Rio de Janeiro, 25 jun (Xinhua) -- O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta quinta-feira que a produção nacional de fertilizantes é um elemento estratégico para garantir a soberania do país, durante a assinatura de contratos para a retomada da construção da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III) no município de Três Lagoas, Mato Grosso do Sul (região Centro-Oeste).
O projeto, parte do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), receberá investimentos superiores a 5 bilhões de reais (US$ 885 milhões) e visa reduzir a dependência do Brasil em relação à importação de fertilizantes, insumo essencial para o agronegócio nacional.
Os fertilizantes são considerados estratégicos para o Brasil porque o país é uma das maiores potências agrícolas do mundo, mas depende de importações para cerca de 90% dos insumos utilizados em suas lavouras.
Reduzir essa dependência é um dos objetivos do governo para fortalecer a segurança alimentar, diminuir a vulnerabilidade a crises internacionais e reduzir os custos para o setor agrícola.
Durante seu discurso, Lula afirmou que o Brasil não pode continuar dependendo de fornecedores estrangeiros para um produto essencial à produção de alimentos. "Esse país vai construir sua soberania sendo independente da importação de fertilizantes de outro país", declarou o presidente. Ele também indicou que sua meta é que o Brasil produza pelo menos 70% dos fertilizantes que consome.
O presidente acrescentou que "um país jamais será soberano se ele não for dono das coisas principais que ele produz", argumentando que a recuperação da capacidade industrial é tão importante quanto o crescimento do setor agrícola.
Lula criticou o fato de a construção da fábrica ter permanecido paralisada por mais de uma década, afirmando que não havia explicação para um projeto dessa magnitude, destinado a produzir fertilizantes e reduzir os custos dos alimentos, ter ficado paralisado por 12 anos.
Ele também ressaltou que a dependência de importações expõe o país às flutuações dos preços internacionais. "O pobre brasileiro que vai comprar uma fruta, que vai comprar uma comida, paga o preço dessa guerra aqui no Brasil", declarou.
O presidente também questionou por que parte do setor agrícola não havia promovido a produção nacional de fertilizantes no passado, já que era mais barato importá-los, e defendeu o papel estratégico da Petrobras na liderança da reindustrialização do país.
"O que eu não abro mão é de discutir estrategicamente o papel da Petrobras no Brasil", afirmou, rejeitando as políticas de privatização dos ativos da estatal implementadas por governos anteriores.
A construção da usina de fertilizantes UFN-III começou em 2011, mas as obras foram suspensas em 2015, quando o projeto já estava em andamento. A previsão é que a usina entre em operação em 2029, com capacidade para produzir aproximadamente 3.600 toneladas de ureia granulada e 2.200 toneladas de amônia por dia, o equivalente a cerca de 1,3 milhão de toneladas de ureia por ano - o suficiente para suprir cerca de 16% da demanda nacional.
De acordo com o governo brasileiro, juntamente com as outras fábricas de fertilizantes operadas pela Petrobras, a empresa espera abastecer aproximadamente 35% do mercado interno de ureia até 2029, fortalecendo a segurança alimentar e reduzindo a dependência do país em relação às importações estrangeiras.

