Dilema após as eleições de meio de mandato -- Trump ordenará novos ataques contra o Irã?-Xinhua

Dilema após as eleições de meio de mandato -- Trump ordenará novos ataques contra o Irã?

2026-11-06 12:28:41丨portuguese.xinhuanet.com

Foto tirada em 3 de novembro de 2026 mostra o Capitólio dos EUA em Washington, D.C., nos Estados Unidos. (Xinhua/Li Rui)

Washington, 4 nov (Xinhua) -- Enquanto os americanos votavam nesta terça-feira, uma decisão muito mais grave pairava sobre Washington: o presidente Trump ordenaria novos ataques militares contra o Irã ou recorreria à pressão econômica e à diplomacia para superar o impasse?

Trump pode ter interrompido os preparativos para a guerra em favor das negociações, mas o rastilho do conflito continua aceso. Com a ação militar ainda firmemente sobre a mesa, a pressão crescente de Israel por novos ataques e seus próprios assessores divididos quanto à estratégia, Washington encontra-se em uma situação extremamente delicada.

OPÇÃO MILITAR MANTIDA

Em entrevista ao jornal britânico Financial Times na terça-feira, Trump disse que os Estados Unidos não têm planos imediatos de atacar o Irã, sugerindo estar satisfeito com o estágio atual do confronto. "Parece que estamos conseguindo tudo o que queremos", disse ele, descrevendo a situação como "brilhante".

Questionado sobre as insinuações do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, a respeito de um possível ataque ainda esta semana, Trump declarou: "Estou pronto, nós estamos prontos. Estamos totalmente preparados caso seja necessário agir, mas talvez não haja motivo para isso".

Ele confirmou a existência de negociações indiretas com o Irã, focadas no estoque de urânio enriquecido do país, uma preocupação central de segurança para Washington, embora a estratégia diplomática mais ampla ainda permaneça incerta.

Na segunda-feira, Trump disse que "não tem pressa" para decidir se retomará a ação militar contra o Irã. "De uma forma ou de outra, faremos algo, mas não há pressa. Nós os debilitamos financeiramente", disse ele em entrevista por telefone ao portal americano Axios.

As eleições de meio de mandato nos EUA eram amplamente vistas como um divisor de águas para a decisão de Trump sobre lançar ou não uma grande campanha de bombardeios contra o Irã, informou o Axios na segunda-feira. O veículo acrescentou que o presidente parecia estar seguindo duas frentes simultaneamente: permitindo a continuidade dos esforços diplomáticos, ao mesmo tempo em que se preparava para retomar ações militares, caso concluísse que um acordo seria inalcançável.

Eleitores preenchem suas cédulas em um local de votação em Arlington, na Virgínia, nos Estados Unidos, em 3 de novembro de 2026. (Xinhua/Li Rui)

Apesar de suas declarações mais recentes, operações militares limitadas dos EUA contra o Irã continuaram ocorrendo.

O jornal americano The Wall Street Journal informou, na segunda-feira, que forças americanas atacaram alvos na ilha iraniana de Qeshm, no Estreito de Ormuz. Os ataques fizeram parte de "uma série de investidas limitadas que Washington realizou secretamente contra o país nas últimas semanas, enquanto o presidente Trump destacava a possibilidade de um acordo diplomático", informou o jornal.

Segundo o relato, autoridades americanas descreveram os ataques mais recentes como medidas defensivas, destinadas a proteger ativos militares dos EUA no Oriente Médio contra ameaças iranianas, e não como uma retomada de operações de combate em larga escala.

DIVERGÊNCIAS SOBRE OS PRÓXIMOS PASSOS

Israel tem pressionado Washington a retomar as operações militares contra o Irã, argumentando que é improvável que os esforços diplomáticos resultem em um acordo confiável.

Em um telefonema com Netanyahu no sábado, Trump disse que desejava dar mais tempo para que os esforços diplomáticos em curso pudessem ter sucesso. Netanyahu, contudo, defendeu a realização de ataques logo após as eleições de meio de mandato nos EUA. As forças armadas israelenses, por sua vez, prepararam planos de ataque e permaneceram em estado de alerta máximo, segundo o The Wall Street Journal.

