
O presidente chinês Xi Jinping chega à Base Conjunta Andrews em 23 de setembro de 2026, para uma visita de Estado aos Estados Unidos a convite do presidente americano Donald Trump. (Xinhua/Li Xiang)
Por Lyazid Benhami
À medida que o presidente chinês Xi Jinping realiza sua segunda visita de Estado aos Estados Unidos, 11 anos após a primeira, as relações entre a China e os EUA entram em uma nova fase. Uma nova expressão surgiu no vocabulário diplomático: “estabilidade estratégica”. Poderia ela oferecer uma nova abordagem para gerir as diferenças entre as duas principais potências mundiais?
A visita de Estado de Xi aos Estados Unidos, realizada de 23 a 25 de setembro, ocorreu em um momento em que ambos os países buscam desenvolver um novo quadro para suas relações.
Embora ainda existam diferenças entre as duas partes, os contatos de alto nível continuam. A ideia de “construir uma relação China-EUA construtiva e baseada na estabilidade estratégica” merece ser analisada como uma possível nova forma de pensar as relações entre grandes potências.
A primeira característica dessa abordagem é que ela não busca eliminar a concorrência. A China e os Estados Unidos têm interesses distintos, e cada um busca preservar sua influência econômica, tecnológica e estratégica. O desafio, portanto, não é tanto eliminar a concorrência, mas sim impedir que ela se torne incontrolável.
Algumas diferenças entre grandes potências não podem ser resolvidas rapidamente e precisam ser gerenciadas. Isso exige a manutenção de canais de comunicação, inclusive durante períodos de tensão, e a distinção entre áreas em que o compromisso é possível e aquelas em que as posições permanecem muito distantes.
O diálogo não sinaliza necessariamente uma convergência de posições. Ele é, antes de tudo, um instrumento para prevenir e gerir crises. Essa é a diferença entre tentar resolver imediatamente qualquer desacordo e criar condições para conviver com certas diferenças. As relações internacionais têm sido vistas, há muito tempo, principalmente sob a ótica do equilíbrio de poder: defender os próprios interesses, fortalecer a própria influência e conter a do outro.
A estabilidade estratégica introduz outra dimensão: a capacidade de gerir o equilíbrio de poder de forma construtiva. A força, então, está não apenas na capacidade de exercer influência, mas também na capacidade de impedir que uma crise ultrapasse um limite além do qual nenhum dos lados manteria o controle.
A noção de “estabilidade estratégica” deve, portanto, ser entendida como uma estrutura para gerir divergências, e não como a eliminação da competição entre os dois países.

O presidente dos EUA, Donald Trump, realiza uma cerimônia de boas-vindas para o presidente chinês, Xi Jinping, que está em visita de Estado aos Estados Unidos, na Casa Branca, em Washington, D.C., em 24 de setembro de 2026. (Xinhua/Wang Ye)
É isso que confere importância ao diálogo de alto nível. A cúpula Xi-Trump não significa que as posições dos dois países tenham convergido. Significa que o canal político permanece suficientemente importante para permitir que ambos os lados abordem diretamente as questões mais sensíveis.
Uma expressão diplomática, por mais significativa que seja, nem sempre é suficiente, para transformar uma relação internacional. Ela deve vir acompanhada de decisões, mecanismos de consulta e práticas capazes de prevenir mal-entendidos e conter crises.
Além disso, a estabilidade não pode depender apenas das declarações de um único ator. Ela exige certo grau de reciprocidade: cada lado deve ser capaz de levar em consideração os interesses e as preocupações do outro.
A evolução das relações entre a China e os EUA não diz respeito apenas aos dois países. Se Beijing e Washington conseguirem manter sua competição e, ao mesmo tempo, reduzir os riscos de escalada, as consequências poderão ser significativas para a economia e a segurança internacionais como um todo.
A noção de estabilidade estratégica poderia, em última análise, ultrapassar o âmbito das relações China-EUA e se tornar um processo a ser mantido. Isso requer diálogo, previsibilidade, mecanismos de prevenção de crises e a capacidade de distinguir a competição do confronto. Talvez essa seja a verdadeira importância da cúpula Xi-Trump.
Sob essa perspectiva, a relação construtiva de estabilidade estratégica entre a China e os EUA não significaria a ausência de competição. Significaria a capacidade de organizar a coexistência apesar da competição. Essa concepção poderia se tornar um dos principais empreendimentos diplomáticos do século 21.
Nota da edição: Lyazid Benhami é membro da Associação de Amizade Franco-Chinesa de Paris.
As opiniões expressas neste artigo são do autor e não refletem necessariamente as posições da Agência de Notícias Xinhua.

