi, Luo Hui e Zheng Qingbin)









