Brasil busca transformar sua política espacial em plataforma para novas tecnologias e empresas-Xinhua

Brasil busca transformar sua política espacial em plataforma para novas tecnologias e empresas

2026-10-03 18:54:30丨portuguese.xinhuanet.com

Rio de Janeiro, 2 out (Xinhua) -- O Brasil busca dar um novo impulso ao seu setor espacial com uma política de inovação que pretende levar as tecnologias desenvolvidas em universidades e centros de pesquisa ao mercado, estimular o investimento privado e ampliar a participação de empresas nacionais em uma indústria estratégica para a autonomia tecnológica do país.

A nova política de inovação da Agência Espacial Brasileira (AEB), que entrou em vigor nesta sexta-feira, estabelece diretrizes para orientar as ações de longo prazo voltadas ao desenvolvimento tecnológico e à inovação no setor espacial.

A iniciativa reflete uma mudança na forma de abordar a atividade espacial, que deixou de se limitar à construção e ao lançamento de satélites para se tornar também uma fonte de tecnologias aplicáveis às telecomunicações, à agricultura, à gestão ambiental, às mudanças climáticas, à navegação e à observação da Terra.

Para o Brasil, um dos principais desafios consiste em transformar o conhecimento científico acumulado em produtos, serviços e empresas capazes de competir em um mercado espacial internacional cada vez mais tecnológico.

A política estabelece sete eixos: formação e capacitação de profissionais; coordenação de programas de inovação e estímulo ao investimento privado; fortalecimento da base de conhecimento tecnológico; proteção da propriedade intelectual; promoção da inovação e do empreendedorismo; desenvolvimento de mercados para produtos e serviços espaciais brasileiros; e fortalecimento do Sistema Nacional de Desenvolvimento das Atividades Espaciais.

Um dos pontos centrais é justamente reduzir a distância entre o laboratório e o mercado. A AEB poderá apoiar projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação por meio de subvenções econômicas, financiamento, encomendas tecnológicas, incentivos fiscais e bolsas.

A agência também poderá estabelecer parcerias com instituições públicas e privadas e contratar empresas, centros científicos e organizações sem fins lucrativos para desenvolver soluções voltadas a superar desafios tecnológicos específicos.

A nova política contempla, inclusive, inventores independentes. Aqueles que tiverem solicitado uma patente poderão pedir à AEB uma avaliação da viabilidade tecnológica e comercial de suas criações.

Com base nesses estudos, a agência poderá apoiar a transformação das invenções em produtos ou processos, a criação de empresas e a transferência de tecnologias para o setor produtivo.

A estratégia ganha relevância em um setor no qual um grupo restrito de países concentra grande parte das capacidades tecnológicas, industriais e científicas. O Brasil pretende ampliar progressivamente sua autonomia e desenvolver uma cadeia nacional que abranja desde a pesquisa até a produção e comercialização de soluções espaciais.

A formação de profissionais especializados é outro pilar da iniciativa. O objetivo é ampliar a disponibilidade de cientistas, engenheiros, técnicos e empreendedores capazes de atuar em uma indústria que exige conhecimentos avançados e ciclos prolongados de pesquisa e desenvolvimento.

A dimensão internacional também está contemplada. A política permite à AEB estabelecer acordos e parcerias com entidades estrangeiras e organismos internacionais, ao mesmo tempo que estabelece a necessidade de preservar a autonomia de decisão e a soberania tecnológica brasileiras.

O Brasil participa, ainda, de iniciativas de cooperação espacial com outros países e, no âmbito do BRICS, tem defendido uma maior colaboração em áreas como observação da Terra, inovação, formação de profissionais e sustentabilidade das atividades espaciais.

O objetivo final da nova política é que a atividade espacial gere efeitos mais amplos na economia brasileira: novas empresas, propriedade intelectual, empregos altamente qualificados, tecnologias de duplo uso e produtos capazes de ingressar tanto no mercado nacional quanto no internacional.

Com essa estratégia, o Brasil busca fazer com que seu programa espacial não se limite a desenvolver e operar sistemas em órbita, mas se torne também um motor de inovação tecnológica e de criação de negócios de alto valor agregado. 

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