* À medida que o Expresso Ferroviário China-Europa celebra o 10º aniversário de sua marca unificada, as cidades ao longo da rota ganham novo impulso graças a cadeias de suprimentos mais resilientes, oportunidades de negócios ampliadas e uma cooperação econômica mais estreita.
* Hoje, a ferrovia expandiu sua rede operacional para 236 cidades em 26 países europeus e mais de 100 cidades em 11 países asiáticos, transportando uma gama cada vez mais diversificada de mercadorias entre os dois continentes.
* Por toda a Europa, as cidades conectadas pela ferrovia expandiram gradualmente seu papel, passando de simples pontos de transporte a centros de logística, armazenamento e distribuição, criando novas oportunidades para empresas locais e investimentos.
Varsóvia, 29 jun (Xinhua) -- Em terminais logísticos por toda a Europa, guindastes descarregam contêineres vindos da China antes que a carga seja transportada para fábricas, armazéns e varejistas em todo o continente.
Na última década, cenas como essa se tornaram cada vez mais comuns, à medida que o Expresso Ferroviário China-Europa (CRE, na sigla em inglês) se consolidava como um importante corredor logístico, conectando empresas e mercados entre a China e a Europa.
Ao celebrar o 10º aniversário de sua marca unificada, as cidades ao longo da rota ganham novo impulso graças a cadeias de suprimentos mais resilientes, oportunidades de negócios ampliadas e uma cooperação econômica mais estreita.

Foto tirada em 29 de abril de 2024 mostra um armazém no Parque Logístico do Porto Franco de Csepel, parte da Zona de Cooperação Comercial e Logística da Europa Central, em Budapeste, Hungria. (Xinhua/Zhang Fan)
CONSTRUINDO CADEIAS DE SUPRIMENTOS RESILIENTES
A última década viu a rápida evolução do CRE, que deixou de ser uma opção de transporte emergente para se tornar um pilar consolidado da logística entre a China e a Europa.
O número anual de viagens de trem aumentou de 1.702 em 2016 para 20.022 em 2025, registrando uma taxa média de crescimento anual de 31,5%. Atualmente, a ferrovia expandiu sua rede operacional para 236 cidades em 26 países europeus e mais de 100 cidades em 11 países asiáticos, transportando uma gama cada vez mais diversificada de mercadorias entre os dois continentes.
Para muitas empresas europeias, o valor da ferrovia está na sua capacidade de complementar as rotas de transporte tradicionais, oferecendo maior flexibilidade na gestão das cadeias de suprimentos.
A empresa de logística polonesa Real Logistics está entre as companhias que se beneficiam dessa tendência, com o transporte ferroviário de carga se tornando uma opção cada vez mais importante para clientes que buscam um equilíbrio entre velocidade, custo e eficiência operacional.
Segundo o diretor-geral Pawel Moskala, o transporte ferroviário da China para a Polônia leva, em média, cerca de 20 dias, em comparação com 46 a 50 dias por via marítima, permitindo que as empresas reponham estoques mais rapidamente e respondam com maior flexibilidade à demanda do mercado.
Ele acrescentou que mais clientes agora incorporam serviços ferroviários ao seu planejamento logístico de longo prazo, em vez de utilizá-los apenas como uma alternativa durante interrupções na cadeia de suprimentos.
A mesma tendência é observada em outros lugares, segundo a empresa alemã de agenciamento de cargas M&M air sea cargo GmbH.
Bezaf Zeway, chefe do segmento de negócios ferroviários da empresa, disse que o Expresso Ferroviário China-Europa permite que empresas alemãs otimizem cadeias de suprimentos, aumentem a flexibilidade de aquisição e reduzam custos de estoque ao encurtar os tempos de trânsito e armazenamento.
Tendo comprovado seu valor durante a pandemia de COVID-19 e outros períodos de interrupção global nas cadeias de suprimentos, a ferrovia se tornou "um componente maduro, confiável e bem estabelecido das cadeias de suprimentos internacionais", disse ele.
Segundo Michael Schumann, presidente do conselho da Associação Federal Alemã para Desenvolvimento Econômico e Comércio Exterior (BWA), a importância da ferrovia vai além do transporte.
"Nenhum ponto de estrangulamento isolado consegue paralisar todo o sistema", disse ele, observando que a ferrovia opera em múltiplos corredores. "Em um mundo de volatilidade geopolítica persistente, isso é de enorme importância para empresas que planejam suas atividades para os próximos três a cinco anos".

