Rio de Janeiro, 28 out (Xinhua) -- A Polícia Federal (PF) do Brasil divulgou nesta quarta-feira uma nota informando que o senador Flávio Bolsonaro -- candidato à Presidência pelo Partido Liberal (PL), derrotado no segundo turno das eleições realizado no último domingo -- não é considerado foragido.
O parlamentar desembarcou na manhã desta quarta-feira em Miami, nos Estados Unidos, em um avião particular, acompanhado de sua esposa e de suas duas filhas.
A PF explicou que, no domingo, solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a adoção de medidas cautelares -- incluindo a apreensão de passaportes, a proibição de saída do país e a restrição de contato com outros investigados --, após identificar o risco de Bolsonaro deixar o Brasil.
Essa situação, contudo, não significa que o senador seja um foragido da Justiça, esclareceu o comunicado.
"Não há registro oficial de saída do parlamentar pelos postos de controle migratório brasileiros", apontou a nota.
"A existência de restrições relacionadas a documentos de viagem, por si só, não caracteriza a condição de foragido nem autoriza a realização de prisão, vigilância permanente ou outras medidas cautelares", destacou o texto.
Flávio Bolsonaro foi intimado, na manhã de segunda-feira (26), a entregar passaportes de eventuais outras nacionalidades que possuísse, o que não ocorreu. Por sua vez, os passaportes (comum e diplomático) emitidos pelo Brasil foram cancelados, e um alerta migratório foi inserido no sistema Sonar.
"A Polícia Federal investiga as circunstâncias do descumprimento das ordens judiciais por parte do investigado, atuando dentro dos limites da legislação e em cumprimento às determinações judiciais", concluiu o órgão.
O senador é investigado em dois processos que tramitam no STF: um em que Flávio e o advogado Willer Tomaz são investigados por lavagem de dinheiro, em um suposto esquema que envolveria empresas de Tomaz e bets e outro relacionado ao financiamento do filme Dark Horse, a biografia cinematográfica de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

