Mais de 4.180 produtos brasileiros podem ser taxados nos EUA, diz associação industrial-Xinhua

Mais de 4.180 produtos brasileiros podem ser taxados nos EUA, diz associação industrial

2026-07-07 13:33:00丨portuguese.xinhuanet.com

Rio de Janeiro, 6 jul (Xinhua) -- Mais de 4.180 produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos podem ser taxados cumulativamente em 37,5% caso o governo americano aprove duas novas propostas tarifárias em discussão, alertou nesta segunda-feira a Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Segundo o estudo da associação empresarial, as medidas afetariam 4.187 produtos, equivalentes a exportações no valor de US$ 14,9 bilhões, que já estão sujeitos a uma tarifa temporária adicional de 10% sob a legislação comercial americana.

A CNI explicou que audiências públicas serão realizadas esta semana em Washington para analisar duas investigações iniciadas pelos Estados Unidos: uma que propõe uma sobretaxa adicional de 25% sobre produtos brasileiros e outra relacionada a suposto trabalho forçado, que propõe uma tarifa adicional de 12,5%. Se ambas as medidas forem aprovadas, o aumento total chegará a 27,5 pontos percentuais, elevando a tarifa total para 37,5%.

Segundo o relatório, 62% dos bens potencialmente afetados são produtos intermediários utilizados como insumos em cadeias de suprimentos industriais. Isso inclui itens dos quais o Brasil é um fornecedor estratégico para o mercado americano.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou que o aumento da tarifa prejudicaria tanto as empresas brasileiras quanto as americanas, elevando os custos para consumidores e fabricantes em ambos os países.

"O aumento da tarifa põe em risco uma relação comercial construída ao longo de décadas e prejudica empresas em ambos os países. Estamos falando de cadeias produtivas altamente integradas, nas quais muitos produtos brasileiros são essenciais para a indústria americana", disse Alban.

A organização também reiterou que a imposição de uma tarifa adicional de 25% carece de justificativa legal, econômica e estratégica, e manteve que o diálogo bilateral é a melhor maneira de preservar a relação comercial entre os dois países.

A CNI do Brasil será representada pelo ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio, Roberto Azevêdo, na audiência pública convocada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), onde apresentará a posição da indústria brasileira contra as novas medidas. A decisão final do governo americano é esperada para meados de julho. 

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