Comentário: A paranoia de Washington em relação à segurança nacional não tem limites-Xinhua

Comentário: A paranoia de Washington em relação à segurança nacional não tem limites

2026-10-27 13:45:29丨portuguese.xinhuanet.com

Foto tirada em 15 de novembro de 2018 mostra o canto chinês criado pelo Instituto Confúcio de Ópera Chinesa (CICO, na sigla em inglês) na Universidade de Binghamton (BU, na sigla em inglês), em Binghamton, estado de Nova York, Estados Unidos. (Xinhua/Wang Ying)

Beijing, 25 out (Xinhua) -- A mais recente iniciativa do Pentágono de classificar os Institutos Confúcio em universidades dos EUA como ameaças à segurança nacional constitui um excesso absurdo e expõe a percepção distorcida das ameaças por parte de alguns políticos americanos, bem como seu perigoso cálculo político de fomentar o sentimento antichinês às vésperas das eleições de meio de mandato.

Ao tratar instituições culturais e educacionais como riscos à segurança, o Pentágono estende o conceito de segurança nacional a um ponto que beira o ridículo. No cálculo de segurança cada vez mais distorcido de Washington, até mesmo ensinar um idioma, apresentar uma civilização e promover o intercâmbio cultural podem ser vistos como ameaças.

Mais preocupante ainda é o fato de que essa medida parece substituir avaliações baseadas em evidências por suspeitas políticas. Em vez de demonstrar riscos específicos à segurança representados por esses institutos, Washington recorreu, mais uma vez, a insinuações e à lógica de culpa por associação.

A lógica é abrangente e perigosa: tudo o que está relacionado à China é tratado como suspeito, e até mesmo o compartilhamento pacífico de língua e cultura passa a ser visto sob a ótica do confronto geopolítico. Essa não é uma abordagem séria em relação à segurança nacional. É um exercício de invenção de ameaças.

A ironia é evidente. Durante sua visita à China, em maio, o presidente americano Donald Trump elogiou a escultura de Confúcio na fachada da Suprema Corte dos Estados Unidos. No entanto, instituições que apresentam a língua e a cultura chinesas a estudantes americanos são agora retratadas como ameaças à segurança.

Confúcio pode ser bem-vindo na forma de uma escultura em um marco americano, mas o intercâmbio vivo de ideias, enraizado em sua civilização, é tratado como motivo de alarme. Essa contradição expõe os dois pesos e duas medidas que moldam a abordagem de alguns políticos americanos em relação à China.

De fato, os Estados Unidos mantêm iniciativas no exterior, como os "Programas de Espaços Americanos", para promover a cultura americana. Grandes produções de Hollywood e marcas como a Coca-Cola também têm levado a cultura dos EUA ao resto do mundo há décadas. Seguindo a lógica do Pentágono, será que tudo isso também constitui uma ameaça que deveria ser banida?

Washington também faria bem em refletir sobre o seu próprio histórico. Ao longo de décadas, os Estados Unidos travaram guerras no exterior, conduziram operações secretas e intervieram nos assuntos internos de outros países, muitas vezes com consequências devastadoras para a paz e a estabilidade. Ainda assim, alguns políticos americanos parecem mais alarmados com instituições culturais do que com as repercussões das ações do seu próprio país no exterior.

A segurança nacional deve se basear em evidências confiáveis, e não em preconceitos políticos. Um país que confia em suas próprias instituições e valores não deveria ter motivos para temer que as pessoas conheçam outra civilização. Transformar o intercâmbio cultural em motivo de alarme em nome da segurança não tornará os Estados Unidos mais seguros. Isso apenas aprofundará a desconfiança, prejudicará a compreensão mútua e reforçará as divisões que ameaçam a paz internacional.

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