
Foto tirada em 8 de setembro de 2026 mostra momento do 35º Fórum Econômico em Karpacz, Polônia. (Foto de Aleksy Witwicki/Xinhua)
Karpacz, Polônia, 10 set (Xinhua) -- À medida que os países da Europa Central e Oriental (ECO) buscam novos motores de crescimento, os avanços tecnológicos e os investimentos da China estão ajudando a região a migrar para indústrias mais inovadoras e de maior valor agregado, disseram participantes de um fórum econômico na Polônia.
O 35º Fórum Econômico, realizado de terça a quinta-feira na cidade de Karpacz, no sudoeste da Polônia, contou com mais de 500 eventos abrangendo economia, inteligência artificial e desenvolvimento sustentável. O potencial de cooperação econômica e tecnológica entre a China e os países da ECO foi amplamente debatido no fórum.
NOVO MODELO DE CRESCIMENTO
Segundo o relatório da Escola de Economia de Varsóvia (SGH) e do Fórum Econômico 2026, divulgado na abertura do evento, os 11 países da ECO analisados no estudo cresceram em média de 3% ao ano entre 2005 e 2025, tornando a região uma das que crescem mais rápido na Europa.
Esse desempenho sólido ajudou a fortalecer a posição da região na economia europeia. Durante décadas, o crescimento nas principais economias da ECO foi sustentado por baixos custos de mão de obra e pela integração às cadeias europeias de fornecimento da indústria manufatureira da Europa. Esse modelo, no entanto, enfrenta limitações crescentes à medida que a população em idade ativa diminui e os mercados de trabalho ficam mais restritos.
Tensões geopolíticas, altos custos de energia e a crescente incerteza em relação ao comércio global aumentaram a pressão, tornando cada vez mais importante que as economias da ECO fortaleçam suas capacidades tecnológicas e industriais e avancem para atividades de maior valor agregado.
"Autonomia não deve significar isolamento", disse Janusz Piechocinski, ex-vice-primeiro-ministro e ex-ministro da Economia da Polônia, no fórum. Citando a Polônia como exemplo, ele ressaltou que os países da ECO devem manter laços fortes dentro da Europa, ao mesmo tempo em que desenvolvem relações econômicas pragmáticas com uma ampla gama de parceiros internacionais.
CHINA OFERECE NOVO IMPULSO
A China estabeleceu uma vantagem considerável em determinados campos, disse Zbigniew Inglot, presidente do conselho fiscal da empresa polonesa de cosméticos INGLOT, no fórum.
Os participantes destacaram os avanços da China em veículos elétricos e inteligência artificial, assim como sua crescente força em energias renováveis, baterias, equipamentos industriais e telecomunicações. Eles identificaram muitas dessas áreas como campos promissores para uma cooperação mais profunda entre a China e os países da ECO.
A cooperação em inovação entre a China e a ECO já ganhou forte impulso. Na Conferência China-PECO sobre Cooperação em Inovação 2026, evento em andamento desde quarta-feira em Ningbo, na província de Zhejiang, no leste da China, foram assinados 11 acordos sobre a colaboração entre empresas, universidades e instituições de pesquisa e sobre o desenvolvimento conjunto de plataformas de inovação.
Essa cooperação também está se concretizando por meio de investimentos e projetos industriais em toda a região. Em maio de 2025, a montadora chinesa BYD anunciou planos para estabelecer sua sede europeia e um centro de pesquisa e desenvolvimento em Budapeste, com programas de pesquisa focados em tecnologia de condução baseada em IA e sistemas de propulsão para veículos elétricos.
Em maio deste ano, várias empresas chinesas assinaram contratos comerciais com a Sérvia que devem trazer ao país mais de 953 milhões de euros (1,11 bilhão de dólares americanos) em novos investimentos, abrangendo projetos nas áreas de indústria automotiva, alta tecnologia e manufatura avançada. No final de agosto, uma instalação sino-sérvia de montagem de robôs humanoides foi inaugurada em Sabac, com a produção em larga escala prevista para 2027.
"A China desempenha um papel essencial na Europa e no mundo", disse Pierre Andrieu, pesquisador sênior do Centro de Análise sobre a China do Instituto de Políticas da Sociedade Asiática, defendendo novas formas de cooperação econômica e industrial.
Jaroslaw Witkowski, professor da Universidade de Economia e Negócios de Wroclaw, também destacou a importância do desenvolvimento de talentos para fortalecer a cooperação, esperando que mais pesquisadores, gestores e economistas contribuam para essa colaboração prática.

Pessoas passam pelo estande da China no 35º Fórum Econômico em Karpacz, Polônia, em 8 de setembro de 2026. (Foto de Aleksy Witwicki/Xinhua)

Um veículo da montadora chinesa Chery é exibido no 35º Fórum Econômico em Karpacz, Polônia, em 8 de setembro de 2026. (Foto de Aleksy Witwicki/Xinhua)

Uma mulher posa para uma foto com um robô humanoide no 35º Fórum Econômico em Karpacz, Polônia, em 8 de setembro de 2026. (Foto de Aleksy Witwicki/Xinhua)

