
Wang Wei (centro), especialista em urologia da 36ª equipe médica chinesa em Zanzibar, posa para uma foto com um médico local e uma paciente após uma cirurgia bem-sucedida de reconstrução ureteral minimamente invasiva, realizada no Hospital Lumumba, em Zanzibar, Tanzânia, em 27 de outubro de 2026. (36ª equipe médica chinesa em Zanzibar/Divulgação via Xinhua)
Dar es Salã, 30 out (Xinhua) -- "Sinto como se tivesse ganhado uma nova vida", disse Leila Salum Kanyinyi, 38 anos, mãe de três filhos e natural de Zanzibar, na Tanzânia.
Ela contou à Xinhua que o alívio que sente veio após médicos chineses realizarem uma operação complexa que pôs fim a um ano de dores debilitantes.
Durante meses, dores persistentes na região lombar e no abdômen tornaram difíceis até as atividades diárias mais simples. Nos momentos de maior intensidade, Kanyinyi, que trabalha com a venda de alimentos em Meli Nne, no Distrito Urbano, na Região Oeste Urbana, na ilha de Unguja, passava a maior parte do tempo deitada, com dificuldades para cuidar de seus três filhos: dois meninos e uma menina.
"Senti dores na parte inferior direita das costas durante um ano inteiro. Quando a dor ficava muito forte, eu não tinha forças nem para cuidar dos meus filhos", relembrou ela.
Seu quadro clínico piorou gradualmente, deixando-a fisicamente exausta e comprometendo sua capacidade de sustentar a família. Após buscar atendimento médico, ela foi encaminhada ao Hospital Lumumba, unidade vinculada ao Hospital Mnazi Mmoja, em Zanzibar, onde os médicos diagnosticaram inicialmente um estreitamento no ureter direito, o tubo que conduz a urina do rim à bexiga.
Uma avaliação mais detalhada durante o procedimento revelou um longo segmento de estreitamento na parte inferior do ureter, tornando o caso mais complexo do que se esperava inicialmente.
Diante desse caso desafiador, a equipe médica local buscou auxílio junto à 36ª equipe médica chinesa em Zanzibar.
Wang Wei, líder da 36ª equipe médica chinesa em Zanzibar e especialista em urologia, analisou o caso e elaborou um plano cirúrgico para a complexa reconstrução. Utilizando equipamentos laparoscópicos doados pela China, ele realizou um procedimento minimamente invasivo, a ureteroneocistostomia com retalho de Boari por via laparoscópica, que consiste no uso de tecido da própria bexiga para reconstruir a parte danificada do ureter.
O procedimento ofereceu uma alternativa à cirurgia aberta convencional, que pode envolver maior trauma cirúrgico e um período de recuperação mais prolongado.
Além de tratar a paciente, Wang aproveitou a cirurgia para treinar os médicos locais, explicando a anatomia cirúrgica, as técnicas operatórias e as medidas para prevenir e controlar complicações.
Gideon Safiel Mwasakyalo, médico do Hospital Lumumba, disse que a cirurgia proporcionou aos profissionais de saúde locais contato com técnicas cirúrgicas avançadas e valiosa experiência prática no tratamento de estenoses ureterais.
Segundo ele, o conhecimento adquirido contribuirá para ampliar a capacidade do hospital de tratar casos semelhantes na região.
A operação representa um passo importante no fortalecimento da urologia reconstrutiva no hospital, evidenciando, ao mesmo tempo, o papel duplo da equipe médica chinesa: oferecer tratamento especializado e transmitir conhecimentos médicos aos profissionais de saúde locais.
Para Kanyinyi, contudo, o benefício mais imediato é a retomada da esperança, após um ano em que a doença afetou profundamente sua vida familiar.
Ela expressou gratidão aos médicos chineses pelo tratamento, destacando que recebeu atendimento médico de primeira qualidade, apesar de seus recursos financeiros limitados.
"Agradeço aos médicos chineses. Eles salvaram a minha vida", disse ela, manifestando também seu reconhecimento ao presidente de Zanzibar, Hussein Ali Mwinyi, e à presidente da Tanzânia, Samia Suluhu Hassan, por facilitarem o envio de equipes médicas chinesas a Zanzibar e à Tanzânia continental.
Kanyinyi segue em recuperação no hospital, onde seu quadro clínico está evoluindo bem e a dor intensa que sentiu durante um ano desapareceu. A expectativa é que ela receba alta em breve e possa retornar para casa, junto aos seus filhos.
Sua recuperação também reflete uma dimensão mais ampla da cooperação em saúde entre a China e a Tanzânia, que combina serviços médicos especializados para pacientes necessitados com treinamento prático voltado ao fortalecimento da capacidade local de assistência à saúde.
Para uma mãe que antes tinha dificuldade até mesmo para sair da cama e cuidar dos filhos, a perspectiva de voltar para casa sem a dor que dominava sua vida representa um novo começo muito bem-vindo.

