Qingdao, 20 set (Xinhua) -- Cabo Verde quer reforçar a pesquisa e a observação oceânicas e avançar no desenvolvimento da economia azul, disse o ministro dos Transportes e Mar do país, João do Carmo Brito Soares, durante um fórum realizado recentemente na China.
Soares fez as declarações durante o Fórum de Cooperação e Desenvolvimento Marinho 2026, realizado entre 16 e 18 de setembro em Qingdao, na Província de Shandong, leste da China, com 680 participantes de 60 países e regiões.
Segundo ele, Cabo Verde já realizou campanhas de pesquisa marinha com parceiros internacionais e instalou estruturas de observação oceânica nas águas próximas à ilha de São Vicente.
O país pretende ampliar a observação do oceano, acompanhar de forma contínua a produtividade marinha e os serviços dos ecossistemas, desenvolver modelos científicos e compartilhar dados e resultados de pesquisa.
Ele citou a biotecnologia marinha e a robótica subaquática entre as áreas de interesse, além de destacar o potencial de setores como carbono azul e pesca sustentável.
"Não podemos ver o mar profundo apenas como uma fonte de recursos. Devemos encará-lo também como um patrimônio comum da humanidade", disse.
Segundo ele, o aproveitamento sustentável do mar profundo exige regras e marcos jurídicos adequados, proteção dos ecossistemas e investimentos em laboratórios, sistemas de monitoramento, plataformas digitais e formação de profissionais.
A posição de Cabo Verde entre a África, a Europa e as Américas também oferece ao arquipélago condições para ampliar sua participação na cooperação internacional em ciência e tecnologia oceânicas, acrescentou.
Em 9 de setembro, China e Cabo Verde assinaram em Beijing um acordo de parceria econômica para o desenvolvimento comum. O documento prevê o aprofundamento da cooperação econômica e comercial e inclui apoio ao desenvolvimento da economia azul de Cabo Verde.
Os dois países já mantêm cooperação na área marítima. Em 2016, assinaram um acordo relacionado à Zona Econômica Especial Marítima de São Vicente. Em 2018, uma equipe de planejamento liderada por especialistas chineses visitou o arquipélago.
Feng Wenli, diretor-geral do Departamento de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento do Ministério dos Recursos Naturais da China, disse que a China está disposta a aprofundar a cooperação com países em desenvolvimento em pesquisa oceânica e capacitação.
Segundo Feng, a China pretende aproveitar plataformas como o Centro Conjunto de Treinamento e Pesquisa China-Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos e o Fórum China-África de Ciência e Tecnologia Marinha para ampliar a cooperação e fortalecer a capacidade dos países de conhecer, proteger e utilizar de forma sustentável o mar profundo.

