Beijing, 2 nov (Xinhua) -- A China está promovendo uma transformação sem precedentes de sua infraestrutura elétrica nacional, com as duas principais operadoras de redes elétricas do país divulgando planos de investimento maciços e coordenados para construir uma rede elétrica altamente resiliente, inteligente e verde durante o período do 15º Plano Quinquenal (2026-2030).
Em junho de 2026, o país divulgou seu primeiro plano quinquenal para a construção de um novo sistema energético, com o objetivo de estabelecer inicialmente uma arquitetura energética limpa, de baixo carbono, segura e eficiente até 2030, alinhado às metas nacionais de pico de emissões de dióxido de carbono antes de 2030 e neutralidade de carbono antes de 2060.
INVESTIMENTOS RECORDES CONSOLIDAM BASE DAS REDES ELÉTRICAS
Espera-se que os gastos de capital combinados da State Grid Corporation of China e da China Southern Power Grid (CSG) atinjam um recorde de cerca de 5 trilhões de yuans (US$ 747 bilhões) nos próximos cinco anos, visando eliminar gargalos na integração de energias renováveis, impulsionar o país rumo às suas metas de pico de emissões de carbono e acelerar a modernização industrial.
Dados do primeiro semestre de 2026 mostram que a capacidade instalada de geração de eletricidade do país ultrapassou 4 bilhões de quilowatts, com crescimento anual de 10,8%, mantendo a liderança mundial. A energia não fóssil responde por 62% da capacidade instalada total. Pela primeira vez, a geração a carvão ficou abaixo de 50% na produção elétrica total, enquanto as fontes renováveis ultrapassaram 40%, marcando a passagem da energia eólica e solar de papéis coadjuvantes a protagonistas na estrutura energética.
A Administração Nacional de Energia (ANE) apontou que, durante o período do 15º Plano Quinquenal (2026-2030), a demanda por energia elétrica na China deverá crescer a uma taxa média anual de cerca de 5%, e a demanda por eletricidade verde de alta qualidade por parte de indústrias de ponta crescerá de forma constante, impondo exigências mais elevadas à construção de redes elétricas de novo tipo. As redes elétricas de novo tipo fazem parte de uma iniciativa chamada "Seis Redes", que visa impulsionar a demanda interna e apoiar o crescimento econômico estável, abrangendo também redes de água, redes de computação, redes de comunicação de última geração, redes de dutos subterrâneos urbanos e redes de logística.
A CSG, que atende aos centros industriais no sul do país, incluindo as províncias de Guangdong, Yunnan e Hainan, divulgou recentemente um roteiro abrangente detalhando sua nova estratégia para o sistema elétrico no âmbito do 15º Plano Quinquenal. A empresa planeja adicionar 230 milhões de quilowatts de capacidade de energia renovável, elevando seu total para 500 milhões de kW até 2030. Para gerenciar esse influxo volátil de energia verde, a operadora disponibilizará simultaneamente 88 milhões de kW de energia de apoio e mais de 6 milhões de kW provenientes de equipamentos de estabilização da rede.
Até 2030, a energia não fóssil deverá representar 64% da geração elétrica total da rede do sul, com a capacidade de novas energias constituindo 50% do total. Somente em 2026, a CSG investirá pelo menos 50,6 bilhões de yuans em atualizações de equipamentos e na transformação digital e inteligente da rede.
Conforme os planos de investimento das duas gigantes do setor de energia, a rede elétrica atualizada será projetada para acomodar 900 milhões de kW de energia renovável distribuída.
EXPANSÃO DE VEÍCULOS ELÉTRICOS IMPULSIONA MODERNIZAÇÃO DA REDE
Um dos principais motores da demanda por atualização da rede elétrica é o boom dos veículos de nova energia (NEVs), segmento definido como principal direção da transformação da indústria automotiva chinesa no plano divulgado no início de setembro pelo Ministério da Indústria e Informatização e outros oito departamentos, no âmbito do 15º Plano Quinquenal.
Em 2025, a produção e as vendas de automóveis totais da China alcançaram, respectivamente, 34,53 milhões e 34,4 milhões de unidades, com altas de 10,4% e 9,4% na comparação anual. Desse total, a produção e as vendas de NEVs chegaram a quase 16,63 milhões e 16,49 milhões de unidades, respectivamente, mantendo a liderança mundial por 11 anos consecutivos.
Segundo a Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis, nos primeiros oito meses de 2026, o setor manteve o ritmo de crescimento - a produção e as vendas de veículos de nova energia ultrapassaram 10,6 milhões de unidades, com alta anual superior a 10%, representando 52,4% de todas as vendas de veículos novos no país. Para suportar essa expansão, haverá uma expansão maciça da infraestrutura nacional de recarga. Os planos preveem capacidade para suportar mais de 40 milhões de pontos de recarga até 2030, formando uma capacidade de serviços de recarga capaz de atender a mais de 110 milhões de veículos elétricos.
IA SE TORNA NOVA DEMANDA POR ENERGIA ELÉTRICA
Além das energias renováveis e dos veículos elétricos, o crescimento acelerado da computação baseada em inteligência artificial (IA) surge como uma nova carga de alta qualidade que exige modernização das camadas mais externas da rede elétrica.
De acordo com as previsões da Agência Internacional de Energia (AIE), espera-se que as cargas globais de tecnologia da informação tenham um aumento acumulado de 106 gigawatts entre 2025 e 2030. Para garantir um fornecimento de energia estável e eficiente para os centros de dados de IA, que consomem muita energia, os sistemas de distribuição tornaram-se um componente crítico, representando agora aproximadamente 10% do total dos investimentos em centros de dados, apontou a AIE.
Dados mostram que cerca de 60,6% das 500 maiores empresas privadas do país já formularam planos estratégicos para a transformação digital e aplicações de IA, enquanto 83,4% avançam em sua transição verde e de baixo carbono por meio de medidas como a adoção de tecnologias e equipamentos verdes e de baixo carbono, a realização de contabilização de emissões de carbono e a implementação de atualizações verdes e inteligentes.
Para atender à demanda energética da IA, a China promove o desenvolvimento coordenado entre redes elétricas e centros de computação. A China precisa fortalecer a coordenação e a integração entre grandes parques eólicos e os centros de computação, transformando a energia elétrica verde em capacidade de computação verde. Microrredes inteligentes e geração distribuída suportam centros de dados de baixa latência. Ao mesmo tempo, a própria tecnologia de IA é aplicada na gestão inteligente de redes, elevando a eficiência operacional e a capacidade de integração de energias verdes.
Essa sinergia entre redes inteligentes, IA e transição verde já se reflete em indicadores nacionais de eficiência. Cálculos preliminares mostram que o consumo de energia cresceu 2,7% no primeiro semestre de 2026, com taxa de crescimento desacelerada em 1,2 ponto percentual em relação ao primeiro trimestre. Na matriz de consumo energético total, a participação do petróleo caiu um ponto percentual, enquanto a da energia limpa subiu um ponto percentual.

