
Um estudante (centro) da Escola Clifford em Guangzhou, na China, apresenta a visitantes um dispositivo de geração de energia eólica, equipado com dois rotores que giram em sentidos opostos, na feira internacional de invenções iENA, em Nuremberg, na Alemanha, em 31 de outubro de 2026. (Xinhua/Du Zheyu)
Henning Koenicke, diretor-administrativo da AFAG, organizadora da feira, disse que, ao longo dos anos, os participantes chineses deixaram de focar apenas no mercado interno para dar uma ênfase crescente à cooperação internacional e aos mercados globais.
Nuremberg, Alemanha, 4 nov (Xinhua) -- Para pessoas que apresentam espasmos involuntários nos músculos faciais, o alívio poderá vir, um dia, na forma de um par de óculos.
Uma equipe de pesquisa da Universidade Tsinghua, na China, desenvolveu um dispositivo vestível capaz de detectar espasmos faciais e emitir estímulos elétricos. A tecnologia foi apresentada na feira internacional de invenções iENA, em Nuremberg, na Alemanha.
"Com uma aparência muito semelhante à de óculos comuns, o dispositivo utiliza sensores instalados na armação para detectar movimentos faciais sutis", explicou à Xinhua, Wan Jiahao, funcionário da RENEW LAB. "Quando um espasmo é detectado, o sistema aplica estímulos elétricos para ajudar a regular a atividade nervosa anormal".
A tecnologia vestível é voltada para o tratamento do espasmo hemifacial, uma condição para a qual a cirurgia não é adequada em alguns pacientes e cujas opções de tratamento com medicamentos ou injeções são limitadas. Wan acrescentou que testes clínicos preliminares demonstraram melhora na simetria facial dos pacientes que utilizaram o dispositivo.
A invenção esteve entre cerca de 200 itens chineses expostos na feira, que foi encerrada na segunda-feira. O evento, com duração de três dias, reuniu quase 600 invenções provenientes de mais de 20 países e regiões.
No estande do Instituto de Pesquisa de Energia Elétrica da China (CEPRI, na sigla em inglês), um robô humanoide apresentou uma possível solução para mais um desafio: manter os trabalhadores longe de ambientes perigosos, garantindo, ao mesmo tempo, a realização de inspeções essenciais no setor elétrico.

Estudantes da Escola Secundária Pui Ching (campus de Coloane), na Região Administrativa Especial de Macau, na China, apresentam um dispositivo vestível equipado com braços robóticos aos visitantes da feira internacional de invenções iENA, em Nuremberg, na Alemanha, em 31 de outubro de 2026. (Xinhua/Du Zheyu)
Projetado para assumir tarefas perigosas, fisicamente exigentes e repetitivas, o robô chamou a atenção dos visitantes. Ele faz parte de um sistema de inspeção mais amplo, que inclui robôs quadrúpedes, capazes de entrar em túneis subterrâneos de infraestrutura, e drones que realizam, de forma autônoma, a inspeção de linhas de distribuição de energia, postes e torres.
"Nosso objetivo é capacitar os robôs a compreender tarefas operacionais e tomar decisões autônomas, permitindo que os trabalhadores deixem de realizar atividades de alto risco e repetitivas em ambientes complexos", explicou à Xinhua, Wang Zheng, engenheiro do CEPRI. "Queremos que eles se tornem parceiros confiáveis das equipes responsáveis pela operação e manutenção em campo".
O potencial de aplicação desses robôs vai além das fronteiras da China. "Estamos promovendo ativamente a cooperação internacional", disse à Xinhua, Dai Qing, diretor regional do Centro de Inovação em Robótica Humanoide de Beijing, que colaborou com o CEPRI no projeto.
"Países ao redor do mundo possuem necessidades práticas em áreas como inspeção e resposta a emergências, o que abre amplas perspectivas para tecnologias e soluções relacionadas nesses mercados estrangeiros", acrescentou Dai.
Henning Koenicke, diretor-administrativo da AFAG, organizadora da feira, observou uma mudança significativa na participação chinesa ao longo dos anos. "Há uma década, os expositores chineses estavam focados, em grande parte, no mercado interno", disse ele à Xinhua. "Hoje, seus produtos e apresentações refletem uma ênfase crescente na cooperação internacional e nos mercados globais".
Também na feira, pesquisadores da Universidade de Ciência e Tecnologia da China apresentaram o SocialSphere, um simulador baseado em inteligência artificial que reproduz interações em redes sociais e pode operar com até 10 milhões de agentes virtuais.
"Assim como os usuários reais de redes sociais, eles podem seguir uns aos outros, comentar em publicações e compartilhar informações", explicou à Xinhua, Liu Xinchen, pesquisador da universidade.
"Imagine que você está prestes a lançar um novo produto. Você poderia, primeiramente, apresentá-lo a essa sociedade virtual e observar como a informação se propaga e quais grupos ela alcança", explicou ele.
Liu disse que a China obteve avanços notáveis nos últimos anos no uso de grandes modelos de linguagem e agentes de IA para simulação social, destacando que o SocialSphere despertou o interesse de visitantes estrangeiros na feira.
"Por meio de eventos internacionais, como a feira de invenções de Nuremberg, esperamos apresentar ideias e inovações chinesas a um público mais amplo e mostrar mais de perto o trabalho desenvolvido pela China em tecnologias de ponta", disse ele.

