Destaque: Empresa chinesa auxilia na modernização da primeira usina geotérmica da África, no Quênia-Xinhua

Destaque: Empresa chinesa auxilia na modernização da primeira usina geotérmica da África, no Quênia

2026-10-30 14:19:03丨portuguese.xinhuanet.com

Funcionários inspecionam equipamentos na Usina Geotérmica de Olkaria I, no Parque Nacional Hell's Gate, no Distrito de Nakuru, no Quênia, em 19 de outubro de 2026. (Xinhua/Xie Jianfei)

Nairóbi, 28 out (Xinhua) -- Colunas de vapor elevam-se sobre a Usina Geotérmica de Olkaria I, no Parque Nacional Hell's Gate, no Quênia. Uma rede de tubulações canaliza o vapor das profundezas do subsolo até as unidades geradoras da usina, onde o calor da Terra é convertido em eletricidade.

Inaugurada na década de 1980 como a primeira usina geotérmica da África, a Olkaria I enfrentava desafios crescentes para manter sua capacidade de geração e eficiência, à medida que seus equipamentos envelheciam ao longo de mais de quatro décadas de operação.

Após um projeto de reabilitação realizado pela SEPCOIII Electric Power Construction Co., Ltd., uma subsidiária da Power Construction Corporation of China, a capacidade instalada total da usina aumentou de 45 megawatts (MW) para 63 MW, mantendo-se inalterada a quantidade de vapor disponível para a geração de energia.

Situado ao longo do Grande Vale do Rift, o Quênia possui um potencial geotérmico considerável. Dados da Autoridade Reguladora de Energia e Petróleo do Quênia indicam que a energia geotérmica responde por cerca de 40% da geração nacional de eletricidade, se tornando a principal fonte de energia elétrica do país.

Por meio do Pacto Nacional de Energia do Quênia 2025-2030, o país pretende elevar sua capacidade geotérmica instalada para 1.681 MW até 2030 e alcançar uma matriz elétrica 100% limpa.

Modernizar uma usina pode ser mais desafiador do que construir uma nova, disse Zhang Yang, vice-gerente do projeto de reabilitação. "Construir uma nova usina é como pintar em uma tela em branco, onde é possível planejar tudo do zero. Em um projeto de reabilitação, grande parte da estrutura existente precisa ser mantida. Portanto, é necessário encontrar soluções dentro do espaço e do layout já disponíveis", disse ele.

O projeto, iniciado em agosto de 2023, envolveu a modernização das três unidades geradoras, respeitando as limitações de uma instalação com décadas de existência. Segundo Zhang, os engenheiros precisaram garantir que os novos equipamentos fossem compatíveis com os sistemas já existentes, coordenando os componentes mecânicos e elétricos dentro da configuração original da usina.

A equipe também redesenhou o traçado da tubulação de vapor, com base nos parâmetros do vapor, e otimizou diversos componentes, incluindo separadores, estações de exaustão, válvulas de controle e sistemas de resfriamento. Essas adequações permitiram aumentar a capacidade de geração da usina sem a necessidade de vapor adicional, acrescentou Zhang.

Maurice Awuor, gerente de engenharia elétrica da Kenya Electricity Generating Company (KenGen), disse que a reabilitação elevou a capacidade instalada da usina para 63 MW, o que equivale a cerca de 2% da capacidade total de geração de energia elétrica instalada no Quênia.

"Este é o único projeto de reabilitação geotérmica no Quênia, nos últimos três anos, que entrou em operação e adicionou capacidade instalada à rede nacional", disse Awuor.

A reabilitação também incluiu a instalação de equipamentos de fabricação chinesa, como condensadores, bombas de circulação de água e torres de resfriamento, para substituir maquinários antigos.

Zhang disse que, após a visita de representantes da KenGen a fábricas na China e a troca de experiências com os fabricantes, a equipe queniana passou a compreender melhor o desempenho dos equipamentos chineses e seus processos de fabricação, o que viabilizou a adoção desses itens no projeto geotérmico.

"Desta vez, introduzimos equipamentos de fabricação chinesa em um projeto geotérmico no Quênia, e acredito que mais projetos adotarão equipamentos chineses no futuro", disse Zhang.

Awuor destacou que as empresas chinesas possuem pontos fortes em tecnologia e equipamentos, e que a cooperação com elas é fundamental para o Quênia em seus esforços para desenvolver seus recursos geotérmicos.

Além do fornecimento de equipamentos, o projeto também promoveu o intercâmbio de conhecimentos entre engenheiros chineses e seus colegas quenianos.

Perry Karuri, engenheira queniana de garantia e controle de qualidade, responsável pelas inspeções da obra, relatou que esta foi a primeira vez que trabalhou em conjunto com engenheiros chineses.

Durante a instalação e o comissionamento dos equipamentos, ela discutiu parâmetros técnicos, qualidade da construção e desafios no local com seus colegas chineses. As equipes analisaram problemas em conjunto e elaboraram soluções para garantir que a construção atendesse aos padrões exigidos, disse ela.

"Não apenas compartilhamos conhecimento e trocamos experiências, mas também aprendemos com os diferentes métodos de trabalho uns dos outros. Aprendi uma abordagem de trabalho mais rigorosa com os engenheiros chineses", disse Karuri, acrescentando que a cooperação proporcionou oportunidades para desenvolver habilidades práticas e ganhar experiência na operação e manutenção dos equipamentos modernizados.

Zhang Liang, gerente do projeto, disse que algumas áreas no entorno da usina sofriam, anteriormente, com cortes de energia em sistema de rodízio devido à escassez de eletricidade, e que a capacidade adicional instalada em Olkaria I ajudou a reforçar o fornecimento de energia local.

Ele acrescentou que a energia geotérmica também pode complementar outras fontes renováveis. Enquanto a geração eólica e a solar flutuam de acordo com as condições climáticas e o horário do dia, as usinas geotérmicas podem oferecer um suprimento de eletricidade relativamente estável, ajudando a equilibrar a rede elétrica quando a geração eólica está baixa ou a produção solar cai após o pôr do sol.

"Os recursos geotérmicos são uma importante fonte nacional de energia para o Quênia. Seus custos de geração relativamente baixos podem ajudar a reduzir a sensibilidade do setor elétrico às flutuações nos preços internacionais do petróleo e do gás", disse Awuor.

Ele observou que a capacidade adicional na usina modernizada pode ajudar o Quênia a atender à crescente demanda por eletricidade, apoiar a produção industrial e a manufatura, além de promover esforços para diversificar sua matriz energética e realizar a transição para uma energia mais limpa.

Funcionários inspecionam equipamentos na Usina Geotérmica de Olkaria I, no Parque Nacional Hell's Gate, no Distrito de Nakuru, no Quênia, em 19 de outubro de 2026. (Xinhua/Xie Jianfei)

Foto aérea tirada por drone em 19 de outubro de 2026 mostra uma vista do campo geotérmico de Olkaria e da Usina Geotérmica de Olkaria I, no Parque Nacional Hell's Gate, no Distrito de Nakuru, no Quênia. (Xinhua/Xie Jianfei)

Foto aérea tirada por drone em 19 de outubro de 2026 mostra a Usina Geotérmica de Olkaria I, no Parque Nacional Hell's Gate, no Distrito de Nakuru, no Quênia. (Xinhua/Xie Jianfei)

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