
O presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem (direita), cumprimenta o vencedor da corrida, Max Verstappen, após o Grande Prêmio do Bahrein de Fórmula 1, realizado no Circuito Internacional de Sepang, na Malásia, em 4 de outubro de 2026. (Foto de Qian Jun/Xinhua)
O presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, sugeriu que uma fabricante chinesa poderia entrar na Fórmula 1 adquirindo uma equipe já existente, em vez de criar uma nova equipe. Seus comentários surgem em meio ao crescente interesse das montadoras chinesas BYD e Geely pelo automobilismo, com ambas tendo explorado oportunidades em competições internacionais.
Por Michael Butterworth, correspondente de F1
Cingapura, 8 out (Xinhua) -- O presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, reiterou seu desejo de ver uma fabricante chinesa entrar na Fórmula 1, sugerindo que adquirir uma equipe existente poderia ser uma maneira mais rápida de ingressar na categoria do que criar uma nova equipe.
Falando a veículos de imprensa selecionados, incluindo a Xinhua, antes do Grande Prêmio de Cingapura deste fim de semana, Ben Sulayem disse que o crescimento da indústria automotiva chinesa e o envolvimento do país no automobilismo tornam a China uma candidata atraente para a F1, mas ressaltou que qualquer nova equipe teria de cumprir os requisitos do campeonato.
"Gostaríamos de ter uma grande equipe da China, pois sinto que esse é o diferencial", disse ele. "Não podemos excluir a Ásia. A Ásia tem muito a oferecer. A região Ásia-Pacífico conta com uma enorme população, paixão pelo esporte e fabricantes importantes.
"Isso agregará muito à Fórmula 1".
Ben Sulayem já havia defendido a expansão do grid da F1 para 12 equipes, após a entrada da fabricante americana Cadillac como a 11ª equipe do campeonato neste ano.
No entanto, ele disse que adicionar mais uma equipe não era necessariamente o objetivo, sugerindo que uma fabricante chinesa poderia, em vez disso, adquirir uma equipe já existente, seguindo o exemplo da montadora alemã Audi, que assumiu a Sauber antes da temporada de 2026.
"É sobre encontrar a equipe certa", disse ele. "Se eles entrarem adquirindo outra equipe, ficarei muito satisfeito".
"Isso não significa que teremos uma 12ª equipe", acrescentou ele, sugerindo que a aquisição de uma escuderia estabelecida poderia "encurtar o prazo" necessário para ingressar na F1.
Há relatos de que a gigante chinesa de veículos elétricos BYD já explorou uma possível entrada na F1, com executivos de alto escalão mantendo conversas com figuras importantes do esporte.
A vice-presidente-executiva da BYD, Stella Li, teria se reunido com Ben Sulayem e com o CEO da F1, Stefano Domenicali, além de ter mantido conversas exploratórias com Christian Horner, ex-chefe da equipe Red Bull.
Apesar das discussões, a BYD não anunciou planos de entrar na F1.
Outra fabricante chinesa que está ampliando sua participação no automobilismo internacional é a Geely, que participou do FIA TCR World Tour neste ano com quatro carros de corrida do modelo Preface, inscritos pela equipe Geely Cyan Racing, que conta com o piloto chinês Ma Qinghua.
Há também relatos de que a Geely está em negociações avançadas para assumir o programa Hypercar da Alpine no Campeonato Mundial de Endurance da FIA a partir de 2027, após a decisão da fabricante francesa de se retirar da categoria no final deste ano.

Mohammed Ben Sulayem concede entrevista no Circuito Internacional de Sepang, em 4 de outubro de 2026. (Foto de Qian Jun/Xinhua)
Questionado sobre a Geely, Ben Sulayem confirmou que havia se reunido com um alto executivo da empresa durante uma visita à China.
"Encontrei-me com o chefe, com o presidente, na China, quando estive lá para a Fórmula 1", disse ele, sem indicar se a reunião envolvia uma proposta concreta de entrada na F1.
Ben Sulayem reconheceu que as tentativas de ampliar o grid da F1 já haviam enfrentado resistência das equipes existentes, em parte devido a preocupações com o compartilhamento das receitas comerciais do esporte entre mais competidores.
"Houve muita resistência. Não é algo a se esconder", disse ele. "A questão era dinheiro".
No entanto, ele argumentou que a entrada de mais fabricantes poderia ajudar a ampliar o apelo comercial da F1, em vez de simplesmente dividir as receitas existentes entre mais participantes.
Além da F1, Ben Sulayem também disse querer incentivar mais empresas chinesas a se tornarem fornecedoras para o automobilismo, como parte de um esforço mais amplo para reduzir custos e tornar as corridas mais acessíveis.
"Quando cheguei à FIA, não havia empresas da China envolvidas em nenhuma licitação realizada pela federação", disse ele.
Ele defendeu que os fornecedores chineses deveriam ter a oportunidade de disputar contratos, desde que seus produtos atendessem aos requisitos técnicos e de segurança da FIA.
"Se eles atendem às especificações e a qualidade está em conformidade com nossos regulamentos, a oportunidade é aberta a todos", disse ele.
"A acessibilidade vem da viabilidade de custos".
Ben Sulayem também destacou a crescente relação da FIA com a China, país que sediará a assembleia geral anual da federação e sua cerimônia de premiação, em Shanghai, em dezembro deste ano.
Ele disse que a ideia surgiu durante uma reunião com o prefeito de Shanghai em 2024, acrescentando que a relação ia além de grandes eventos internacionais, abrangendo a cooperação no desenvolvimento do automobilismo, na mobilidade e na segurança viária.
"A China nos adotou, nos acolheu, e estamos avançando", disse ele.
"Mas não se trata apenas da Assembleia Geral e das premiações. Trata-se do relacionamento cotidiano com a China e sua federação nas áreas de esporte e mobilidade".







