Por Wang Yuyuan, correspondente da Xinhua
Beijing, 26 jun (Xinhua) -- Este ano marca o 105º aniversário da fundação do Partido Comunista da China (PCCh). Ao longo de mais de um século de liderança, o PCCh conduziu o país a conquistas históricas -- da erradicação da pobreza extrema ao avanço de uma modernização de estilo chinês, despertando crescente interesse de acadêmicos internacionais.
Dois pesquisadores brasileiros especialistas em assuntos chineses apontaram, em entrevistas, as experiências que essa trajetória oferece ao Sul Global. Ambos destacaram o planejamento de longo prazo, a busca por um desenvolvimento de alta qualidade como pilares da governança do PCCh, que podem inspirar outras nações em desenvolvimento.
PLANEJAMENTO -- "UMA DAS MAIORES VANTAGENS DA GOVERNANÇA DO PCCh"
Segundo os especialistas brasileiros, a capacidade de planejamento de longo prazo e adaptado à realidade é uma das maiores vantagens e uma das características mais marcantes da governança do PCCh.
Evandro Menezes de Carvalho, professor convidado da Universidade Politécnica de Macau e professor de direito internacional da Universidade Federal Fluminense (UFF) do Brasil, indicou que o PCCh consegue manter a execução estável dos seus objetivos estratégicos e, ao mesmo tempo, realizar ajustes flexíveis conforme circunstâncias concretas.
"A capacidade do PCCh de ter uma visão abrangente e sistêmica da realidade decorre da própria dinâmica institucional da estrutura de governança da nação", observou ele, acrescentando que ao mesmo tempo, as decisões tomadas permanecem alinhados ao desenvolvimento chinês rumo à concretização da Meta do Segundo Centenário.
Na visão dos especialistas, a capacidade de planejamento traz uma série de benefícios. Conforme Rafael Henrique Zerbetto, consultor linguístico do Centro Ásia-Pacífico do Grupo de Comunicações Internacionais da China (CICG, em inglês), a ênfase do PCCh no planejamento claro de longo prazo garante a continuidade de grandes projetos em áreas como infraestrutura, ciência e tecnologia, educação, etc., os quais antecipam demandas futuras e oferecem um ambiente seguro para investidores internacionais. "A capacidade do PCCh de elaborar novos planos e colocá-los em prática oferece à população chinesa uma previsibilidade e segurança política nas suas decisões que não têm similar no mundo", destacou Evandro.
Este ano marca o início do 15º Plano Quinquenal da China (2026-2030). Para Evandro, o plano revela uma busca de combinação mais sofisticada entre crescimento econômico, inovação tecnológica, segurança nacional, sustentabilidade ambiental e melhoria da qualidade de vida da população. Isso reflete, segundo ele, "um amadurecimento natural da trajetória chinesa".
DESENVOLVIMENTO DE ALTA QUALIDADE -- DESTAQUE DO PCCh NA MODERNIZAÇÃO CHINESA
"A transição para o desenvolvimento de alta qualidade é, talvez, a mudança mais importante na estratégia chinesa desde o início da reforma e abertura", avaliou Evandro.
Dentre os resultados nessa trajetória, os especialistas ficaram especialmente impressionados com a velocidade da transição energética chinesa. Rafael chegou a citar a teoria das "duas montanhas"-- "águas cristalinas e montanhas verdejantes são bens inestimáveis", enfatizando a importância conferida pelo PCCh para esta área.
"A matriz energética chinesa mudou com uma rapidez impressionante", manifestou Rafael, acrescentando que, como um país que anteriormente dependia muito da queima do carvão, a China está agora liderando a geração de energia eólica e solar no mundo.
Os especialistas consideram a transição energética da China como uma contribuição para o mundo. "Como a China continua sendo um dos principais centros industriais do planeta, a incorporação desses padrões tende a reduzir os custos globais de tecnologias verdes, acelerar a transição energética internacional e ampliar o acesso de países em desenvolvimento a soluções tecnológicas mais acessíveis", afirmou Evandro.
EXPERIÊNCIA COMPARTILHADA -- REFERÊNCIA PARA PAÍSES DO SUL GLOBAL
Conforme os mesmos, a trajetória da China oferece experiências concretas aos países do Sul Global que buscam superar o subdesenvolvimento.
Para Rafael, o maior problema do Sul Global é a pobreza. Sob a liderança do PCCh, 800 milhões de chineses foram retirados da pobreza absoluta, cumprindo a meta de redução da pobreza da Agenda 2030 da ONU para o Desenvolvimento Sustentável antes do previsto. Ao seu ver, isso contesta o discurso ocidental de que países menos desenvolvidos jamais conseguirão se livrar da pobreza.
Superando a pobreza absoluta, a China passou a enfrentar desafios típicos de economias mais avançadas. "Ela passa a enfrentar desafios como envelhecimento populacional, transformação tecnológica, transição energética e aumento da produtividade", apontou Evandro. E é nesse ponto que a experiência chinesa avança para um novo patamar: o desenvolvimento de alta qualidade.
"O desenvolvimento de alta qualidade é a resposta da China a esses desafios", acrescentou Evandro. "Para os países do Sul Global, essa experiência demonstra que desenvolvimento não significa apenas crescer mais, mas crescer melhor, com capacidade de planejamento estratégico e visão de futuro."
Evandro ressalta ainda que países diferentes devem encontrar modelos diferentes de modernização. Segundo ele, a experiência chinesa demonstra que cada país deve encontrar um caminho compatível com sua história, suas instituições e suas necessidades nacionais. "Não existe um modelo único de modernização", concluiu.

