
Mulheres separam algas marinhas colhidas em Zanzibar, na Tanzânia, em 26 de outubro de 2026. (Xinhua/Emmanuel Herman)
Dar es Salã, 28 out (Xinhua) -- Após mais de duas décadas cultivando algas marinhas na costa de Zanzibar, na Tanzânia, Bahati Issa Suleiman busca na China melhores preços e novas oportunidades para sua família.
Aos 51 anos e mãe de oito filhos, ela espera que a 9ª edição da Exposição Internacional de Importação da China (CIIE, na sigla em inglês), que começa em Shanghai no dia 5 de novembro, ajude as algas marinhas de Zanzibar a alcançar mais compradores chineses e a ganhar maior reconhecimento no mercado internacional.
Para Suleiman, o cultivo de algas marinhas tem sido, há muito tempo, uma fonte vital de renda, ajudando sua família a cobrir despesas diárias e pagar as mensalidades escolares. Ela também tem visto outros produtores usarem seus ganhos para comprar terras e construir casas.
"Quando nossas algas chegarem à China, nos apresentaremos ao mundo", disse Suleiman, expressando a esperança de que uma maior exposição no mercado incentive mais pessoas a retornar ao cultivo de algas e fortaleça a renda das famílias.

Bahati Issa Suleiman, produtora de algas marinhas, exibe algas colhidas em Zanzibar, na Tanzânia, em 26 de outubro de 2026. (Xinhua/Emmanuel Herman)
Suas aspirações refletem os esforços mais amplos de Zanzibar para transformar seus recursos marinhos em um motor mais forte de crescimento econômico, indo além da exportação de matérias-primas e avançando em direção a produtos de maior valor agregado.
Zahor Kassim El-Kharousy, secretário-adjunto principal no Ministério da Economia Azul e Pesca de Zanzibar, disse que a CIIE e outras feiras internacionais semelhantes oferecem uma oportunidade de conectar produtores locais a compradores e investidores, enfrentando, assim, um dos principais desafios do setor de algas marinhas.
"Atualmente, 99% das algas marinhas que exportamos são vendidas in natura", disse ele, descrevendo a transição para produtos com valor agregado como uma prioridade fundamental do governo.
El-Kharousy destacou que laços mais fortes entre produtores, processadores e mercados poderiam incentivar investimentos em instalações de processamento, ampliar a gama de produtos derivados de algas e permitir que Zanzibar capture uma parcela maior do valor gerado ao longo da cadeia produtiva.

Zahor Kassim El-Kharousy, secretário-adjunto principal no Ministério da Economia Azul e Pesca de Zanzibar, fala durante uma entrevista em Zanzibar, na Tanzânia, em 26 de outubro de 2026. (Xinhua/Emmanuel Herman)
Para os produtores, isso poderia significar mercados mais estáveis e melhores preços. Para as empresas locais, poderia criar oportunidades nas áreas de processamento, embalagem, transporte e logística de exportação, além de gerar empregos, especialmente para as mulheres, que predominam no cultivo de algas em Zanzibar.
A China já é um destino importante para os produtos marinhos de Zanzibar, incluindo algas e pepinos-do-mar, observou El-Kharousy.
Ele acrescentou que o ministério também está promovendo a produção de produtos derivados do pepino-do-mar com maior valor agregado, visando ampliar a contribuição do setor para a economia azul.
A dimensão do mercado chinês oferece a Zanzibar oportunidades para expandir suas exportações. Contudo, o representante ministerial ressaltou que as empresas precisam compreender as preferências dos consumidores e atender às exigências dos potenciais compradores.
As empresas que participam da exposição em Shanghai devem, portanto, utilizar a plataforma não apenas para exibir seus produtos, mas também para estabelecer parcerias comerciais e identificar oportunidades de desenvolver itens adequados à demanda do mercado chinês, disse ele.
Para Zanzibar, os benefícios potenciais vão além de pedidos de exportação imediatos. Os contatos comerciais estabelecidos durante a exposição podem atrair investimentos, facilitar a transferência de tecnologia e auxiliar as empresas locais a aprimorar a qualidade de seus produtos, sua capacidade de processamento e seu acesso a cadeias de suprimentos internacionais.
A decisão da China de eliminar tarifas sobre importações elegíveis provenientes da Tanzânia pode abrir novas portas para os exportadores, embora os benefícios dependam dos produtos contemplados e do cumprimento das exigências de importação chinesas.
Suleiman, por sua vez, ressaltou que os produtores precisam de apoio para melhorar a produção e o manuseio pós-colheita. Em sua aldeia, parte das algas é seca diretamente sobre o solo, enquanto o cultivo em águas rasas próximas à costa pode danificar a produção.
Ela espera que um maior interesse internacional incentive melhorias nos métodos de cultivo e nas práticas pós-colheita, ajudando os produtores a fornecer produtos mais consistentes e de maior qualidade.
Em última análise, ela acredita que a expansão do mercado chinês poderia motivar os produtores que abandonaram a atividade a retomar o cultivo, aumentando a produção e fortalecendo a contribuição econômica do setor.
"Assim que nossas algas chegarem à China e forem divulgadas, acredito que o preço subirá", disse ela.


