Curadora australiana celebra repatriação de relíquias culturais chinesas-Xinhua

Curadora australiana celebra repatriação de relíquias culturais chinesas

2026-10-31 11:05:43丨portuguese.xinhuanet.com

Carol Cains, curadora sênior da Galeria Nacional da Austrália (NGA, na sigla em inglês), concede entrevista à Xinhua em Camberra, na Austrália, em 28 de outubro de 2026. (Foto de Chu Chen/Xinhua)

Camberra, 29 out (Xinhua) -- "Uma parte de mim ficará triste ao vê-las partir, mas a maior parte de mim está muito feliz por elas estarem voltando para casa", disse Carol Cains, curadora sênior da Galeria Nacional da Austrália (NGA, na sigla em inglês), na quarta-feira, se referindo às duas relíquias culturais chinesas devolvidas pela Austrália à China.

Na quarta-feira, em Camberra, a NGA entregou à Administração Nacional do Patrimônio Cultural (NCHA, a sigla em inglês) da China as cabeças de duas estátuas: uma representando um oficial militar e a outra, um oficial civil. Ambas as relíquias datam da Dinastia Song do Norte (960–1127).

Foto tirada em 28 de outubro de 2026 mostra duas relíquias culturais chinesas, a cabeça de uma estátua de oficial militar (esquerda) e a cabeça de uma estátua de oficial civil, ambas datadas da Dinastia Song do Norte (960-1127), que foram devolvidas pela Austrália, em Camberra. (Foto de Chu Chen/Xinhua)

UMA DÉCADA DE PESQUISA SOBRE A PROCEDÊNCIA

Segundo Cains, as duas relíquias entraram para o acervo do museu por meio de uma doação, em 1995. Na época, no entanto, o museu não investigou a procedência das peças. Em 2015, Janet Smith, uma das guias voluntárias do museu, deparou-se com um livro de 1991, de autoria de Anne Paladin, que analisava figuras escultóricas ao longo da "via dos espíritos" nos arredores de um mausoléu imperial na China. O livro contém fotografias de obras que pareciam muito semelhantes às duas cabeças escultóricas. Foi então que Cains e seus colegas começaram a investigar a procedência das duas peças.

Em 2025, a NGA recebeu uma notificação, por meio da Embaixada da China na Austrália, em Camberra, informando que a NCHA, em colaboração com o Ministério da Segurança Pública da China e autoridades de patrimônio cultural e segurança pública da província chinesa de Henan, havia enviado um memorando acompanhado de provas, solicitando formalmente a devolução das duas relíquias.

"Descobrimos que o estilo e as características das cabeças que integram nossa coleção nacional correspondem aos das cabeças de alguns pares de estátuas que ainda permaneciam intactas no mausoléu", disse ela. "A partir desse momento, conseguimos determinar, de forma sólida e incontestável, o local de origem das esculturas que temos na coleção, a data de sua criação e seu significado cultural".

"Foi então que começamos a aprofundar as discussões para efetivamente avançar no processo de repatriação", disse ela.

"As cabeças não podiam mais permanecer na coleção nacional da galeria, pois não nos pertenciam", observou ela.

Tang Wei (direita), vice-diretor da Administração Nacional do Patrimônio Cultural (NCHA, na sigla em inglês) da China, entrega um certificado de agradecimento a Nick Mitzevich, diretor da Galeria Nacional da Austrália, em Camberra, na Austrália, em 28 de outubro de 2026. (Foto de Chu Chen/Xinhua)

SIGNIFICADO CULTURAL E ARTÍSTICO

Como curadora sênior que estuda há muito tempo a arte da Ásia e do Pacífico, Cains diz que, agora que compreende plenamente o contexto das peças, consegue "entender o significado delas".

"Inicialmente, aprecio-as do ponto de vista artístico, pela delicadeza de sua escultura e por seu tamanho. São impressionantes. A ideia de que estavam originalmente acopladas às suas figuras completas torna-as, enquanto criação artística, algo verdadeiramente impactante", disse ela.

Cains ressaltou que as duas obras devem ter sido de grande valor artístico e importância cultural, uma vez que estão inseridas na tradição chinesa de respeito aos ancestrais, um elemento fundamental na estrutura da sociedade chinesa.

Observando que as duas cabeças faziam parte de pares, ela disse que havia um par idêntico do outro lado da "via dos espíritos", acrescentando que espera que, um dia, as esculturas possam ser reunidas.

Foto tirada em 28 de outubro de 2026 mostra uma vista externa da Galeria Nacional da Austrália, em Camberra, na Austrália. (Xinhua/Liu Xiaoyu)

COOPERAÇÃO ALÉM DA REPATRIAÇÃO

Cains disse que esta é uma excelente oportunidade para ela e seus colegas colaborarem com seus pares na NCHA, bem como com a Embaixada da China na Austrália, para garantir que as relíquias retornem ao seu legítimo proprietário. Ela acrescentou estar satisfeita por ver que o processo tem sido "muito eficiente e rápido".

Ao descrever a Convenção da UNESCO de 1970, sobre os meios de proibir e prevenir a importação, exportação e transferência de propriedade ilícitas de bens culturais, como um "processo evolutivo", ela disse que o documento estabeleceu uma base ética para o colecionismo e influenciou o funcionamento do mercado de arte.

"Todo esse arcabouço ético faz parte, hoje, de uma transformação institucional que ocorre em nível internacional. Instituições culturais, como galerias e museus, estão deixando para trás um modelo de aquisição e propriedade de cunho colonial, avançando em direção a um modelo muito mais colaborativo, ético e culturalmente sensível, no qual buscamos aprender uns com os outros, em vez de simplesmente impor uma estrutura", disse ela.

Cains disse que, na qualidade de curadora, é apenas uma guardiã temporária das obras. "O caminho a seguir para compartilhar antiguidades culturais e promover o intercâmbio cultural é por meio de empréstimos estabelecidos por acordo mútuo, pois essa é uma excelente forma de intercambiar obras de arte e promover o conhecimento mútuo sobre nossas culturas".

É um processo muito gratificante, observou ela.

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