Rio de Janeiro, 24 jun (Xinhua) -- O governo brasileiro estabeleceu oficialmente nesta quarta-feira o Programa de Integração Produtiva e Logística Brasil-Bolívia-Pacífico, por meio de publicação no Diário Oficial da União (DOU). A iniciativa visa abrir uma nova rota para as exportações do agronegócio brasileiro para a Ásia, através dos portos do Chile e do Peru.
A medida foi estabelecida por meio de resolução assinada pelo ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, com o objetivo de fortalecer a integração logística, produtiva e comercial entre Brasil e Bolívia, ampliando o acesso dos produtos brasileiros aos mercados asiáticos. Isso é especialmente importante, visto que a China é o principal parceiro comercial do Brasil e um dos maiores importadores de produtos agrícolas e minério de ferro.
O programa busca criar uma alternativa para o transporte de mercadorias, principalmente do Mato Grosso (oeste), principal produtor de soja do Brasil, reduzindo a dependência das rotas tradicionais que utilizam o porto de Santos, no estado de São Paulo.
"Essa rota fortalece a competitividade da agricultura brasileira e aumenta o potencial do nosso setor. O programa fortalece ainda mais o nosso projeto de integração internacional", afirmou De Paula. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, a nova ligação reduzirá os custos logísticos, aumentará a competitividade das exportações brasileiras e gerará novas oportunidades comerciais com os países asiáticos.
O ministro também destacou que um dos objetivos é revitalizar o comércio bilateral entre Brasil e Bolívia, que atingiu US$ 5,5 bilhões em 2013 e atualmente gira em torno de US$ 2,5 bilhões.
Ele observou ainda que a integração logística facilitará a importação de insumos e fertilizantes bolivianos para abastecer o setor agrícola brasileiro.
O principal investimento público vinculado ao projeto é a pavimentação da rodovia estadual MT-199, atualmente em andamento pelo governo do estado de Mato Grosso, que ligará o município de Vila Bela da Santíssima Trindade à região fronteiriça de Palmarito, na Bolívia.
"Outros investimentos, como armazéns, terminais logísticos, centros de distribuição, postos de serviço e instalações industriais, precisarão ser realizados pelo setor privado à medida que o fluxo comercial da rota avançar", afirmou o ministério em comunicado à imprensa.
Embora o estudo econômico final ainda esteja em andamento, análises preliminares do governo indicam que o corredor poderia reduzir as distâncias até os mercados asiáticos e encurtar o tempo de trânsito para alguns destinos em até 15 dias, diminuindo os custos logísticos e aumentando sua atratividade para novos investimentos.

