
O gerente de operações Fang Wenjun (esquerda), da empresa chinesa Kaishan Group, conversa com colegas na Usina Geotérmica Sosian Menengai, de 35 MW, no distrito de Nakuru, Quênia, em 9 de setembro de 2024. (Xinhua/Han Xu)
Por Xu Jiatong
Nairóbi, 29 ago (Xinhua) -- Sob as luzes de uma cerimônia de casamento nas vastas planícies de Maasai Mara, no Quênia, o som de tambores ecoa pela savana enquanto as pessoas dançam até tarde da noite.
A centenas de quilômetros dali, no campo de refugiados de Kakuma, um pequeno cinema consegue exibir uma partida de futebol inteira sem se preocupar com uma interrupção repentina no fornecimento de energia.
Por trás dessas cenas cotidianas, há uma mudança mais ampla em andamento.
No Quênia, onde a dispersão populacional e o alto custo de expansão das redes elétricas convencionais deixam muitas comunidades remotas sem eletricidade confiável, sistemas solares chineses fora da rede oferecem uma alternativa para superar o desafio da "última milha" no acesso à energia.
Para comunidades ainda não conectadas à rede convencional, o fornecimento estável de eletricidade proporcionado por esses sistemas autônomos cria novas oportunidades nas áreas de educação, comunicação, agricultura e pequenos negócios.
AMPLIANDO O ACESSO À ELETRICIDADE
Simon Masago, líder de uma comunidade em Maasai Mara, lembra de quando casamentos e cerimônias tradicionais dependiam de geradores a diesel caros, com o risco constante de o combustível acabar ou de a energia falhar no meio da celebração.
"Com os equipamentos chineses de energia solar e armazenamento, temos eletricidade estável pela primeira vez", disse ele.
A energia confiável prolongou a vida comunitária após o anoitecer e permitiu que as celebrações tradicionais ocorressem conforme o planejado.
A eletricidade também está chegando a mais escolas rurais. Em algumas comunidades, os estudantes antes precisavam terminar a lição de casa antes que a luz do dia acabasse. Agora, a eletricidade gerada e armazenada durante o dia pode iluminar as salas de aula após o anoitecer.
"Antes, eles só podiam fazer a lição de casa enquanto havia luz natural. Agora, podem estudar à noite também", disse Masago.
Uma mudança semelhante está ocorrendo em Kakuma, que abriga refugiados de vários países. Com uma infraestrutura básica ainda limitada, sempre foi difícil obter um fornecimento de eletricidade confiável.
O refugiado Fidel Aganze disse que os equipamentos chineses de energia solar e armazenamento possuem maior capacidade e são mais duráveis do que as baterias convencionais utilizadas anteriormente.
Wycliffe Barasa, chefe de uma organização não governamental local, disse que, anteriormente, havia poucas soluções energéticas adequadas à realidade do campo de refugiados.
Segundo um relatório divulgado em junho por agências das Nações Unidas sobre o progresso em direção ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 7, que trata de energia limpa e acessível, 655 milhões de pessoas em todo o mundo ainda não tinham acesso à eletricidade, incluindo mais de 560 milhões na África Subsaariana.
Em áreas onde a população é dispersa e a expansão da rede elétrica é dispendiosa, sistemas fotovoltaicos fora da rede surgem como uma opção cada vez mais prática. Um painel solar, uma bateria de armazenamento e um inversor podem formar uma pequena "estação de energia", levando eletricidade a comunidades que ainda não foram alcançadas pelas redes convencionais.

Foto tirada em 29 de julho de 2026 mostra entrada da Feira de Energia e Eletricidade da África e da Feira Solar da África em Nairóbi, no Quênia. (Xinhua/Liu Qiong)
REDUZINDO BARREIRAS PARA A ENERGIA VERDE
O acesso à eletricidade é apenas parte do desafio. As pessoas também precisam ter condições de pagar por ela.
Para muitas famílias africanas, o custo inicial dos equipamentos continua sendo uma grande barreira. Agricultores, pecuaristas e pequenos comerciantes podem precisar de eletricidade, mas não dispõem de recursos para realizar um pagamento inicial elevado.