Netanyahu e o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, defendem a retomada das operações militares. Eles argumentam que não é possível confiar no Irã para chegar a um acordo, muito menos para cumpri-lo, e que os Estados Unidos deveriam concluir a tarefa por meios militares, informou o Axios.

Foto tirada em 20 de junho de 2026 mostra o Estreito de Ormuz, próximo a Khasab, uma pequena cidade no norte de Omã. (Xinhua/Wen Xinnian)

A pressão de Israel por novos ataques ocorre em meio a divergências dentro da administração Trump sobre como proceder. Segundo o Axios, Trump tem avaliado três possíveis cursos de ação: alcançar um acordo diplomático, retomar a ação militar ou manter a pressão econômica máxima, sem um novo acordo nem a retomada das hostilidades.

O vice-presidente dos EUA, JD Vance, e o enviado da Casa Branca, Steve Witkoff, estão instando Trump a buscar uma solução diplomática, argumentando que a retomada das hostilidades não necessariamente melhoraria o cenário.

Por outro lado, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, o diretor da CIA, John Ratcliffe, e o secretário de Estado, Marco Rubio, aconselham Trump a manter o atual status quo, de "nem guerra, nem acordo", e permitir que a campanha de pressão econômica continue, informou o Axios.

Essas posições conflitantes evidenciam os desafios enfrentados por Trump, que precisa lidar com a pressão de Israel e, ao mesmo tempo, equilibrar visões divergentes dentro de sua própria administração sobre como garantir os objetivos dos EUA, evitando, simultaneamente, os custos e riscos de uma nova grande campanha militar.

Embora Washington e Tel Aviv permaneçam alinhados em sua oposição às ambições nucleares do Irã, alegação que o Irã nega, divergências quanto ao momento e ao alcance de uma eventual ação militar podem complicar a coordenação entre os dois aliados.

MEDIAÇÃO EM CURSO E RUPTURAS PERSISTENTES

Países da região intensificaram os esforços diplomáticos para evitar uma nova escalada. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, Majed Al Ansari, disse na terça-feira que Washington e Teerã estavam analisando propostas para encerrar o conflito, embora ainda existam divergências não resolvidas.

Uma delegação do Catar retornou de Teerã na segunda-feira à noite, após mais de três horas de conversas com autoridades iranianas. Segundo ele, o Catar tem transmitido propostas em coordenação com o Paquistão, os países do Conselho de Cooperação do Golfo e outros parceiros regionais e internacionais.

O presidente do Egito, Abdel Fattah El-Sisi, também instou os Estados Unidos e o Irã a demonstrarem a máxima flexibilidade e buscarem uma solução política, prometendo que o Egito continuará seus esforços para reduzir as tensões.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, participa de uma coletiva de imprensa semanal em Teerã, Irã, em 2 de novembro de 2026. (Xinhua/Shadati)

O Irã, contudo, reiterou suas condições para encerrar as hostilidades e reabrir o Estreito de Ormuz. Mohsen Rezaei, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, declarou na terça-feira que a resposta dos EUA às exigências iranianas não foi convincente e que Washington precisa responder explicitamente às sete condições estabelecidas por Teerã e tomar medidas concretas a respeito.

Em 22 de setembro, o Irã havia apresentado uma proposta aos Estados Unidos, por meio de mediadores, oferecendo-se para encerrar as hostilidades e reabrir o Estreito de Ormuz no prazo de sete dias, caso suas condições fossem atendidas. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, disse na segunda-feira que Teerã reduziu esse prazo de implementação para dois dias, como um gesto de boa vontade.

Embora Trump possa estar evitando, por ora, o lançamento de novos ataques em larga escala, a paz permanece por um fio. Com a continuidade das escaramuças, a exigência de Israel por uma ação imediata e o impasse nas negociações em torno de linhas vermelhas, a ameaça de uma guerra em grande escala está longe de desaparecer.

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