
Funcionário iraniano trabalha no campo de gás de South Pars, perto do porto de Assalouyeh, no sul do Irã, em 23 de agosto de 2016. (Xinhua/Ahmad Halabisaz)
Cairo, 19 mar (Xinhua) -- A região do Golfo abriga uma ampla gama de instalações de energia, incluindo refinarias e usinas de produção de gás natural liquefeito (GNL), que são essenciais para o fornecimento global de energia e a estabilidade do mercado.
No entanto, após ataques israelenses a instalações ligadas ao campo de gás de South Pars, no Irã, na quarta-feira, diversas instalações de energia na região foram afetadas por mísseis ou queda de destroços, com algumas operações temporariamente suspensas.
Os ataques à infraestrutura energética na região aumentaram as preocupações com possíveis interrupções no fornecimento, elevando os preços do petróleo.
A seguir, descrevemos como as principais instalações energéticas da região estão sendo afetadas pelo conflito entre EUA e Israel contra o Irã.
CATAR
A Cidade Industrial de Ras Laffan, operada pela empresa estatal de petróleo QatarEnergy, serve como centro de produção de GNL do Catar.
Com uma área de 295 km², a cidade industrial possui instalações como o Porto de Ras Laffan, que é o maior terminal de exportação de GNL do mundo e capaz de receber os maiores navios de GNL e outros produtos líquidos, de acordo com o site oficial da QatarEnergy.
Na quarta-feira, o Ministério do Interior do Catar informou que a equipe de defesa civil está combatendo um incêndio na área de Ras Laffan, após um ataque iraniano.
A QatarEnergy confirmou em um comunicado que a Cidade Industrial de Ras Laffan foi atingida por mísseis, causando grandes danos e incêndios.
"Equipes de resposta a emergências foram imediatamente mobilizadas para conter os incêndios resultantes", disse o comunicado, acrescentando que "todo o pessoal foi contabilizado e não há relatos de vítimas até o momento".

Pessoas participam de cerimônia fúnebre em Teerã, Irã, em 18 de março de 2026. (Xinhua/Shadati)
EMIRADOS ÁRABES UNIDOS (EAU)
A Companhia Nacional de Petróleo de Abu Dhabi (ADNOC, na sigla em inglês), integralmente controlada pelo Governo de Abu Dhabi, é um grupo energético com uma rede de empresas totalmente integradas que operam em toda a cadeia de valor da energia.
À medida que os ataques têm como alvo crescente as instalações de energia, a ADNOC não foi poupada.
Na quinta-feira, as autoridades dos EAU informaram que as operações nas instalações de gás de Habshan, uma das maiores instalações de processamento de gás do mundo operada pela ADNOC, foram temporariamente suspensas devido à queda de destroços de mísseis interceptados.
O campo de petróleo de Bab, o maior campo de petróleo em terra nos EAU, operado pela ADNOC, também foi afetado pelo ataque.
ARÁBIA SAUDITA
A Saudi Aramco, companhia petrolífera nacional da Arábia Saudita e uma das maiores empresas integradas de energia e produtos químicos do mundo, também foi atingida pelos ataques.
A mídia noticiou que a refinaria SAMREF da Saudi Aramco, no porto de Yanbu, no Mar Vermelho, foi alvo de um ataque aéreo na quinta-feira, citando uma fonte do setor.
Yanbu também tem sido um dos principais pontos de exportação de petróleo bruto dos países do Golfo, já que o transporte pelo Estreito de Ormuz foi efetivamente interrompido após o início da guerra no final do mês passado.

Posto de abastecimento de hidrogênio da Saudi Aramco e da Air Products é fotografado em Dhahran, Arábia Saudita, em 27 de junho de 2021. (Foto de Wang Haizhou/Xinhua)
BAHREIN
A Bapco Energies, empresa integrada de energia do Bahrein, é uma das primeiras empresas petrolíferas do Golfo a exportar petróleo.
No início deste mês, a empresa declarou força maior em suas operações devido ao conflito regional em curso e ao ataque à sua refinaria.
O Ministério da Saúde do Bahrein confirmou que o ataque com drones iranianos na área de Sitra resultou em 32 feridos civis, incluindo quatro em estado grave.
KUWAIT
A Kuwait Petroleum Corporation (KPC), estatal do Kuwait, é uma das maiores refinadoras do mundo.
Na quinta-feira, a empresa confirmou que ataques com drones atingiram unidades operacionais em duas das principais refinarias de petróleo do país, provocando incêndios que foram rapidamente controlados, sem relatos de vítimas.
Em comunicado, a KPC informou que uma unidade da Refinaria Mina Abdullah, operada pela Kuwait National Petroleum Company, foi atingida por um drone, causando um incêndio no local.
A KPC também relatou um ataque separado com drone a uma unidade operacional na Refinaria Mina Al Ahmadi, que causou um incêndio de pequenas proporções. O fogo foi rapidamente controlado, sem feridos.
OMÃ
Omã é um dos principais países produtores de petróleo da região. Suas instalações de energia também foram alvo de ataques.
Na semana passada, a empresa britânica de segurança marítima Ambrey informou que instalações de armazenamento de petróleo foram atingidas no porto de Omã. A Agência de Notícias de Omã também relatou que vários veículos aéreos não tripulados foram interceptados e abatidos em Omã, enquanto diversos drones atingiram tanques de armazenamento de combustível no Porto de Salalah, o maior porto do país.