Empresas chinesas estão respondendo a isso adaptando seus modelos de negócios às condições locais.
Aproveitando o M-Pesa, plataforma de pagamento móvel amplamente utilizada no Quênia, algumas empresas introduziram modelos de pagamento conforme o uso, permitindo que os usuários paguem pelos equipamentos em pequenas parcelas semanais ou mensais.
Essa abordagem se adequa melhor aos padrões de renda irregulares de muitos agricultores e pecuaristas, reduzindo a barreira inicial para a adoção da energia solar.
A cadeia de produção fotovoltaica consolidada da China também está ajudando a reduzir os custos. À medida que os equipamentos se tornam mais acessíveis, produtos de iluminação solar e armazenamento de energia deixam de se restringir a projetos especializados e passam a chegar às residências e pequenas empresas.
Jacqueline Kimeu, especialista em energia e mudanças climáticas no Quênia, disse que as empresas chinesas estão trazendo "muito mais do que equipamentos", oferecendo soluções energéticas adaptadas às necessidades do mercado local.
"As pessoas costumavam pensar que a vida moderna só chegaria com a rede elétrica nacional. A energia solar fora da rede oferece outra possibilidade", disse Zhang Chuang, chefe de uma empresa chinesa de novas energias que atua no Quênia.
Segundo ele, da fabricação e controle de custos até os modelos de pagamento, os pontos fortes da indústria chinesa, aliados à demanda local, estão permitindo que a energia solar fora da rede chegue às comunidades sem a necessidade de esperar que a rede convencional cubra todo o país.

Foto tirada por drone em 9 de setembro de 2024 mostra a Usina Geotérmica Sosian Menengai, de 35 MW, no distrito de Nakuru, no Quênia. (Xinhua/Han Xu)
DESBLOQUEANDO O POTENCIAL DE CRESCIMENTO
Em Kakuma, o fornecimento de eletricidade mais confiável também está transformando a atividade econômica.
David Elen, 30 anos, administra um pequeno cinema onde moradores locais se reúnem para assistir a partidas de futebol. Antes de instalar um sistema de energia solar com armazenamento de fabricação chinesa, as quedas de energia interrompiam frequentemente as transmissões e afastavam os clientes.
"Com a energia de reserva, meu negócio se tornou muito mais estável", disse ele.
Nas proximidades, um pequeno negócio de recarga de celulares atende dezenas de clientes por dia. Nos dias de maior movimento, quase 100 pessoas procuram esse serviço.
No Quênia, os celulares não são apenas ferramentas de comunicação, mas também essenciais para pagamentos móveis, especialmente para indivíduos e pequenas empresas. Portanto, uma eletricidade confiável é vital para as empresas de recarga de celulares.
Nas áreas rurais, a energia solar também está ajudando a reduzir os custos de produção. Alguns agricultores que antes dependiam de bombas a diesel para irrigar suas lavouras passaram a utilizar bombas solares de fabricação chinesa.
Um agricultor relatou que a redução nos custos de irrigação ajudou a aumentar a produção em cerca de 30%, e a renda adicional permitiu que ele investisse melhor na educação de seus filhos. A energia solar já não é apenas uma fonte de iluminação, está se tornando um ativo produtivo.
De Maasai Mara a Kakuma, da iluminação de salas de aula à irrigação agrícola, a eletricidade começa a remodelar o cotidiano e os meios de subsistência em comunidades remotas. À medida que as redes convencionais continuam se expandindo, soluções fora da rede podem ajudar a suprir as lacunas onde a infraestrutura de rede ainda é difícil de implementar.
Ao combinar tecnologia, capacidade de fabricação e modelos de negócios adaptados localmente, as soluções chinesas de novas energias estão ajudando a levar os benefícios do desenvolvimento verde para mais perto das comunidades africanas, ao mesmo tempo em que agregam uma dimensão tangível à cooperação China-África na transição verde.