Balazs Gazso (esquerda), CEO da CECZ Logistic Park Management Kft., posa para foto no Vac Smart Fulfillment Center em Vac, Hungria, em 26 de junho de 2026. (Foto de David Balogh/Xinhua)
IMPULSIONANDO O DESENVOLVIMENTO LOCAL
A influência da ferrovia vai muito além da logística. Por toda a Europa, cidades conectadas pela ferrovia expandiram gradualmente seu papel, passando de simples pontos de transporte a centros de logística, armazenamento e distribuição, o que criou novas oportunidades para empresas locais e investimentos.
Essa transformação é evidente em Lodz, na região central da Polônia, um dos principais polos logísticos do interior conectados ao CRE.
Entre as empresas que cresceram paralelamente à ferrovia está a Hatrans Logistics. Sua atuação remonta aos primeiros anos do serviço Chengdu-Lodz, uma das primeiras conexões regulares de trens de carga entre a China e a Polônia.
Ao relembrar a cooperação da empresa com o CRE, Filip Grzelak, proprietário e membro do conselho da Hatrans Logistics, disse: "Isso nos ajudou a crescer. Foi um ótimo momento na história da nossa empresa".
Hoje, a empresa atende clientes em várias cidades chinesas, incluindo Chengdu, Xi'an e Chongqing.
Em Malaszewicze, uma aldeia polonesa de apenas 4.000 habitantes na fronteira com a Bielorrússia, a ferrovia transformou mais do que apenas o fluxo de cargas. Sede de um dos maiores centros de transbordo ferroviário do interior da Europa, a localidade viu empresas de transporte rodoviário, despachantes aduaneiros e outros negócios de logística prosperarem paralelamente à atividade ferroviária, disse Malgorzata Biegajlo, gerente de transbordo de contêineres da empresa de logística Inbap.
À medida que a atividade logística se expandia, o mesmo ocorria com o emprego. No Porto de Duisburg, na Alemanha, o CRE atraiu mais de 100 empresas de logística, gerando mais de 20.000 oportunidades de trabalho.
Uma dessas vagas foi ocupada por Thomas Krajnicki, que ingressou na Yuxinou Germany GmbH em 2019, após ser contratado por meio de uma agência de trabalho temporário.
Inicialmente contratado para uma substituição temporária, ele conseguiu um cargo permanente poucos meses depois, iniciando uma nova carreira aos 52 anos.
Quase sete anos depois, Krajnicki continua trabalhando no centro logístico da empresa em Duisburg, lidando com contêineres que chegam da China.
"Para mim, pessoalmente, essa é a melhor coisa que poderia ter acontecido na minha idade", disse ele, acrescentando que a oportunidade proporcionou estabilidade financeira e a chance de trabalhar ao lado de colegas chineses.

Um trabalhador verifica informações de um contêiner ao lado de um trem de carga no iHub Lodz, um centro logístico em Lodz, Polônia, em 25 de junho de 2026. (Xinhua/Yue Yuanyuan)
UMA REDE EM EXPANSÃO
À medida que o CRE entra em sua segunda década sob uma marca unificada, participantes do setor acreditam que seu papel está se expandindo para além do transporte de cargas, passando a apoiar uma cooperação mais ampla entre empresas chinesas e europeias.
Empresas de logística chinesas e europeias estão fortalecendo a cooperação ao longo da Rota de Transporte Internacional Trans-Caspiana por meio de maior digitalização, compartilhamento de informações e um alinhamento mais estreito de padrões operacionais, melhorando a eficiência do transporte em toda a rota, segundo Irfan Tulan, vice-gerente-geral da Trans-Eurasia Germany GmbH, uma prestadora de serviços de logística internacional.
Uma cooperação mais estreita também está impulsionando o crescimento do comércio eletrônico transfronteiriço. Tulan disse que os serviços ferroviários, estáveis e pontuais, permitiram o transporte de um volume maior de encomendas entre a China e a Europa por via férrea, oferecendo um suporte logístico confiável para as empresas do setor.
Esse impacto é visível ao norte de Budapeste, onde a Zona de Cooperação Comercial e Logística da Europa Central (CECZ, na sigla em inglês) se consolidou como um importante polo logístico para o comércio eletrônico entre a China e a Europa.
Segundo Balazs Gazso, CEO da CECZ Logistic Park Management Kft., o parque tem atraído um número crescente de clientes, incluindo Temu, AliExpress e Shein, muitos dos quais começaram utilizando os serviços ferroviários antes de expandir suas operações logísticas.
Quanto ao futuro, Schumann, presidente da BWA, ressaltou que o potencial de longo prazo da ferrovia dependerá não apenas da expansão da capacidade, mas também do fortalecimento da cooperação entre a China e a Europa.
Citando uma análise do Banco Asiático de Desenvolvimento, ele observou que a capacidade do corredor poderá quadruplicar até 2040.
"Se utilizarmos essa capacidade com sabedoria, com regras transparentes, acesso recíproco aos mercados e elevados padrões técnicos, a ferrovia não transportará apenas mercadorias; ela impulsionará o relacionamento".
(Repórteres de vídeo: Ma Ruxuan, Shan Weiyi, Yin Liang, Li Hanlin, Liu Yiwei, Chen Hao, Geza Molnar, Wang Yihan, Yang Yuchen, Guo Shuang e Yue Yuanyuan; edição de vídeo: Li Ziwei, Zhang Yuhong e Roger Lott)


