Duas exposições, uma ponte: patrimônio cultural como elo entre China e Brasil-Xinhua

Duas exposições, uma ponte: patrimônio cultural como elo entre China e Brasil

2026-07-08 19:17:30丨portuguese.xinhuanet.com

Por Zhu Yilin e Zhou Yongsui, correspondentes da Xinhua

Beijing, 8 jul (Xinhua) -- "Esta criança sou eu. Essas imagens não são da imaginação, mas sim rea...", disse João Candido Portinari, quando ele explicou a obra 'Retrato de João Candido com Cavalo' do seu pai, Candido Portinari, para uma visitante chinesa.

A exposição em cartaz "O Brasil de Portinari" no Museu Nacional da China, em Beijing, é um dos principais projetos do Ano Cultural China-Brasil 2026. Até 11 de outubro, a mostra reúne 56 obras originais de Candido Portinari e oferece ao público chinês a primeira apresentação ampla e sistemática da trajetória e da produção artística de um dos maiores nomes da arte moderna brasileira. Entre os destaques da exposição estão os estudos preparatórios de Guerra e Paz, os monumentais painéis produzidos pelo artista para a sede das Nações Unidas.

João Candido Portinari ressaltou ainda que a exposição procura apresentar "um Brasil autêntico, verdadeiro, sem retoques". Depois de acompanhar as explicações dele, a ternura do pintor tornou-se ainda mais evidente no coração da visitante Xing Hejuan. "O senhor trouxe as obras à China para mostrar que, apesar das dificuldades, o espírito do povo é sempre de esperança e superação, especialmente num momento em que as relações entre os dois países só se fortalecem", disse ela.

A exposição em Beijing não só apresenta ao público chinês um retrato do Brasil, mas também oferece, para muitos brasileiros que vivem na China, a oportunidade de ter um contato direto com as obras. José Medeiros da Silva, professor e diretor do Centro de Estudos de Brasil da Universidade de Estudos Internacionais de Zhejiang, veio especialmente de Hangzhou, no leste da China, para a inauguração da exposição.

"Fiquei muito emocionado ao ver essas obras sendo tão bem acolhidas, admiradas e respeitadas pelo público chinês. Ali percebi uma conexão profunda entre nossos dois povos. Essa percepção fez ressoar em mim, com toda a sua força, as palavras com que João Cândido Portinari encerrou seu discurso na abertura da exposição - que esta exposição seja uma ponte de afeto, memória e profunda compreensão entre as nossas nações," disse ele.

Antes, João Candido Portinari recebeu da China uma caligrafia com a frase "Almas afins, sem distância; mil léguas, ainda vizinhos". A obra está agora pendurada no cavalete do seu pai. Essa amizade que desafia a distância, disse ele, é profundamente comovente. À medida que cresce o fluxo de visitantes no Museu Nacional da China em busca de um Brasil mais autêntico através das obras de Portinari, um conjunto de peças do acervo deste museu chinês já desembarcou no Rio de Janeiro para dar início à sua jornada no país sul-americano.

Situado às margens da Baía de Guanabara, o Museu Histórico Nacional do Brasil abre suas portas a uma coleção inédita da China. Entre panelas de barro, vasilhas de bronze, taças de prata e delicadas peças de jade e porcelana, a exposição "Sabores da Tradição - História da Alimentação na China Antiga", inaugurada no dia 26 de junho, revela os sabores e os rituais da mesa chinesa ao longo dos séculos -- uma ponte que aproxima o Brasil da alma da China antiga.

O diretor do Museu Nacional da China, Luo Wenli, destacou que a alimentação é uma linguagem comum para toda a humanidade e um importante veículo das tradições culturais. A cultura alimentar da China antiga, forjada ao longo de milhares de anos, reúne a sabedoria de vida, os valores humanos e as aspirações estéticas da nação chinesa.

"Esperamos que esta exposição conduza os nossos amigos brasileiros por uma viagem no tempo, por meio de um diálogo que atravessa séculos e fronteiras. Que mais brasileiros possam se aproximar da China, e que a amizade entre nossos países se fortaleça, geração após geração", enfatizou Luo.

A curadora, Gao Xiuqing, explicou que a exposição apresenta mais de cem relíquias de alto valor artístico ligadas à alimentação na China antiga. O público também pode interagir com instalações multimídia, aprendendo a fazer bolinhos de arroz (Yuanxiao, em chinês) e a descobrir a origem de diversos ingredientes.

Nos primeiros dias, a exposição já atraiu muitos visitantes locais. "Para mim, é uma experiência maravilhosa poder estar vendo a exposição e tenho a expectativa de poder trazer os meus alunos para ter aulas diante das peças, que é um grande esforço para a gente estudar arte asiática, pensada de uma forma mais integrada", disse a estudiosa de arte Rosana Pereira.

O diretor do Museu Histórico Nacional do Brasil, Cícero Antônio Fonseca de Almeida, considera que, tanto com as obras de Portinari na China quanto com a cultura alimentar chinesa em exibição no Brasil, o museu está desempenhando o papel de ponte entre as duas culturas.

"O intercâmbio cultural irá fortalecer uma cooperação na área econômica e em outras esferas. Espero também que a exposição amplie os horizontes do público brasileiro e inspire novas maneiras de compreender o mundo contemporâneo", concluiu ele.

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