
Cliente faz compras em uma feira de produtores no Queens, em Nova York, nos Estados Unidos, em 24 de outubro de 2026. (Foto de Ziyu Julian Zhu/Xinhua)
Por Ziyu Julian Zhu
Nova York, 28 out (Xinhua) -- À medida que as eleições de meio de mandato nos EUA se aproximam, o aumento do custo de vida pesa sobre os nova-iorquinos, moldando suas decisões de gastos diários e influenciando o que esperam ver por parte dos representantes eleitos.
Das despesas com compras de supermercado e moradia aos gastos com viagens e à manutenção de pequenos negócios, as pressões financeiras são sentidas em diversos setores da sociedade. Para muitos eleitores, as eleições de meio de mandato representam uma oportunidade de expressar suas preocupações e buscar mudanças.
"Os preços dos alimentos não param de subir", disse Sandra W., que preferiu não revelar seu nome completo.
"É preciso ser mais seletivo na hora de comprar carne. O preço de um bife hoje em dia, ou até mesmo de carne moída para hambúrguer, está muito mais alto. Então, se você acha que algo não é essencial, acaba optando por não comprar".
Na casa dos 70 anos, Sandra vive na cidade de Nova York há décadas. Além da alta nos preços dos alimentos, ela ressalta que a eleição também diz respeito a garantir que as escolhas dos eleitores sejam respeitadas. Ela espera que os representantes recém-eleitos consigam conter a onda de aumento dos preços.
O índice de preços ao consumidor nos EUA subiu 3,7% em setembro, na comparação anual. Os preços de alimentos, moradia e gasolina registraram aumentos de 2,5%, 3,2% e 34,2%, respectivamente, segundo o Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA.
Viajar também ficou mais caro, aumentando o fardo para os americanos que desejam visitar familiares ou tirar férias. As tarifas aéreas subiram 22,4% em setembro de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo o órgão oficial.
"Viajar de avião para qualquer lugar está muito caro. No entanto, atualmente, sai mais barato voar para a Europa do que para qualquer destino dentro dos Estados Unidos", disse Caleb Schaaf, que saía de um local de votação próximo à estação de metrô Court Square, no bairro do Queens.
Natural do Missouri e em busca de uma carreira como ator na cidade de Nova York, Schaaf teme que a alta das tarifas aéreas torne mais custoso viajar e visitar familiares.
Ele contou que gastou recentemente 1.500 dólares americanos em passagens aéreas para o sul da Califórnia, cerca de 500 dólares a mais do que esperaria pagar normalmente por uma viagem desse tipo. Com seu casamento marcado para abril de 2027, sua preocupação com os gastos de viagem se estende aos parentes que virão do Missouri.
Para as pequenas empresas, o aumento dos custos traz um outro desafio: despesas operacionais mais elevadas podem forçar os proprietários a elevar os preços, o que acaba sobrecarregando os consumidores.
Richard Nolasco ajuda a administrar o negócio agrícola de sua família, localizado a cerca de duas horas de carro da cidade de Nova York. Ele começa a trabalhar às 3 da manhã e, a cada semana, percorre entre oito e dez feiras de produtores, vendendo itens frescos diretamente aos consumidores urbanos.
Segundo Nolasco, as vendas nessas feiras representam cerca de 75% da receita da empresa familiar; o restante provém de entregas e outros canais de distribuição.
Apesar da demanda constante, a elevação dos custos com transporte, mão de obra e outras despesas operacionais tem tornado cada vez mais difícil manter o negócio em funcionamento. Só o combustível, diz ele, consome pelo menos 25% do orçamento total da propriedade, o que obrigou a família a aumentar os preços de alguns produtos.
"O item que teve o maior aumento foi o eucalipto: custava cerca de 15 dólares no ano passado, mas agora está 20", explicou Nolasco, acrescentando que a planta leva meses para crescer antes de poder ser comercializada.
"Essas abóboras custavam, originalmente, dois dólares a libra. Agora, custam três dólares a libra", acrescentou ele. Com os custos aumentando em todos os setores, Nolasco disse que ficou mais difícil manter o negócio.
Os custos com mão de obra também subiram, disse ele. A fazenda da família depende de trabalhadores sazonais. Alguns deles pediram salários mais altos este ano para acompanhar o aumento de seu próprio custo de vida, o que elevou as despesas operacionais da família.
Embora as preocupações econômicas sejam a prioridade para os eleitores, alguns nova-iorquinos também cobram ações em áreas como habitação acessível, direitos civis, imigração e política externa dos EUA.
Mario Wilson destacou que as tensões raciais são uma preocupação particular para ele, argumentando que o respeito mútuo e uma sociedade mais segura e inclusiva deveriam ser prioridades, ao lado das questões econômicas.
Wilson também expressou a esperança de que os futuros representantes eleitos demonstrem maior atenção às pessoas de diferentes origens raciais.
No estado de Nova York, o período de votação antecipada ocorre de 24 de outubro a 1º de novembro, permitindo que os eleitores votem antes do dia oficial da eleição, 3 de novembro.
Em todos os Estados Unidos, 47 estados e Washington, D.C., permitem a votação antecipada presencial, embora os prazos e procedimentos variem conforme a jurisdição, segundo a Conferência Nacional de Legislaturas Estaduais.
À medida que as eleições de meio de mandato se aproximam, resta saber se elas trarão melhorias significativas para a vida das pessoas.

Um eleitor vota em um local de votação no Queens, em Nova York, nos Estados Unidos, em 24 de outubro de 2026. (Foto de Ziyu Julian Zhu/Xinhua)

Um voluntário confere uma cédula eleitoral em um local de votação no Queens, em Nova York, nos Estados Unidos, em 24 de outubro de 2026. (Foto de Ziyu Julian Zhu/Xinhua)

Uma etiqueta de preço é vista em uma feira de produtores no Queens, em Nova York, nos Estados Unidos, em 24 de outubro de 2026. (Foto de Ziyu Julian Zhu/Xinhua)

Um eleitor vota em um local de votação no Queens, em Nova York, nos Estados Unidos, em 24 de outubro de 2026. (Foto de Ziyu Julian Zhu/Xinhua)

