
Pessoas visitam a exposição "Coragem no Caos: Narrativas de Mulheres e Guerra" em Manila, Filipinas, em 5 de outubro de 2026. (Xinhua/Rouelle Umali)
Manila, 5 out (Xinhua) -- Apontando para o retrato de sua avó em uma exposição na capital das Filipinas, Manila, Jonna Zapanta disse, com o coração apertado, que sua parente foi sequestrada por tropas japonesas em 1942 e foi vítima do sistema de "mulheres de conforto", e que a tristeza ainda transparece em seus olhos.
"Minha família, a princípio, não queria me transmitir esse trauma intergeracional e raramente falava sobre essa parente", disse Zapanta, diretora criativa da exposição "Coragem no Caos: Narrativas de Mulheres e Guerra", em cartaz de 1º a 14 de outubro.
No entanto, ao organizar arquivos sobre as "mulheres de conforto", ela se deparou com uma sobrevivente que tinha o mesmo sobrenome de sua avó. Após insistir para que a avó desse detalhes, descobriu que a sobrevivente era prima de sua avó e havia sofrido ao longo de toda a vida devido às atrocidades cometidas pelas tropas japonesas durante a guerra, um destino compartilhado por muitas "mulheres de conforto".
"Já se passaram oitenta e um anos desde o fim da Segunda Guerra Mundial, mas o governo japonês ainda não emitiu um pedido formal de desculpas às ‘mulheres de conforto’", disse Zapanta.
Organizada pela Lila Pilipina, uma organização que luta por justiça para as vítimas filipinas de escravidão sexual em tempos de guerra, a exposição apresentou itens como dezenas de retratos de vítimas do sistema de "mulheres de conforto" durante a Segunda Guerra Mundial, pinturas e trabalhos manuais feitos pelas sobreviventes, além de livros e slogans antibélicos.
Entre 1942 e 1945, aproximadamente 1.000 mulheres e meninas filipinas foram forçadas à escravidão sexual como parte do sistema de "mulheres de conforto". Para muitas sobreviventes, o sofrimento perdurou muito depois do fim da guerra.
Na parede da galeria, ganharam grande destaque desenhos feitos à mão pela falecida Remedios Felias, uma das "mulheres de conforto", retratando tropas japonesas cometendo violência sexual contra mulheres filipinas, que aparecem gritando e com expressões de angústia.
"Muitos jovens de hoje não vivenciaram a ocupação japonesa das Filipinas. Esperamos que essas pinturas e fotografias ajudem as pessoas a compreender o sofrimento das ‘mulheres de conforto’", disse Sharon Cabusao-Silva, coordenadora da Lila Pilipina.
Cabusao-Silva disse que restam poucas sobreviventes, sendo a maioria idosa e com a saúde fragilizada. A Lila Pilipina acompanha o estado de saúde delas e oferece apoio material.
Outra série de histórias em quadrinhos na exposição relata um episódio mais recente: em 2017, uma estátua em homenagem às "mulheres de conforto" foi erguida em Manila, mas acabou sendo removida meses depois, após intensa pressão diplomática de Tóquio.
"É vergonhoso e desrespeitoso com a história remover a estátua das ‘mulheres de conforto’ nas Filipinas", disse Teresita Ang-See, uma líder comunitária filipina. Ela acrescentou que os filipinos jamais devem esquecer os crimes cometidos pelas tropas japonesas contra eles, e que guerras não devem voltar a ocorrer no país.
Turistas também escrevem mensagens em notas adesivas e as fixam na parede da galeria, com dizeres como: "Justiça para todas as nossas Lolas (avós, em tagalo)", "Homenagem às vítimas da guerra" e "Pela luta contínua em prol das Lolas".
"Não consigo imaginar o sofrimento pelo qual essas Lolas passaram. Fico profundamente inspirada pela coragem com que persistiram em viver e lutar", disse Irish Keng, estudante da Universidade Politécnica das Filipinas. Ela acrescentou que foi a primeira vez que soube que países da Ásia, incluindo a China e a Coreia do Sul, sofreram traumas históricos semelhantes.
Cabusao-Silva disse que as "mulheres de conforto" das Filipinas e de outros países vitimados pelos militares japoneses na Segunda Guerra Mundial merecem justiça e reconhecimento.
Ao comentar as movimentações militares do Japão nos últimos anos e as declarações do governo japonês sobre questões históricas, ela disse que o governo do Japão não deveria voltar a iniciar uma guerra. "Já passou da hora de o governo japonês reconhecer sua responsabilidade".

Pessoas visitam a exposição "Coragem no Caos: Narrativas de Mulheres e Guerra" em Manila, nas Filipinas, em 5 de outubro de 2026. (Xinhua/Rouelle Umali)

Pessoas visitam a exposição "Coragem no Caos: Narrativas de Mulheres e Guerra" em Manila, nas Filipinas, em 5 de outubro de 2026. (Xinhua/Rouelle Umali)









