Rio de Janeiro, 1º nov (Xinhua) -- "Como os dois países mais influentes do Sul Global, o Brasil e a China devem fortalecer a cooperação entre seus meios de comunicação para disseminar notícias do Sul Global e amplificar a voz do Sul", afirmou Marcos Oliveira, editor-chefe do jornal brasileiro Monitor Mercantil.
"Atualmente, uma das formas da mídia tradicional estigmatizar o Sul Global é com uma certa invisibilidade. Acontecimentos simplesmente são ignorados. Veja o exemplo da cobertura diária do conflito na Ucrânia em comparação com o esquecimento de conflitos na África", manifestou Oliveira.
Para o editor-chefe desse centenário jornal, outra forma enviesada do noticiário da mídia tradicional em relação ao Sul Global é tratar os acontecimentos de acordo com a régua da hegemonia da cultura ocidental, não respeitando as características e culturas de cada local.
Oliveira considerou que esse viés se manifesta também em matérias que reduzem a força econômica do Sul Global, apesar de estes países representarem a maior fatia no Produto Interno Bruto mundial com base na participação da paridade do poder de compra. Segundo ele, as notícias divulgadas por essa régua da hegemonia da cultura ocidental têm um forte viés pró-manutenção do sistema injusto.
Ao comentar as transformações em curso no setor de mídia, Oliveira afirmou que tem uma coexistência de desafios e oportunidades.
Oliveira primeiramente expressou que a utilização de modernas ferramentas tecnológicas será de grande importância para esse desenvolvimento. "A Inteligência Artificial pode ser empregada para disponibilizar traduções de artigos escritos, áudios e vídeos em diferentes línguas, de forma a que fiquem acessíveis rapidamente", disse.
Em seguida apresentou os desafios atuais sobre a regulamentação do uso de tecnologias para proteger as informações confiáveis e alcançar um ambiente democraticamente saudável e solidário. "Entretanto, os meios digitais, as redes sociais e o uso sem controle da inteligência artificial podem levar à desinformação e à circulação de notícias falsas. O domínio da informação por grandes empresas de tecnologia agrava essa ameaça à democracia, à autodeterminação e à solidariedade entre os povos", alertou.
"Por isso, é de grande importância o fortalecimento dos canais próprios e diretos entre os países do Sul Global", especificou.
Oliveira, que vai participar a 7ª Cúpula Mundial da Mídia, considera o fortalecimento das redes de notícias de países do Sul Global ser um fator importante para quebrar essa visão enviesada da mídia tradicional hegemônica.
Acrescentou que porém é preciso criar condições para que as matérias produzidas no Sul Global circulem entre os diversos países.
"Plataformas como a Cúpula Mundial da Mídia ajudam a aprofundar a cooperação entre as redes de comunicação nacionais e a reduzir a exclusão digital. É um importante fórum para troca de ideias, cooperação entre mídias e discussão do futuro da mídia do Sul Global. Junto com outras iniciativas, como a Rede de Notícias do Cinturão e Rota, o Fórum de Mídia e Think Tank do BRICS e o Fórum Hong Ting, contribui para fortalecer as relações entre os povos, a democracia e a paz", disse.
Por fim, Oliveira expressou a expectativa de que Brasil e China intensifiquem o intercâmbio de experiências entre seus meios de comunicação.
"Programas de treinamento e implementação de novas tecnologias também fortalecerão a mídia de ambos os países e, consequentemente, do Sul Global".

