Entrevista: Relações entre África e China são modelo de cooperação Sul-Sul, diz presidente da UA-Xinhua

Entrevista: Relações entre África e China são modelo de cooperação Sul-Sul, diz presidente da UA

2026-06-26 13:28:34丨portuguese.xinhuanet.com

O atual presidente da União Africana (UA) e presidente do Burundi, Evariste Ndayishimiye, concede entrevista à Xinhua em Gitega, capital política do Burundi, em 5 de junho de 2026. (Xinhua/Ju Yinhe)

Gitega, 24 jun (Xinhua) -- As relações entre a África e a China são um modelo de cooperação Sul-Sul baseado no respeito mútuo, na solidariedade e em benefícios compartilhados, disse o atual presidente da União Africana (UA) e presidente do Burundi, Evariste Ndayishimiye.

O ano de 2026 marca o 70º aniversário do estabelecimento das relações diplomáticas entre a China e os países africanos. "Ao longo de 70 anos, apesar das mudanças geopolíticas e econômicas globais, a África e a China avançaram juntas com sinceridade e confiança", disse Ndayishimiye à Xinhua em entrevista recente em Gitega, capital política do Burundi.

As relações entre África e China têm uma base histórica sólida, enraizada não apenas na forte amizade entre os povos africano e chinês, mas também em valores compartilhados, como o princípio mutuamente benéfico de cooperação que respeita a soberania dos Estados, além da promoção de um mundo pacífico onde o direito internacional e a negociação prevalecem sobre o conflito, observou Ndayishimiye.

Desde 1º de maio, a China implementou uma política de tarifa zero para produtos provenientes de 53 países africanos com os quais mantém relações diplomáticas. Essa medida amplia o tratamento de tarifa zero, que já abrangia 100% das linhas tarifárias de 33 países africanos com relações diplomáticas com a China, incluindo o Burundi, desde 1º de dezembro de 2024.

Ndayishimiye disse que a política de tarifa zero da China oferece oportunidades significativas para os países africanos, incluindo o Burundi, ao contribuir para "maiores receitas para nossos produtos, a criação de empregos sustentáveis ​​para nossa juventude e, acima de tudo, o desenvolvimento do processamento local, para que o valor agregado permaneça no continente africano".

Em setembro de 2024, o Burundi e a China elevaram as relações bilaterais ao nível de parceria estratégica abrangente. "Tanto para o povo do Burundi quanto para o povo chinês, essa elevação resultará em ações concretas: mais oportunidades econômicas, projetos de desenvolvimento, cooperação educacional e tecnológica e o fortalecimento dos intercâmbios interpessoais", disse ele.

A agricultura é uma área fundamental de cooperação entre os dois países. Ndayishimiye destacou que a assistência de especialistas chineses permitiu ao Burundi aumentar significativamente a produtividade do arroz, o que contribuiu diretamente para melhorar a segurança alimentar e nutricional do país e para elevar consideravelmente a renda das famílias que cultivam arroz.

Especialistas chineses compartilharam seus conhecimentos, capacitando muitos jovens burundineses em técnicas modernas de cultivo de arroz, mecanização agrícola e processamento pós-colheita, disse o presidente.

Após visitar a China várias vezes, Ndayishimiye disse que ficou muito impressionado com o país. "Vi pessoas no controle de seu próprio futuro, impulsionadas por uma notável disciplina coletiva e pela vontade de progredir. Vi um presidente profundamente comprometido com o desenvolvimento de seu povo, a defesa de seus interesses e a promoção de um mundo mais justo e multipolar", disse ele.

Para Ndayishimiye, "a modernização da China é uma das maiores epopeias de desenvolvimento que a humanidade já viu". A China tirou centenas de milhões de pessoas da pobreza, construiu infraestrutura de classe mundial, desenvolveu indústria e tecnologia de ponta e elevou sua economia ao patamar das principais economias globais.

O continente africano está atualmente se mobilizando para implementar o segundo plano decenal da Agenda 2063, e este ano marca o início do 15º Plano Quinquenal da China. "Nossas visões se alinham, pois temos os mesmos objetivos: desenvolvimento por meio de nossos próprios esforços, em benefício de nossos povos. Estamos convencidos de que a cooperação entre África e China continuará desempenhando um papel importante na transformação econômica do continente", disse ele, esperando que essa cooperação continue se intensificando e diversificando em setores como infraestrutura, agricultura moderna, saúde, tecnologias digitais, comércio e investimento.

Hoje, transformações inéditas em um século estão ocorrendo em ritmo acelerado, e o Sul Global se destaca com um forte dinamismo. O presidente disse que a África e a China compartilham uma visão comum da ordem internacional: "um mundo multipolar e mais equitativo, onde a voz das nações do Sul Global seja ouvida e respeitada". Esse é um consenso importante em um contexto global marcado por tensões e reconfigurações, observou ele.

