
Foto tirada por drone em 25 de agosto de 2026 mostra balões de ar quente sobrevoando Pamukkale, em Denizli, na Turquia. (Mustafa Kaya/Divulgação via Xinhua)
Istambul, 31 out (Xinhua) -- Um aumento no número de viajantes chineses independentes, que não precisam de visto, está transformando o setor de turismo da Turquia, impulsionando as viagens durante a baixa temporada e beneficiando as economias locais, segundo especialistas do setor.
A política de isenção de visto para cidadãos chineses, que entrou em vigor em 2 de janeiro, tornou a China o mercado de origem dos turistas que mais cresceu na Turquia no primeiro semestre de 2026, informou a Agência de Promoção e Desenvolvimento do Turismo da Turquia (TGA) à Xinhua em uma entrevista por escrito.
Após um crescimento expressivo de 28,05% em relação ao ano anterior nos primeiros seis meses, o total de chegadas de chineses atingiu 363.562 entre janeiro e agosto, relatou a agência.

Foto tirada em 13 de agosto de 2026 mostra a chuva de meteoros Perseidas em Konya, na região central da Turquia. (Mustafa Kaya/Divulgação via Xinhua)
Irfan Karsli, proprietário da agência de turismo Ligarba e presidente da Associação Cultural Turco-chinesa, observou que esse impulso, intensificado ainda mais por um aumento significativo de visitantes durante o feriado do Dia Nacional da China, em outubro, deve-se, em grande parte, ao rápido crescimento do número de viajantes independentes.
"São pessoas jovens, que falam idiomas estrangeiros, pegam suas mochilas, voam diretamente para a Turquia e decidem quais lugares visitar durante a própria viagem", disse Karsli à Xinhua em uma entrevista recente.
Como esses viajantes não estão presos a roteiros rígidos de excursões em grupo, suas visitas alinham-se perfeitamente ao objetivo estratégico da Turquia de distribuir o turismo ao longo de todos os 12 meses do ano, acrescentou ele.
Karsli ressaltou que os períodos de pico de viagens na China, como o feriado do Dia Nacional, no início de outubro, e a próxima Festa da Primavera, em fevereiro, coincidem exatamente com a baixa temporada tradicional de outono e inverno na Turquia. "Esse fluxo preenche a lacuna econômica que surge quando a onda de turistas domésticos e europeus, típica do verão, diminui", disse ele.
A TGA tem promovido ativamente destinos turísticos turcos junto ao público chinês, apresentando o país como uma opção viável durante todo o ano. Por exemplo, para atrair mais visitantes na baixa temporada, a agência firmou recentemente uma parceria com a Turkish Airlines para levar influenciadores chineses a roteiros personalizados pelas províncias de Trabzon, Rize e Artvin. A iniciativa destacou a colheita tradicional de chá e o estilo de vida nas regiões montanhosas, alcançando milhões de seguidores em plataformas chinesas como Xiaohongshu (RedNote) e Weibo.
O número crescente de viajantes independentes tem impulsionado a economia local. "Embora essa tendência represente uma perda para as agências de viagens, ela beneficia os hotéis e os comerciantes locais", disse à Xinhua Nalan Yesilyurt, proprietária da DemCo Travel Organizations. Ela observou que, ao planejarem seus próprios roteiros e buscarem a gastronomia local, esses viajantes contribuem diretamente para a economia da região.

Turistas visitam o sítio arqueológico de Göbeklitepe, na província de Şanlıurfa, na Turquia, em 28 de janeiro de 2026. Com a implementação da isenção de visto para cidadãos chineses, autoridades de turismo da província de Şanlıurfa, no sudeste do país, esperam atrair mais visitantes da China para seus importantes sítios arqueológicos e monumentos históricos e culturais. (Mustafa Kaya/Divulgação via Xinhua)
Para a viajante independente chinesa Xia Wenjie, 29 anos, a política de isenção de visto e as recomendações encontradas no RedNote foram os principais motivos que a levaram a explorar a Turquia por conta própria.
"Experimentamos a comida de rua local e exploramos lojas independentes", contou Xia à Xinhua. As refeições em restaurantes de rua frequentemente custavam mais de 100 yuans (cerca de 14 dólares americanos) por pessoa, chegando a 300 yuans em locais como o centro histórico de Antalya, na costa do Mediterrâneo.
A economia do turismo do país também apresenta uma tendência mais ampla de crescimento. Na sexta-feira, o ministro da Cultura e Turismo, Mehmet Nuri Ersoy, anunciou em Istambul que a receita total do turismo na Turquia atingiu 51,28 bilhões de dólares nos primeiros nove meses do ano, enquanto o gasto médio diário por visitante aumentou 4,6%, chegando a 107,7 dólares.
Ersoy enfatizou que a estratégia central do governo é distribuir a demanda turística por todas as 81 províncias e ao longo de todo o ano. "Queremos que nossos visitantes conheçam mais cidades, permaneçam por mais tempo e vivenciem a diversidade de ofertas do nosso país", disse ele.

Visitantes observam exposições de porcelana chinesa no recém-inaugurado Museu de Porcelana, localizado no Palácio de Topkapi, em Istambul, na Turquia, em 25 de outubro de 2026. (Xinhua/Liu Lei)
A TGA destacou que está trabalhando ativamente para diversificar as rotas, atraindo viajantes para atrações históricas no sudeste da Anatólia, como o sítio arqueológico de Göbeklitepe e as estátuas colossais do Monte Nemrut.
A cidade de Konya, na região central, que abriga o Museu Mevlana, dedicado ao místico e filósofo sufi do século 13, Jalaluddin Rumi, é outra grande atração, devido às semelhanças entre os ensinamentos de Rumi e o confucionismo.
Olhando para o futuro, Yesilyurt ressaltou que, à medida que esse novo segmento cresce, a estratégia da Turquia para o mercado chinês deve priorizar serviços de alta qualidade e experiências autênticas, em vez de apenas o volume de visitantes.

