Beijing, 21 out (Xinhua) -- Além de ser o primeiro país da Europa Ocidental a assinar um documento de cooperação com a China sobre a construção conjunta do Cinturão e Rota, Portugal também é o primeiro país da União Europeia (UE) a estabelecer formalmente uma "parceria azul" com o país asiático. Ao longo dos anos, os dois países têm aprofundado continuamente a cooperação no domínio marítimo, construído conjuntamente múltiplas plataformas de investigação conjuntas de alto nível e alcançado uma série de resultados práticos no desenvolvimento da economia azul.
Na ocasião de um fórum entre a Academia Chinesa de Engenharia (ACE) e a Academia de Engenharia de Portugal (AEP) sobre tecnologia marinha e engenharia oceânica realizado em setembro em Lisboa, especialistas e acadêmicos do campo marítimo dos dois países aproveitaram a oportunidade para discutir a cooperação marítima China-Portugal.
A reunião concentrou-se nos intercâmbios relacionados à engenharia marítima, transporte marítimo, construção naval, engenharia portuária e outros campos, dando ênfase na inovação tecnológica em engenharia marítima e na utilização sustentável dos recursos marinhos, e na troca de opiniões sobre o desenvolvimento tecnológico e as perspectivas de cooperação em equipamentos de engenharia marítima, transporte marítimo inteligente, navios verdes, portos inteligentes e nova energia marítima.
"A cooperação científica e tecnológica do setor será um ponto de partida para o desenvolvimento da cooperação azul," disse Carlos Guedes Soares, vencedor do Prêmio Internacional de Cooperação Científica e Tecnológica da República Popular da China de 2025, a mais elevada distinção criada pelo governo chinês para reconhecer especialistas estrangeiros que tenham dado contributos importantes para a cooperação científica e tecnológica internacional, também membro da Academia de Engenharia de Portugal e acadêmico estrangeiro da Academia Chinesa de Engenharia.
Desde 2012, a Universidade Oceânica de Shanghai, da China, vem iniciando uma cooperação com o Centro de Ciências do Mar (CCMAR), da Universidade do Algarve, que é um dos principais centros de investigação em ciências marinhas de Portugal.
Em 2017, o Laboratório Conjunto Internacional Sino-Português de Biociências Marinhas foi estabelecido na Universidade Oceânica de Shanghai no contexto de assinatura do "Documento Conceitual sobre o Estabelecimento da Parceria Azul e o Quadro do Plano de Ação Conjunta para a Cooperação Marítima entre a Administração Oceânica Estatal da República Popular da China e o Ministério do Mar da República Portuguesa".
"A cooperação sino-portuguesa em investigação científica promoveu o intercâmbio acadêmico marinho e a cooperação em investigação científica entre os dois países," disse Yang Jinlong, diretor do Departamento de Ciência e Tecnologia e professor da Faculdade de Pesca e Ciências da Vida da Universidade Oceânica de Shanghai, acrescentando que além da Universidade do Algarve, a Universidade Oceânica de Shanghai assinou memorandos de entendimento com a Universidade dos Açores, a Universidade de Lisboa, a Universidade do Porto e a Universidade de Coimbra em Portugal, e chegou a uma intenção de cooperação com a Universidade de Aveiro.
Durante o fórum, a ACE e a AEP também assinaram um memorando de entendimento sobre cooperação, impulsionando a cooperação entre as duas academias para uma nova fase de institucionalização.
Sebastião Azevedo, presidente da AEP, disse que a assinatura do memorando de entendimento é um marco importante no processo de cooperação científica e tecnológica e de engenharia entre os dois países e promoverá ainda mais a cooperação a longo prazo entre instituições acadêmicas de alto nível dos dois países, bem como os intercâmbios aprofundados entre investigadores científicos, especialistas e indústrias, e injetará um novo impulso na cooperação científica e tecnológica marinha China-Portugal.
"A cooperação no domínio da investigação ligada à economia azul entre China e Portugal tem-se expandido muito desde o meu primeiro contato com investigadores chineses em 2002 e a minha primeira visita à China em 2005, estendendo-se à cooperação com várias universidades chinesas, com o estabelecimento de acordos de intercâmbio de alunos e docentes, com o estabelecimento de laboratórios conjuntos internacionais, com a participação em projetos de investigação conjuntos, com o intercâmbio de alunos de doutoramento, e com visitas de alunos de Mestrado e Licenciatura", disse Soares à Xinhua.
"A China tem um número muito grande de universidades que conduzem investigação nos vários domínios ligados à economia azul, e essas universidades têm financiamentos muito elevados do governo chinês para a investigação científica nestes domínios, quer através de alunos de doutoramento, quer através de diferentes tipos de projetos de investigação," disse ele.
Segundo Yang, foi aprovado em 2025 um projeto de formação de cooperação internacional de talentos inovadores do Conselho de Bolsas de Estudos da China, "Formação de Talentos Inovadores Internacionais em Biologia Aquática", estabelecendo um canal estável para a formação conjunta de doutorados chineses e portugueses. Até agora, mais de 30 estudantes de pós-doutorado, doutorado e pós-graduação têm sido treinados conjuntamente.
Carlos Guedes Soares espera também promover uma melhor compreensão dos peritos chineses sobre a investigação científica e os recursos industriais em Portugal no domínio marítimo, impulsionar o intercâmbio e a cooperação entre as duas partes nos domínios de transporte marítimo tradicional, economia azul, desenvolvimento de recursos marinhos e de energias renováveis, e estabelecer as bases para uma maior cooperação e desenvolvimento no futuro.
"Infelizmente ainda não tem havido programas de investigação financiados conjuntamente pelos governos chinês e português, o que teria permitido um desenvolvimento muito maior desta cooperação," disse ele. "Será o desenvolvimento da investigação conjunta que, a certa altura, passará para a indústria e poderá vir a concretizar-se em transferência de tecnologia e no desenvolvimento de equipamentos específicos."

