Como uma empresa com investimento japonês está ligada a um grande incêndio em uma reserva protegida na Mongólia-Xinhua

Como uma empresa com investimento japonês está ligada a um grande incêndio em uma reserva protegida na Mongólia

2026-10-22 11:23:13丨portuguese.xinhuanet.com

Foto aérea tirada por drone em 11 de outubro de 2026 mostra bombeiros combatendo um incêndio em uma área de pastagem na região de fronteira, na Região Autônoma da Mongólia Interior, no norte da China. (Xinhua)

Ulan Bator, 20 out (Xinhua) -- Um incêndio de grande proporção atingiu uma reserva natural sob proteção rigorosa no leste da Mongólia, ameaçando se espalhar em direção à fronteira entre a China e a Mongólia e apresentando riscos ecológicos transfronteiriços.

Investigações iniciais sugerem que o incêndio foi causado por um comboio da Mobicom, uma empresa de telecomunicações mongol que conta com investimento japonês.

INCÊNDIO INESPERADO

O primeiro alerta foi dado às 11h55 (03h55 GMT, horário local) do dia 8 de outubro, após o início do incêndio na zona central da Área de Proteção Rigorosa de Numrug, local onde a entrada não autorizada é proibida, especialmente durante o outono, período de maior risco de incêndios.

Embora as chamas tenham sido controladas na sexta-feira, o tempo seco e os ventos fortes mantêm o risco de que o fogo volte a se espalhar.

A Mongólia ativou uma resposta emergencial interprovincial, mobilizando 606 socorristas e 100 conjuntos de equipamentos, provenientes de 60 equipes de combate a incêndios distribuídas por três províncias.

À medida que as chamas se aproximavam da fronteira sino-mongol, a China mobilizou mais de 3.400 bombeiros e equipes terrestres ao longo do trecho da fronteira na Mongólia Interior. Eles realizam patrulhas 24 horas por dia para impedir que o incêndio avance para o território chinês. Ambos os lados continuam monitorando a situação, diante das condições de tempo seco e ventos fortes.

Numrug abriga um dos ecossistemas originais mais bem preservados do leste da Mongólia, servindo de habitat para renas, ursos-pardos, javalis e outras espécies raras da vida selvagem. O incêndio causou danos irreversíveis a pastagens e habitats de animais, enquanto uma avaliação detalhada ainda está pendente para determinar a extensão total das perdas ecológicas e de biodiversidade.

DE QUEM É A CULPA?

Segundo relatos da mídia local, um comboio de cinco veículos da Mobicom, composto por 13 pessoas, incluindo executivos japoneses de alto escalão, entrou em uma área central restrita. Vegetação seca ficou presa sob um dos veículos e pegou fogo; ventos fortes espalharam rapidamente as chamas pela pastagem, tornando o incêndio difícil de conter.

Após o incidente, a Mobicom alegou que a viagem se tratava de um levantamento oficial para a construção de infraestrutura de telecomunicações, descrevendo o incêndio como um acidente operacional.

Autoridades do governo mongol e a mídia local questionaram essa explicação, ressaltando que o projeto de fibra óptica proposto carecia de justificativa técnica e econômica.

Relatos da mídia local levantam a suspeita de que o comboio tenha entrado na área para praticar caça e pesca não autorizadas de espécies criticamente ameaçadas de extinção.

O caso foi encaminhado à polícia para investigação, e ainda não foram divulgadas conclusões oficiais.

Bombeiros patrulham com equipamentos de combate a incêndio na região de fronteira, na Região Autônoma da Mongólia Interior, no norte da China. (Xinhua)

INDIGNAÇÃO PÚBLICA

O incidente provocou uma onda de indignação na Mongólia, com questionamentos sobre se o comboio teria obtido as autorizações necessárias para entrar na reserva, uma área ecologicamente sensível, durante o período de maior risco de incêndios.

Temuulen Ganzorig, ministro da Justiça e Assuntos Internos da Mongólia, disse que os envolvidos, bem como funcionários das administrações de fronteira competentes, serão responsabilizados e obrigados a reparar os danos causados.

A legislação penal da Mongólia proíbe a caça ou a captura não autorizada de animais em áreas sob proteção especial. Além disso, provocar incêndios em florestas ou estepes pode acarretar sanções criminais.

A Mongólia enfrenta riscos crescentes de incêndios em pastagens, agravados pelas mudanças climáticas. Dados oficiais indicam que a temperatura média no país subiu 2,5 graus Celsius desde 1941, um índice muito superior à média global, ao passo que 81,9% do território nacional é afetado pela desertificação e pela degradação do solo. Cerca de 80% dos incêndios nas estepes mongóis são atribuídos a atividades humanas.

Fan Lijun, pesquisador da Academia de Ciências Sociais da Mongólia Interior, observou que o incêndio foi além de um simples acidente.

O incidente reflete falhas graves na responsabilidade social corporativa por parte de empresas com capital estrangeiro que operam no exterior, disse Fan. Ele acrescentou que algumas dessas empresas se aproveitam de suas conexões comerciais para contornar leis ambientais locais e normas de prevenção a incêndios, demonstrando um senso de privilégio e desrespeito pelas regras do país anfitrião.

A Mongólia agradeceu à China pela rápida resposta emergencial e elogiou os funcionários de empresas chinesas no país que se voluntariaram para auxiliar nos esforços de combate ao incêndio.

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