Por que o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina 2026 reconhece a optogenética-Xinhua

Por que o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina 2026 reconhece a optogenética

2026-10-07 14:34:44丨portuguese.xinhuanet.com

O Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina 2026 é anunciado em Estocolmo, Suécia, em 5 de outubro de 2026. Karl Deisseroth, Peter Hegemann e Georg Nagel ganharam o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina 2026 na segunda-feira por suas descobertas relacionadas a canais iônicos controlados por luz e à optogenética, anunciou a Assembleia do Nobel do Instituto Karolinska, na Suécia. (Xinhua/Lyu You)

Estocolmo, 5 out (Xinhua) -- Karl Deisseroth, Peter Hegemann e Georg Nagel ganharam o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina 2026 na segunda-feira por suas descobertas relacionadas a canais iônicos controlados por luz e à optogenética.

A Assembleia do Nobel do Instituto Karolinska, na Suécia, concedeu o prêmio pela optogenética, descrevendo-a como um método que possibilita demonstrar como as células nervosas moldam memórias, sentimentos e comportamentos no cérebro vivo.

QUEM SÃO OS LAUREADOS?

Karl Deisseroth é um professor nascido nos EUA da Universidade de Stanford e do Instituto Médico Howard Hughes. Peter Hegemann e Georg Nagel, ambos nascidos na Alemanha, são professores da Universidade Humboldt de Berlim e da Universidade de Würzburg, respectivamente.

“Peter Hegemann e Georg Nagel descobriram uma proteína notável, a canalrodopsina, em uma alga unicelular. Karl Deisseroth transformou essa proteína em um interruptor controlado por luz para células nervosas. Os laureados lançaram as bases de uma nova era na neurociência”, disse o instituto em um comunicado à imprensa.

Os laureados dividirão um prêmio de 12 milhões de coroas suecas (cerca de 1,19 milhão de dólares americanos).

O QUE É A OPTOGENÉTICA?

A optogenética refere-se a um método para controlar sinais nervosos utilizando luz. A história começou com uma pergunta simples: como uma alga verde unicelular consegue nadar em direção à luz, mesmo sem possuir cérebro?

Peter Hegemann estudou a Chlamydomonas, uma alga capaz de detectar luz e alterar rapidamente seu movimento. Ele suspeitava que o sensor de luz do organismo pudesse atuar também como um canal iônico.

Em colaboração com Georg Nagel, Hegemann identificou proteínas conhecidas como canalrodopsinas. Quando expostas à luz azul, essas proteínas abrem um canal na membrana celular. Íons carregados fluem então para o interior da célula, gerando uma resposta elétrica.

Um aspecto fundamental foi que, ao introduzirem os genes que codificam essas proteínas em outras células, os pesquisadores tornaram essas células também sensíveis à luz.

Karl Deisseroth introduziu o gene da canalrodopsina em células nervosas de ratos. Em 2005, sua equipe demonstrou que flashes de luz azul podiam desencadear sinais nervosos com precisão de milissegundos. Dois anos depois, a técnica foi aplicada em cérebros de camundongos vivos.

O método ficou conhecido como optogenética e alcançou repercussão mundial.

POR QUE ISSO TRANSFORMOU A NEUROCIÊNCIA?

O cérebro humano adulto contém cerca de 90 bilhões de células nervosas, ou neurônios, cada uma formando milhares de conexões com outras células. As vias neurais podem se estender por regiões distantes do cérebro, ao passo que neurônios responsáveis ​​por funções muito distintas podem estar agrupados muito próximos uns dos outros.

Durante décadas, os cientistas conseguiam observar quais áreas do cérebro eram ativadas quando um animal se movia, formava uma memória ou experimentava uma emoção. Essas observações indicavam uma ligação entre a atividade cerebral e o comportamento, mas não revelavam se um deles causava diretamente o outro.

A optogenética mudou esse cenário ao permitir que cientistas ativassem neurônios específicos e observassem as consequências, possibilitando testar relações de causa e efeito com precisão muito maior. Pesquisadores identificaram circuitos neurais envolvidos na dor, no comportamento social, na sede, na alimentação, na recompensa e na atenção. Também localizaram neurônios que auxiliam na regulação de funções que variam desde o relógio biológico até respostas febris desencadeadas pelo sistema imunológico.

“A optogenética oferece oportunidades para mapear o cérebro de uma maneira com a qual antes só podíamos sonhar”, disse Per Svenningsson, presidente do Comitê do Nobel de Fisiologia ou Medicina.

ISSO PODE AJUDAR A TRATAR DOENÇAS?

Por enquanto, a optogenética permanece principalmente como uma ferramenta de pesquisa, ajudando cientistas a investigar como os circuitos cerebrais apresentam alterações em condições como depressão, ansiedade, doença de Alzheimer e doença de Parkinson.

Anna Wedell, membro do Comitê do Nobel de Fisiologia ou Medicina, disse que os pesquisadores podem, primeiramente, identificar células envolvidas em condições como demência e dependência em modelos animais e, em seguida, utilizar técnicas de imagem e outros métodos para investigar como essas descobertas podem se aplicar aos seres humanos.

Pesquisas clínicas também já foram iniciadas. Qiang Pan Hammarstrom, membro do Comitê do Nobel e professora de Imunologia Clínica no Instituto Karolinska, disse à Xinhua que a optogenética já demonstrou potencial clínico na retinite pigmentosa, uma doença ocular genética rara, na qual proteínas sensíveis à luz podem ser usadas para estimular células remanescentes da retina e restaurar parcialmente a visão.

O maior impacto da optogenética pode estar nas perguntas que ela permite aos cientistas fazer. Ao ativar ou desativar células nervosas cuidadosamente selecionadas, os pesquisadores podem continuar desvendando um dos maiores mistérios da humanidade: como o cérebro funciona.

O Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina 2026 é anunciado em Estocolmo, Suécia, em 5 de outubro de 2026. Karl Deisseroth, Peter Hegemann e Georg Nagel ganharam o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina 2026 na segunda-feira por suas descobertas relacionadas a canais iônicos controlados por luz e à optogenética, anunciou a Assembleia do Nobel do Instituto Karolinska, na Suécia. (Xinhua/Lyu You)

O Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina 2026 é anunciado em Estocolmo, Suécia, em 5 de outubro de 2026. Karl Deisseroth, Peter Hegemann e Georg Nagel ganharam o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina 2026 na segunda-feira por suas descobertas relacionadas a canais iônicos controlados por luz e à optogenética, anunciou a Assembleia do Nobel do Instituto Karolinska, na Suécia. (Xinhua/Lyu You)

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