A parceria entre África e China "está voltada para o futuro, em direção a uma África soberana, industrializada e próspera, que avança lado a lado com uma China grandiosa e respeitosa", disse Ndayishimiye. "Essa é a visão de uma comunidade com futuro compartilhado".

O atual presidente da União Africana (UA) e presidente do Burundi, Evariste Ndayishimiye, concede entrevista à Xinhua em Gitega, capital política do Burundi, em 5 de junho de 2026. (Xinhua/Ju Yinhe)

O especialista agrícola chinês, Yang Huade, (3º à direita) verifica o desenvolvimento de arroz com moradores locais em Bujumbura, Burundi, em 17 de maio de 2026. (Xinhua/Ju Yinhe)

2.Feature: Tanzanian farmers look to Chinese-built irrigation project to escape drought

https://english.news.cn/20260624/fd13cff39d0944aa8016d4cc6d39202c/c.html

This photo taken with a mobile phone shows a completed concrete irrigation canal in Kongogo village in Dodoma, Tanzania, June 13, 2026.(Xinhua/Nurdin Pallangyo)

DODOMA, Tanzania, June 23 (Xinhua) -- For years, Shabani Saki's life hinged on the occurrence of rain. When raindrops failed to arrive on time, hunger loomed large.

A father of six and a smallholder farmer in the Kongogo village, central Tanzania, Saki has spent much of his life cultivating modest plots of land, relying entirely on unpredictable rainfall, whose harvests were never guaranteed.

But that uncertainty is now giving way to renewed hope, thanks to a Chinese-built irrigation project that is steadily reshaping both the landscape and the livelihoods of this rural community.

"In the past, when drought came, we lost everything," Saki said. "Now, with irrigation, we are assured of harvesting. This project will change our lives."

Kongogo in Bahi District in Tanzania's central region of Dodoma is home to more than 1,000 households, the majority of whom depend on agriculture for survival. Of these, more than 600 households are expected to directly benefit from the nearly completed irrigation scheme.

"Before, we cultivated small plots because we depended on rainfall," Saki explained. "Now we will farm on larger hectares. We will harvest more, and we will harvest consistently."

With the introduction of irrigation, farmers expect to harvest between 30 and 50 bags of crops from one hectare, according to Saki. "That means food security and income for our families."

As production grows, households will not only feed themselves but also generate surplus for sale. "This project will help us overcome hunger," Saki said. "With the income, we can educate our children and build better houses."

The construction phase of the project has already brought tangible benefits to the community, especially for young people.

"Many young people here have found jobs," Saki noted. "They have learned skills like construction, and others have gained different knowledge. Even if the pay is small now, it will help them in the future."

The project has created employment opportunities for around 100 workers at its peak, including both skilled and unskilled laborers. Local residents have engaged in activities such as excavation, backfilling, and general construction work.

The Kongogo irrigation project is being implemented by China Railway Jianchang Engineering Company (CRJE) (East Africa) Limited and supervised by Tanzania's National Irrigation Commission under the Ministry of Agriculture.

"In Tanzania, there is a rainy season and a dry season," said project manager Lin Chongliang. "During the dry season, farmers do not have sufficient water. This project is designed to solve that problem."

The infrastructure includes six km of main canals, nine km of secondary canals, and 14 km of access roads, forming an integrated network that will deliver water efficiently across farmland.

The system relies on gravity irrigation, allowing water from an existing dam, constructed more than a decade ago, to flow naturally to the fields without the need for pumps or fuel.

Bahati Shitobelo, a site engineer with the National Irrigation Commission, emphasized that the project represents a major step toward modernizing agriculture in the region.

"The scheme will cover about 400 hectares, mainly for rice cultivation," he said. "We expect nearly 1,000 farmers to benefit."

"During the rainy season, they will use rainwater. But during the dry season, they will continue farming using irrigation," Shitobelo explained. "This means two farming seasons instead of one."

Before the project, some farmers attempted irrigation using water pumps, but the costs were prohibitive.

"They had to buy diesel and maintain the pumps," Shitobelo said. "Most farmers could not afford that."

The new gravity-fed system eliminates these expenses. "Water will flow directly to the farms without using energy," he said. "This is more efficient and affordable for farmers."

Beyond infrastructure, the project has facilitated significant knowledge transfer between Chinese experts and Tanzanian workers.

Vicent Mayala, a local land surveyor who has worked on the project for three years, said he has gained valuable technical skills.

"I have learned how to use modern technology, including GPS, in setting out irrigation canals," he said. "This experience has improved my income and the welfare of my family."

This photo taken with a mobile phone shows an engineer (R) of China Railway Jianchang Engineering Company (CRJE) communicating with a local employee at the construction site of the Kongogo irrigation project in Dodoma, Tanzania, June 13, 2026.(Xinhua/Nurdin Pallangyo)

This photo taken with a mobile phone shows a diversion node of the Kongogo irrigation project implemented by China Railway Jianchang Engineering Company (CRJE) in Dodoma, Tanzania, June 13, 2026.(Xinhua/Nurdin Pallangyo)

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