Beijing, 6 nov (Xinhua) -- A China já construiu mais de 54 mil projetos de conservação de água na Bacia do Rio Amarelo nos últimos 80 anos, como parte dos esforços para melhorar a infraestrutura de conservação de água e desenvolver e usar recursos hídricos e hidrelétricos cientificamente, de acordo com uma entrevista coletiva nesta sexta-feira.
O rio Amarelo manteve um fluxo contínuo por 27 anos consecutivos, e a qualidade da água de seu curso principal permaneceu no padrão Classe II por quase quatro anos, revelou a coletiva de imprensa realizada pelo Departamento de Comunicação do Conselho de Estado sobre 80 anos de governança do rio Amarelo.
A taxa de conformidade para fluxos ecológicos em rios e lagos-chave na Bacia do Rio Amarelo ultrapassou 90%, observou a coletiva de imprensa.
A China classifica a qualidade da água superficial em cinco graus, sendo a Classe I a melhor. Fluxos ecológicos referem-se a fluxos de água que sustentam populações, comunidades e ecossistemas, entre outras funções.
Wang Bao'en, vice-ministro dos Recursos Hídricos, disse que, ao longo das últimas oito décadas, a China basicamente estabeleceu um sistema de engenharia de controle de enchentes, um sistema de monitoramento e previsão para as condições de chuva, água e sedimentos, e um sistema funcional para prevenção de desastres de enchentes e secas, ajudando a manter o rio Amarelo seguro ano após ano.
Com apenas 2% dos recursos hídricos totais do país, o rio Amarelo atende à demanda de água de 12% da população chinesa e 17% de suas terras aráveis, além de sustentar 14% do produto interno bruto nacional, disse Wang.
O controle abrangente e em larga escala da erosão do solo no Planalto Loess transformou gradualmente a cor dominante da terra do planalto de amarelo para verde, melhorou a produção local e as condições de vida, gerou benefícios econômicos totalizando 2,43 trilhões de yuans (US$ 361,78 bilhões) e ajudou a tirar mais de 2,5 milhões de pessoas lá da pobreza, acrescentou Wang.
Chen Dongming, diretor da Comissão de Conservação do Rio Amarelo, disse que, nos mais de 2.540 anos desde o período pré-Dinastia Qin até a fundação da República Popular da China em 1949, o rio Amarelo sofreu 1.593 rupturas de diques e 26 grandes mudanças de curso.
Nos últimos 80 anos, diques nos cursos inferiores foram elevados e reforçados quatro vezes, e o comprimento total dos diques ao longo do curso principal do rio Amarelo atingiu 3 mil km.
Mais de 10 mil estações de monitoramento, incluindo estações hidrológicas, de nível de água e de chuva, foram construídas, e um comando nacional para controle de enchentes e alívio de seca no rio Amarelo foi estabelecido. Juntos, eles formam um sistema integrado, moderno e sistemático de prevenção e mitigação de desastres que combina implementação de responsabilidade, suporte à decisão e comando de despacho, observou Chen.
Chen acrescentou que, nos últimos 80 anos, o rio resistiu a 12 grandes enchentes, com picos de vazão superiores a 10 mil metros cúbicos por segundo na estação de Huayuankou, no curso inferior do rio, enquanto os diques em ambas as margens permaneceram intactos.
Esses esforços encerraram a história de frequentes rupturas e mudanças de curso do rio Amarelo, disse Chen.
Yao Wenguang, funcionário de prevenção de desastres do Ministério dos Recursos Hídricos, disse que o programa para regulação de sedimentos de água implementado desde 2002 marca uma mudança importante na governança do rio Amarelo, passando da prevenção passiva de desastres para a modelação proativa, e das abordagens tradicionais para as modernas.
A Lei de Proteção do Rio Amarelo, que entrou em vigor em 1º de abril de 2023, oferece uma forte garantia legal para a proteção e governança do rio, acrescentou Yao.
O rio Amarelo, o segundo rio mais longo da China depois do Yangtzé, é apelidado de "rio-mãe".

