
Foto tirada em 23 de maio de 2025 mostra bandeiras da União Europeia na sede da Comissão Europeia, em Bruxelas, na Bélgica. (Xinhua/Zhao Dingzhe)
A declaração conjunta estabelece a cúpula UE-Canadá 2027 como o prazo para definir essa associação mais estreita.
Bruxelas, 30 out (Xinhua) -- A União Europeia (UE) e o Canadá anunciaram, na sexta-feira, a "Aliança para o Futuro" e optaram pelo termo "associação cada vez mais estreita", em vez de utilizar a designação "membro associado", na declaração conjunta da cúpula.
Reunidos em Montreal, no leste do Canadá, os dois lados se comprometeram a definir essa relação mais próxima, que não chega a constituir uma adesão plena à UE, até a cúpula de 2027.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, contudo, continuou defendendo a ideia de uma "associação", dizendo, após a cúpula, que a proposta havia sido um dos principais pontos de discussão.
O QUE SERIA UM "MEMBRO ASSOCIADO"?
O status proposto permanece indefinido. Em sua declaração após a cúpula, von der Leyen descreveu a ideia como uma "associação sem adesão". Ela explicou que os tratados da UE impedem que um país de fora da Europa se torne membro, mas vislumbrou uma parceria mais próxima da adesão plena do que qualquer modelo de cooperação anterior.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, participa de uma coletiva de imprensa após uma cúpula de emergência realizada em Bruxelas, na Bélgica, em 23 de janeiro de 2026. (UE/Divulgação via Xinhua)
A declaração conjunta não estabelece nenhuma nova categoria de membro. Ela prevê uma interação política mais estreita por meio de cúpulas, encontros ministeriais e comitês de cooperação, deixando, ao mesmo tempo, o conceito mais amplo para negociações futuras.
"Trabalharemos para definir o conceito de uma associação cada vez mais estreita do Canadá com a UE, sem chegar a uma adesão plena, a fim de refletir, por meio dessa relação ainda mais próxima, nosso esforço conjunto e nossa cooperação em prol de objetivos compartilhados de prosperidade, segurança econômica e autonomia estratégica", afirma a declaração conjunta.
O QUE O CANADÁ GANHARIA E COM O QUE CONTRIBUIRIA?
Von der Leyen mencionou consultas políticas mais estreitas, uma cooperação ampliada em pesquisa e uma participação mais ampla do Canadá nos programas da UE.
A declaração conjunta anunciou a conclusão de negociações substantivas sobre um Acordo de Comércio Digital e saudou a participação do Canadá na Empresa Comum Europeia para a Computação de Alto Desempenho. As negociações também buscarão ampliar a participação canadense no Erasmus+, o programa da UE voltado para a educação e a juventude.
Segundo o gabinete do primeiro-ministro canadense, o Canadá pretende participar do empréstimo de apoio à Ucrânia, no valor de 90 bilhões de euros (100 bilhões de dólares americanos), concedido pela UE.
POR QUE ALGUNS PAÍSES DA UE QUESTIONARAM A TERMINOLOGIA?
Antes da cúpula, a Alemanha, a França, a Itália e a Grécia manifestaram objeções à menção de "membro associado" na minuta da declaração, conforme noticiado pelo portal POLITICO.
Em um briefing governamental realizado em setembro, o porta-voz alemão Stefan Kornelius expressou apoio a uma parceria particularmente estreita e a novos modelos de cooperação, mas ressaltou que a designação proposta de "membro associado" deveria ser revista.
Analistas observaram que os governos temiam que essa designação pudesse complicar as relações com a Ucrânia, que busca a adesão plena ao bloco, e com a Noruega e a Suíça, que já mantêm acordos especiais com a UE.
Em uma coletiva de imprensa na quinta-feira, a Comissão Europeia reconheceu que os Estados-membros estavam debatendo a redação do documento. A declaração final deixou de lado o termo "membro associado", mantendo, contudo, uma ampla agenda de cooperação.

Foto tirada em 23 de maio de 2025 mostra bandeiras da União Europeia na sede da Comissão Europeia, em Bruxelas, na Bélgica. (Xinhua/Zhao Dingzhe)
POR QUE AS DUAS PARTES ESTÃO SE APROXIMANDO AGORA?
A declaração conjunta aponta tensões geopolíticas, fragmentação econômica, mudanças climáticas e transformação tecnológica como razões para o aprofundamento da relação. Analistas descreveram a cúpula como parte dos esforços de ambas as partes para reduzir sua dependência dos Estados Unidos e buscar novas alianças em meio a tensões internacionais.
A declaração conjunta também expressou descontentamento com as sanções dos Estados Unidos contra o Tribunal Penal Internacional, evidenciando que os dois lados compartilham divergências em relação a Washington.
Von der Leyen argumentou que uma atuação conjunta fortaleceria a capacidade de ambas as partes de responder a um mundo em transformação, ressaltando, contudo, que a parceria não é dirigida contra nenhum outro país.
O QUE VEM A SEGUIR?
A declaração conjunta estabelece a cúpula UE-Canadá 2027 como o marco para definir uma associação mais estreita.
Von der Leyen também anunciou uma reunião entre o governo canadense e todos os integrantes da Comissão Europeia, prevista para a primavera.
Paralelamente, as duas partes darão continuidade às negociações sobre uma participação mais ampla no programa Erasmus+ e sobre um mecanismo que permita ao Canadá ter acesso aos serviços do sistema Galileo, além de debaterem questões relacionadas à mobilidade e às qualificações profissionais.
Esses processos determinarão como os compromissos políticos firmados na cúpula se traduzirão, na prática, em responsabilidades de acesso e oportunidades para cidadãos e empresas.

