Rio de Janeiro, 20 out (Xinhua) -- O Brasil caminha para ter, em 2035, um dos custos mais baixos do mundo para a produção de eletricidade solar com fornecimento confiável -- com uma projeção de US$ 41 por megawatt-hora, ficando atrás apenas da China, segundo um estudo da Agência Internacional para as Energias Renováveis (IRENA), divulgado pela Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR).
A projeção destaca a competitividade do Brasil na combinação de geração fotovoltaica e armazenamento em baterias -- um setor no qual os avanços tecnológicos e a redução de custos, impulsionados pela expansão industrial (tendo a China como principal referência), estão transformando as perspectivas da transição energética global.
O estudo "Energias Renováveis 24/7: A Economia da Energia Solar e Eólica Firme" estima os custos para o fornecimento de eletricidade renovável com uma confiabilidade de 95%.
Segundo a IRENA, o custo médio global dos sistemas de armazenamento em baterias caiu 93% entre 2010 e 2024, passando de 2.634 para US$ 197 por quilowatt-hora.
Essa redução possibilita o armazenamento de energia solar para uso em momentos de maior demanda ou de menor geração.
O Brasil, principal economia da América Latina, tem liderado a transição energética em parte do Sul Global e mantém quase toda a sua rede elétrica abastecida por fontes renováveis.
No Brasil, uma localidade com alta irradiação solar no estado da Bahia, no nordeste do país, registra um custo estimado de 65 dólares por megawatt-hora em 2025, com projeção de queda para cerca de US$ 44 em 2030.
A ABSOLAR esclareceu que esses números correspondem a condições específicas favoráveis e não representam uma média nacional. "Os resultados mostram que o Brasil reúne condições muito favoráveis para avançar na oferta de energia renovável firme e competitiva. A redução dos custos de armazenamento amplia a capacidade de utilizar o sol de forma mais estratégica, deslocando a geração para os momentos de maior necessidade do sistema", afirmou o diretor-executivo da ABSOLAR, Rodrigo Sauaia.
A associação avalia que a integração de painéis solares e baterias pode melhorar o equilíbrio entre oferta e demanda, otimizar o uso da infraestrutura elétrica e reduzir a necessidade de geração convencional de reserva. A tecnologia também poderia atender ao aumento do consumo de eletricidade de centros de dados, projetos de hidrogênio verde e instalações industriais.
O estudo destaca que, na China, a geração solar firme combinada com armazenamento já apresenta custos inferiores aos da eletricidade produzida a partir de carvão e gás.
Para o Brasil, a redução projetada dos custos abre oportunidades para transformar seus abundantes recursos renováveis em uma vantagem econômica e ampliar a competitividade de sua matriz elétrica.

