Beijing, 26 out (Xinhua) -- A culinária chinesa no exterior está sendo mais apreciada, à medida que uma nova geração de redes de restaurantes chega ao mercado internacional com ambições que vão muito além dos restaurantes em bairros chineses.
Segundo a Associação de Redes de Supermercados e Franquia da China, até o final de 2025, as 50 principais marcas chinesas de restaurantes e da nova bebida de chá operam no total 6.801 lojas no exterior, com 24 abrindo suas primeiras unidades internacionais a partir de 2023.
MUDANÇA DE IMAGEM: DOS BAIRROS CHINESES AOS CENTROS COMERCIAIS
"Os restaurantes chineses não são mais apenas pontos noturnos de bairros chineses. Eles se mudaram para os principais shoppings da cidade. Jovens locais bebem bubble tea todos os dias. Jantares de negócios são realizados em restaurantes chineses sofisticados", observou Tang Junhao, restaurateur chinês baseado em Toronto.
"No passado, os restaurantes chineses no exterior eram em grande parte estabelecidos por imigrantes em busca de sustento, operando como negócios independentes que dependiam fortemente de chefes de cozinha de forma individual. Hoje, as marcas estão entrando no mercado externo com procedimentos operacionais padronizados, cadeias de suprimentos maduras e sistemas de gestão estabelecidos", disse Fan Guoyin, secretário-geral do Instituto de Pesquisa sobre a Expansão Global da Cozinha Chinesa.
As marcas de bebidas de chá fizeram os avanços mais significativos. "Você pode ver isso em quem está na fila. Clientes chineses nascidos nos Estados Unidos, coreano-americanos, latinos, até as típicas pessoas locais são clientes em algumas das marcas mais bem localizadas. Tornou-se realmente popular para certos segmentos de clientes", disse Amy Duan, fundadora da Chihuo, uma das principais plataformas de mídia gastronômica em chinês nos Estados Unidos.
A estreia da Mixue no Brasil é um exemplo claro. Em 11 de abril deste ano, a rede chinesa, conhecida na China por sorvetes e bebidas de baixo preço, abriu sua primeira loja no país. O lançamento repercutiu rapidamente nas redes sociais brasileiras. Vídeos da inauguração e imagens do cardápio circularam em plataformas de vídeo curto e em perfis de visitas a lojas. Na área de comentários das redes sociais, consumidores já perguntavam quando a marca chegaria a outras cidades.
CHAVES PARA SUCESSO: PADRONIZAÇÃO E LOCALIZAÇÃO
Comida chinesa com alto grau de padronização e adequada aos hábitos alimentares dos estrangeiros é mais facilmente aceita por clientes no exterior. Yangguofu Malatang, marca chinesa que vende "malatang", tornou-se uma das redes de comida chinesa mais reconhecidas internacionalmente. Até o final de 2025, já possuía cerca de 200 unidades no exterior em mais de 20 países e regiões.
Malatang, sopa picante chinesa em que ingredientes são cozidos juntos em um caldo, é um tipo de comida mais fácil de padronizar a produção -- as bases de caldo podem ser produzidas numa central, enquanto as operações das lojas dependem menos de chefs chineses altamente experientes. Zhu Hongzhen, chefe do centro de marcas e supervisor global chefe da Yangguofu Malatang, reconhece que o formato de porção individual da empresa e a experiência de autosserviço "se encaixam naturalmente nos hábitos alimentares no exterior, com pouca necessidade de explicação cultural".
A empresa observou um número crescente de clientes não chineses em suas lojas no exterior, especialmente jovens influenciados por redes sociais e cultura pop asiática. Em alguns restaurantes europeus, de 60% a 90% dos clientes não são chineses.
EXPANSÃO DA CULINÁRIA CHINESA NO EXTERIOR: EXPECTATIVAS E DESAFIOS
Recentemente, o setor de restaurantes chinês tem se movimentado de forma intensa. Na Província de Hunan, foi lançado um plano de ação especial para a expansão ao exterior da culinária de Hunan, estabelecendo o "Centro de Expansão ao Exterior da Culinária de Hunan"; em Shanghai, foi realizado o evento "Partindo de Hongqiao -- Empresas Chinesas de Restaurantes Indo para o Sudeste Asiático", atraindo mais de 40 empresas de restaurantes reconhecidas.
"O maior desafio não é simplesmente adaptar sabores. É navegar por sistemas regulatórios, cadeias de suprimentos e hábitos de consumo totalmente diferentes em cada mercado. Requisitos de segurança alimentar, regulamentos de importação e regras de franquia variam significativamente de país para país", disse Fan.
Ele espera que o mercado global de gastronomia chinesa atinja US$ 449,9 bilhões até 2027. Embora redes de hotpot e de bebidas de chá continuem sendo os principais impulsionadores de crescimento, ele observou que culinárias regionais chinesas também podem ganhar reconhecimento mais amplo por meio de maior padronização.
Nem todas as marcas terão sucesso, no entanto, pois aquelas sem fortes capacidades de conformidade ou estratégias genuínas de localização enfrentarão pressão crescente, alertou ele.

