
A equipe chinesa "Basquete das Tias" (em tradução livre) e a equipe da escola Crimson Cliffs, dos EUA, disputam uma partida em Washington, Utah, Estados Unidos, em 2 de outubro de 2026. (Foto de Zeng Hui/Xinhua)
Uma equipe de basquete feminino da província de Guizhou, no sudoeste da China, conhecida como "Basquete das Tias", disputou partidas e participou de atividades com estudantes locais do ensino médio durante uma turnê pelos Estados Unidos destinada a promover o intercâmbio entre os dois países.
Por Gao Shan
Washington, 3 out (Xinhua) -- Esqueça os passos, apenas corra com a bola. Esqueça ganhar ou perder, apenas aproveite o jogo.
Gritos de torcida, aplausos e risadas preencheram o ginásio da escola Crimson Cliffs em Washington, Utah, na sexta-feira, quando uma equipe de basquete feminino da província de Guizhou, no sudoeste da China, enfrentou a equipe da escola em uma partida bastante incomum, que reuniu dois grupos de jovens e duas culturas na mesma quadra.
A equipe visitante, conhecida como "Basquete das Tias" (em tradução livre), vem de uma tradição esportiva de base que surgiu nas aldeias da etnia Miao, no distrito de Leishan, sudeste de Guizhou.
Na comunidade Miao, as mulheres que se casaram e retornaram às suas terras natais são carinhosamente chamadas de "Gu Ma", ou "tias". O que começou como uma atividade recreativa para mulheres que voltavam para casa se transformou gradualmente em uma vitrine para a cultura étnica e a vitalidade rural de Guizhou.
Ao contrário do basquete convencional, o "Basquete das Tias" tem suas próprias regras lúdicas: as jogadoras podem carregar a bola e correr com ela, em vez de terem que driblar.
O resultado tem menos a ver com a intensidade da competição e mais com diversão, comunidade e participação.
Antes do jogo, o ginásio ganhou vida com canções das aldeias Miao e danças tradicionais cheias de energia. Usando trajes étnicos coloridos, as jogadoras visitantes fizeram uma apresentação para centenas de estudantes e professores, arrancando aplausos entusiasmados da plateia.
Um árbitro (centro), usando trajes tradicionais, se prepara para sinalizar o início da partida. (Foto de Zeng Hui/Xinhua)
Mas o momento de maior empolgação surgiu quando as jogadoras entraram em quadra.
As "tias" enfrentaram a equipe Mustangs, da escola Crimson Cliffs, cujo mascote é o cavalo mustang, em um evento que rapidamente se transformou em um intercâmbio cultural descontraído por meio do basquete.
Inicialmente, as jogadoras americanas tiveram dificuldade em se adaptar às regras incomuns, especialmente à ideia de que podiam correr com a bola nas mãos em vez de quicá-la. No entanto, seus fundamentos sólidos e o trabalho em equipe logo fizeram a diferença.
Jogadas em ritmo acelerado, passes rápidos e arremessos precisos mantiveram a partida animada. As duas equipes alternavam cestas e davam à torcida muitos motivos para vibrar. Os gritos das arquibancadas ficaram mais altos: "Go, Gu Ma!" (em chinês) e "Go, Mustangs!" (em inglês).
Em certo momento, um estudante alto da Crimson Cliffs, usando camisa e gravata, entrou em quadra para jogar com as "tias". Seu estilo de jogo exagerado, irreverente e descontraído levou a plateia às gargalhadas e elevou ainda mais a animação do público.
Reagan Haws, jogadora da Crimson Cliffs, disse que achou o jogo "muito divertido", principalmente por causa das regras incomuns.
"Foi uma experiência nova. Foi ótimo conhecer outras culturas", acrescentou ela.

Jogadoras da equipe "Basquete das Tias" interagem com estudantes da escola Crimson Cliffs. (Foto de Zeng Hui/Xinhua)
A diretora da Crimson Cliffs, Kim Monkres, deu as boas-vindas à equipe chinesa e disse que a visita proporcionou uma oportunidade de intercâmbio cultural entre os dois países.
"Estou muito feliz por termos a oportunidade de unir a cultura chinesa à nossa", disse ela à Xinhua.
"O programa de ensino bilíngue da nossa escola tem sido uma verdadeira bênção. É uma das aulas que mais gosto de acompanhar. Eu não faço ideia do que eles estão dizendo, mas as crianças entendem".
Monkres disse que ver o quanto os estudantes aprenderam ao longo dos anos e o quanto se tornaram fluentes em chinês é "fenomenal".
Monkres também demonstrou entusiasmo com o plano da China de convidar 100.000 jovens americanos para visitar o país e participar de programas de intercâmbio e estudo nos próximos cinco anos, dizendo esperar que a Crimson Cliffs tenha a oportunidade de participar.
Shen Xin, vice-presidente da Associação do Povo Chinês para a Amizade com Países Estrangeiros, que liderou a delegação da equipe "Basquete das Tias" aos Estados Unidos, disse que o caráter popular e divertido do esporte o torna uma maneira eficaz de aproximar as pessoas dos dois países.
"Isso pode ajudar os americanos a conhecerem melhor o cotidiano das pessoas comuns na China e a aprenderem mais sobre as diversas culturas étnicas e tradições do país", disse Shen, acrescentando acreditar que esses intercâmbios interpessoais podem ajudar a fortalecer a base das relações entre a China e os EUA.
A turnê da equipe "Basquete das Tias" pelos EUA, iniciada no começo desta semana, inclui passagens pela Califórnia, Nevada, Utah e pelo estado de Washington.

