
Foto tirada em 8 de setembro de 2026 mostra uma vista externa da zona-piloto para a cooperação em economia digital entre a China e a Organização de Cooperação de Shanghai (OCS), em Tianjin, no norte da China. (Xinhua/Sun Fanyue)
Dushanbe, 20 out (Xinhua) -- O aprofundamento da cooperação entre a China e os países da Ásia Central criará novas oportunidades para o desenvolvimento da Organização de Cooperação de Shanghai (OCS), disse uma especialista tadjique.
Nos últimos anos, a China e os países da Ásia Central fortaleceram sua cooperação e alcançaram resultados frutíferos em diversas áreas, disse Guzel Maitdinova, diretora do Centro de Estudos Geopolíticos da Universidade Russo-Tadjique (Eslava), em uma entrevista recente à Xinhua.
Um dos principais indicadores dessas conquistas é o crescimento do volume comercial entre a China e os cinco países da Ásia Central: Cazaquistão, Uzbequistão, Tadjiquistão, Quirguistão e Turcomenistão, que, em 2025, ultrapassou, pela primeira vez, a marca de 100 bilhões de dólares americanos, observou Maitdinova.
Além disso, estabeleceu-se um diálogo político regular, a conectividade em transportes foi expandida, a cooperação industrial e tecnológica foi desenvolvida, e questões ambientais e humanitárias passaram a integrar a agenda compartilhada, acrescentou ela.
"Para a OCS, laços mais profundos entre a China e a Ásia Central criam oportunidades para ampliar a agenda de cooperação da organização, conectando a segurança ao desenvolvimento econômico, à transformação digital, à energia, à sustentabilidade ambiental e ao desenvolvimento do capital humano", disse a especialista.

Foto tirada por drone em 15 de agosto de 2026 mostra trabalhadores em um canteiro de obras de uma grande ponte sobre o rio Kec-Alat, ao longo da ferrovia China-Quirguistão-Uzbequistão, em Jalalabad, no Quirguistão. (Xinhua/Li Renzi)
Maitdinova citou as declarações do presidente chinês, Xi Jinping, na cúpula da OCS em Bishkek, em setembro, na qual ele descreveu a organização como "uma área prioritária para promover a cooperação de alta qualidade no âmbito da Iniciativa Cinturão e Rota e para implementar a Iniciativa para o Desenvolvimento Global".
Ela disse que a OCS oferece uma plataforma política e institucional para a coordenação de interesses, enquanto a Iniciativa Cinturão e Rota promove a cooperação por meio de projetos de infraestrutura, investimentos e comércio. Em conjunto, essas iniciativas criam oportunidades para desenvolver corredores de transporte transfronteiriços, redes de energia, infraestrutura digital e cadeias produtivas.
Em meio a profundas transformações no cenário internacional, a OCS desempenha um papel cada vez mais importante na coordenação de interesses em toda a Eurásia e no avanço da diplomacia multilateral, disse Maitdinova.
Na cúpula de Bishkek, Xi defendeu priorizar o desenvolvimento, tratar a segurança como um objetivo fundamental, adotar uma abordagem centrada nas pessoas e promover o diálogo e a consulta.
"Essas prioridades refletem o papel da OCS no fortalecimento da segurança regional, na promoção da conectividade econômica e na manutenção do diálogo entre países com diferentes prioridades políticas e econômicas", disse ela.

Estudantes preparam bolos lunares no Instituto Confúcio da Universidade Estatal de Estudos Orientais de Tashkent, no Uzbequistão, em 24 de setembro de 2026. (Xinhua/Bao Nuomin)
Este ano marca o 25º aniversário da fundação da OCS. Como destacou Maitdinova, ao longo do último quarto de século, a organização desenvolveu um sistema de cooperação intergovernamental em vários níveis, no qual questões de segurança são abordadas em conjunto com o desenvolvimento econômico e o intercâmbio interpessoal.
Na visão dela, diante de profundas mudanças na conjuntura internacional, a OCS evoluiu não apenas para uma plataforma de diálogo regional e coordenação de segurança, mas também para um mecanismo importante para conciliar os interesses dos Estados na emergente ordem mundial multipolar.
Maitdinova descreveu o "Espírito de Shanghai" tanto como o princípio norteador da OCS quanto como um modelo distinto de relações intergovernamentais, que surgiu à medida que os países da região buscavam novos mecanismos de segurança e cooperação.
O "Espírito de Shanghai" incorpora seis princípios: confiança mútua, benefício mútuo, igualdade, consulta, respeito à diversidade das civilizações e a busca pelo desenvolvimento comum.
Esses princípios fornecem uma base para a cooperação entre países com diferentes sistemas políticos, níveis de desenvolvimento econômico e prioridades de política externa, disse Maitdinova.
Guiada pelo "Espírito de Shanghai", a OCS continua se desenvolvendo e se fortalecendo, ajudando a transformar o diálogo multilateral em resultados concretos por meio da cooperação entre os Estados-membros, acrescentou ela.







