
Seul, 3 de dezembro de 2025 (Xinhua) -- O presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, discursa em uma coletiva de imprensa em Seul, Coreia do Sul, em 3 de dezembro de 2025. (Xinhua/Yao Qilin)
A próxima visita do presidente sul-coreano Lee à China oferece uma oportunidade para consolidar a trajetória positiva das relações bilaterais e traçar um rumo mais claro para o futuro.
Seul, 3 jan (Xinhua) -- Enquanto o presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, se prepara para embarcar em sua primeira visita à China desde que assumiu o cargo, o momento não poderia ser mais adequado.
Em um momento em que o protecionismo comercial ressurge, as tensões geopolíticas aumentam e a incerteza econômica obscurece a recuperação global, a China e a Coreia do Sul, duas das maiores economias da região Ásia-Pacífico, enfrentam a responsabilidade compartilhada de promover a estabilidade e a confiança na região.
Ao longo das últimas três décadas, as relações entre a China e a Coreia do Sul demonstraram que vizinhos próximos, com ideologias e sistemas sociais diferentes, podem vencer as diferenças por meio da cooperação.
Desde o estabelecimento de relações diplomáticas em 1992, os dois países construíram cadeias industriais e redes de suprimentos fortemente integradas, formando uma parceria econômica mutuamente benéfica que resistiu a múltiplos choques globais. Essa base permanece um dos pilares mais resilientes da cooperação econômica regional.
Os laços econômicos continuam servindo como o pilar do relacionamento. Por mais de duas décadas, a China tem sido o maior parceiro comercial da Coreia do Sul, enquanto a Coreia do Sul se destaca como um dos parceiros econômicos mais importantes da China. Isso reflete uma forte interdependência nos mercados de manufatura, tecnologia e consumo. Quaisquer tentativas de desvincular ou politizar esses laços econômicos contrariam os interesses fundamentais de ambos os povos.
O ano de 2025 marcou o 10º aniversário do Acordo de Livre Comércio China-Coreia do Sul. De acordo com a Administração Geral de Alfândegas da China, o volume de comércio bilateral atingiu 298,9 bilhões de dólares americanos durante o período de janeiro a novembro do ano passado.
Ao expandir a cooperação para setores emergentes, como inteligência artificial, biofarmacêuticos, indústrias verdes e economia prateada, ambos os lados podem alinhar a transformação econômica ao desenvolvimento sustentável. Isso não é só uma resposta pragmática aos desafios do crescimento interno, mas também uma contribuição construtiva para a recuperação econômica regional e global.
Além dos interesses bilaterais, a China e a Coreia do Sul são atores importantes na defesa do sistema multilateral de comércio. Como economias-chave da Ásia-Pacífico, ambos os países se beneficiam de mercados abertos, cadeias de suprimentos estáveis e regras previsíveis.
Em uma era em que o unilateralismo e as abordagens de "quintal pequeno e cerca alta" ganham terreno, a cooperação entre os dois países mostra apoio ao verdadeiro multilateralismo e à globalização inclusiva.
O contexto regional e histórico mais amplo também é importante. A paz e a prosperidade da região Ásia-Pacífico têm suas raízes na ordem internacional pós-Segunda Guerra Mundial. Qualquer tentativa de obscurecer as responsabilidades históricas ou reviver o pensamento militarista corre o risco de minar a confiança e a estabilidade regionais.
Como países que sofreram muito com a guerra e se beneficiaram enormemente da paz, a China e a Coreia do Sul compartilham um interesse moral e prático em proteger essa ordem arduamente conquistada.

Foto tirada em 31 de outubro de 2025 mostra painel publicitário da 32ª Reunião de Líderes Econômicos da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC) em Gyeongju, Coreia do Sul, em 31 de outubro de 2025. (Xinhua/Jia Haocheng)
Essa responsabilidade compartilhada se estende a plataformas regionais como a Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC). Com a China assumindo o papel de anfitriã da APEC em 2026, uma coordenação mais estreita com a Coreia do Sul pode ajudar a impulsionar a integração econômica regional, promover a Área de Livre Comércio da Ásia-Pacífico e fortalecer a cooperação em desenvolvimento, inovação e conectividade. Esses esforços reforçariam o papel da região Ásia-Pacífico como uma força estabilizadora em um mundo cada vez mais fragmentado.
A próxima visita de Lee oferece uma oportunidade para consolidar a trajetória positiva das relações bilaterais e traçar um rumo mais claro para o futuro. Ao aprimorar a comunicação estratégica, expandir a cooperação prática e administrar adequadamente as diferenças, a China e a Coreia do Sul podem elevar ainda mais sua parceria a um patamar superior, marcado por maior confiança, sinergia econômica mais forte e um compromisso compartilhado com a paz e a prosperidade regional.
Em um momento de profunda transformação global, a escolha que se apresenta a ambos os lados é clara. Unindo-se contra o protecionismo, defendendo o multilateralismo e se mantendo atentas às lições da história, a China e a Coreia do Sul podem não apenas impulsionar seu próprio desenvolvimento, mas também contribuir construtivamente para a estabilidade e a confiança em toda a região Ásia-Pacífico e além.


