
Foto aérea de drone tirada em 25 de março de 2024 mostra vista de Swakopmund, Namíbia. (Xinhua/Chen Cheng)
O lançamento do Ano de Intercâmbio Interpessoal China-África 2026 marca um amadurecimento estratégico das relações China-África, sinalizando uma mudança de foco do engajamento anterior, centrado em infraestrutura e comércio, para uma conectividade social mais forte e um desenvolvimento centrado nas pessoas, disse um especialista namibiano.
Windhoek, 18 jan (Xinhua) -- O lançamento do Ano de Intercâmbio Interpessoal China-África 2026 marca um amadurecimento estratégico das relações China-África, sinalizando uma mudança de foco do engajamento anterior, centrado em infraestrutura e comércio, para uma conectividade social mais forte e um desenvolvimento centrado nas pessoas, disse um especialista namibiano.
"Os intercâmbios interpessoais geram confiança, compreensão e valores compartilhados que vão além dos acordos governamentais", disse em entrevista recente à Xinhua, Ndumba Kamwanyah, analista político e de políticas públicas especializado em governança e desenvolvimento.
"Quando estudantes, jovens profissionais, artistas, pesquisadores e profissionais da mídia interagem diretamente, aprendem como funcionam suas sociedades. Com o tempo, essas conexões pessoais tornam a cooperação mais estável e sustentável", acrescentou ele.
Kamwanyah observou que o que diferencia a nova iniciativa das estruturas de cooperação China-África anteriores é sua forte ênfase na sociedade e no engajamento popular.
"As estruturas anteriores focavam principalmente em estradas, ferrovias, mineração e finanças", concluiu ele. "Esta iniciativa foca nas pessoas: juventude, cultura, educação e mídia. O planejamento de quase 600 atividades mostra um compromisso de longo prazo com o desenvolvimento social, o soft power e o aprendizado mútuo".
Segundo ele, essa cooperação centrada nas pessoas complementa os projetos econômicos, reduzindo as barreiras culturais e fortalecendo a confiança social, que são essenciais para o sucesso a longo prazo das parcerias comerciais, de investimento e de desenvolvimento.

Foto aérea de drone tirada em 25 de março de 2024 mostra uma rua em Swakopmund, Namíbia. (Xinhua/Chen Cheng)
No contexto da Namíbia, Kamwanyah disse que a iniciativa oferece oportunidades significativas para aprimorar o desenvolvimento do capital humano, principalmente porque o país busca a diversificação econômica e procura combater o persistente desemprego juvenil.
"A iniciativa pode apoiar o desenvolvimento de habilidades, o treinamento de jovens e a transferência de conhecimento em setores-chave", disse ele. "A Namíbia pode aprender com a experiência da China em industrialização, tecnologia digital, turismo e desenvolvimento de pequenas empresas".
Além dos benefícios econômicos, Kamwanyah enfatizou o valor social do aumento dos intercâmbios culturais, observando que uma maior interação cultural pode impulsionar a confiança entre os jovens namibianos e melhorar a visibilidade internacional do país.
"A cooperação com a mídia, em particular, pode ajudar a Namíbia a contar sua própria história de desenvolvimento de forma mais eficaz para o mundo", acrescentou ele.
Se gerenciado de forma adequada, o aumento do engajamento cultural e juvenil pode gerar resultados tangíveis, disse Kamwanyah, conforme os participantes retornam com novas habilidades, ideias e redes profissionais que apoiam o empreendedorismo e a produtividade.
"Os intercâmbios culturais podem impulsionar o turismo e as indústrias criativas, enquanto, socialmente, promovem disciplina, inovação e cooperação intercultural", disse ele. "Essas qualidades são essenciais para o desenvolvimento nacional e a unidade social".

Foto tirada em 25 de março de 2024 mostra uma rua em Swakopmund, Namíbia. (Xinhua/Chen Cheng)
Enquanto isso, Kamwanyah ressaltou o papel central do governo namibiano em fornecer diretrizes políticas, coordenação e supervisão. "O governo deve monitorar e avaliar os resultados para garantir que os intercâmbios resultem em transferência real de habilidades, emprego e desenvolvimento comunitário", disse ele.
Ele também defendeu um envolvimento mais forte de universidades, instituições de ensino, sociedade civil e setor privado no desenvolvimento de programas conjuntos de pesquisa e intercâmbio com parceiros chineses. As organizações da sociedade civil, acrescentou ele, podem apoiar iniciativas de participação comunitária e de liderança juvenil.
"O setor privado também deve oferecer estágios, programas de mentoria e treinamentos cofinanciados alinhados às necessidades do mercado", disse Kamwanyah. "Somente por meio de uma forte colaboração os intercâmbios interpessoais podem virar impacto econômico e social duradouro".
"O desenvolvimento, em última análise, diz respeito às pessoas", concluiu ele. "Quando os laços sociais são fortes, a cooperação fica mais resiliente, inclusiva e transformadora".

