
Foto tirada em 26 de outubro de 2026 mostra a praça sul do Centro Nacional de Exposições e Convenções (Shanghai), o principal local da 9ª edição da Exposição Internacional de Importação da China (CIIE, na sigla em inglês), em Shanghai, no leste da China. (Xinhua/Fang Zhe)
Abidjan, 30 out (Xinhua) -- A Costa do Marfim espera aproveitar sua primeira participação oficial em grupo na Exposição Internacional de Importação da China (CIIE, na sigla em inglês) para promover seus produtos, ampliar o acesso ao mercado chinês e atrair investimentos em processamento local, disse o chefe da agência de promoção de exportações do país.
Em uma entrevista recente à Xinhua, Kaladji Fadiga, diretor-geral da Agência de Promoção de Exportações da Costa do Marfim, disse que o país da África Ocidental apresentará cinco setores estratégicos e suas respectivas cadeias de valor, cacau, café, castanha de caju, noz-de-cola e têxteis, na 9ª edição da CIIE, programada para ocorrer de 5 a 10 de novembro em Shanghai.
"A Costa do Marfim possui produtos de qualidade, conhecimentos especializados reconhecidos e um potencial considerável", disse Fadiga. "O selo ‘Fabricado na Costa do Marfim’ representa a excelência enraizada nos conhecimentos especializados, na origem e na história".
A Costa do Marfim é um dos principais produtores mundiais de cacau e castanha de caju. Fadiga também destacou o potencial da noz-de-cola entre os consumidores asiáticos.
"A Costa do Marfim quer se posicionar como um parceiro econômico com uma oferta diferenciada, combinando produtos agrícolas não processados e produtos agroindustriais", disse ele, acrescentando que o país pretende promover o selo "Fabricado na Costa do Marfim" por meio de marcas locais prontas para ingressar no mercado chinês.

Frutos e amêndoas de cacau estão expostos em um estande na 10ª edição dos Dias Nacionais do Cacau e do Chocolate, em Abidjan, na Costa do Marfim, em 1º de setembro de 2026. (Foto de Yvan Sonh/Xinhua)
"Hoje, o comércio internacional ocorre em um ambiente particularmente incerto, marcado pelo ressurgimento do protecionismo nos mercados", disse Fadiga. "Nesse contexto, a resiliência da economia chinesa merece atenção especial".
Ele disse que essa resiliência oferece oportunidades significativas para os países africanos que buscam diversificar seus parceiros comerciais. Para a Costa do Marfim, a capacidade da China de dar continuidade aos investimentos e honrar seus compromissos comerciais, apesar da turbulência global, proporciona novas oportunidades para diversificar seus mercados de exportação e impulsionar as vendas externas, acrescentou ele.
Ele destacou a demanda de compradores chineses por produtos marfinenses, incluindo cacau, castanha de caju, borracha e algodão, assim como a política de tarifa zero da China para todos os 53 países africanos com os quais mantém laços diplomáticos, entre eles a Costa do Marfim.
Classificando a medida como "muito mais do que um simples ajuste", Fadiga disse que ela pode tornar os produtos marfinenses elegíveis, especialmente a castanha de caju, mais competitivos em termos de preço no mercado chinês.
Além das vantagens tarifárias, a feira oferece às empresas da Costa do Marfim uma plataforma para encontrar importadores e distribuidores chineses, compreender melhor a demanda do mercado, identificar potenciais parceiros de negócios e buscar oportunidades de exportação a longo prazo.
Para apoiar os exportadores marfinenses, a Agência de Exportação da Costa do Marfim e a Embaixada da China no país criaram um grupo de trabalho bilateral chamado "Exportar para a China".
A iniciativa busca conectar exportadores marfinenses a compradores chineses, auxiliar nos trâmites alfandegários e ajudar as empresas a cumprir exigências sanitárias e fitossanitárias. O projeto também prevê a organização de visitas de estudo à China para familiarizar as empresas marfinenses com o mercado chinês e seu ambiente de negócios.

Trabalhadores embalam blocos de borracha padrão em uma fábrica de processamento de borracha pertencente ao grupo chinês Mainland Group, em San Pedro, na Costa do Marfim, em 9 de abril de 2026. (Xinhua/Zhang Jian)
Além da promoção comercial, a Costa do Marfim espera aproveitar seus laços econômicos com a China para expandir o processamento local e agregar valor às suas exportações.
Citando dados da alfândega marfinense, Fadiga disse que o país exportou 1 milhão de toneladas de grãos de cacau in natura, no valor de cerca de 2,4 trilhões de francos CFA (4,1 bilhões de dólares americanos), em 2024, em comparação com 613 mil toneladas de produtos de cacau processados, avaliados em aproximadamente 2 trilhões de francos CFA (3,4 bilhões de dólares).
"Essa é uma evidência quantitativa da importância estratégica de aumentar nossa taxa de processamento local", disse ele.
"Nossos objetivos de curto prazo incluem a assinatura de diversos contratos comerciais com importadores e distribuidores chineses, a promoção dos conhecimentos especializados da Costa do Marfim entre os consumidores chineses e a identificação de parceiros dispostos a investir no processamento local", disse Fadiga.
Olhando para o futuro, ele disse que a Costa do Marfim espera fortalecer sua presença nas próximas edições da feira e aprofundar a cooperação econômica com a China.
"Nosso papel, como agência nacional de promoção de exportações, é garantir que os produtos com o selo ‘Fabricado na Costa do Marfim’ conquistem seu devido lugar nos mercados globais", disse ele. "Com a CIIE 2026, estamos avançando de forma decidida nessa direção".

