Beijing, 22 jun (Xinhua) -- Embora os torcedores chineses de futebol possam se sentir um pouquinho decepcionados pelo fato de a seleção nacional não estar na Copa do Mundo da FIFA de 2026, o torneio continua repleto de influência chinesa, com produtos "Fabricados na China" visíveis em quase todos os lugares, dentro e fora do campo.
Os produtos chineses há muito tempo marcam presença entre os torcedores de futebol em todo o mundo. Já há 32 anos, fabricantes chineses forneciam produtos para o torneio de 1994 nos Estados Unidos. Desta vez, a presença da China é mais visível e abrangente, aparecendo não apenas em equipamentos esportivos e artigos para torcedores, mas também nas instalações dos estádios e até mesmo nos toques culturais que cercam o evento.
A INDÚSTRIA CHINESA COMO ESPINHA DORSAL
Na Copa do Mundo deste ano, muitas empresas chinesas estão mantendo um perfil discreto -- elas não contrataram estrelas do futebol para campanhas publicitárias nem organizaram atividades de marketing chamativas. No entanto, o torneio teria dificuldade para ocorrer sem problemas sem o apoio delas nos bastidores.
O México, um dos três países anfitriões do torneio, é um exemplo disso. Para melhor atender à Copa do Mundo, o Estádio Azteca, na Cidade do México, que sediou a partida de abertura, passou por uma reforma completa. A reforma, que tornou o estádio mais espaçoso e moderno, foi realizada por empresas como a China Railway Construction Engineering Group Co., Ltd.
Cidade do México, Monterrey e Guadalajara são as três cidades-sede do México. Para apoiar a Copa do Mundo, elas colocaram em operação 115 trens leves fabricados pela CRRC Corporation Limited, uma fornecedora chinesa de equipamentos de transporte ferroviário. Somente na Cidade do México, 800 ônibus de transporte coletivo movidos a nova energia estão operando para transportar torcedores entre os principais locais do evento, sendo que 95% deles são fabricados na China.
O que torna os produtos chineses um pilar da infraestrutura e das operações da Copa do Mundo é a capacidade de produção do país. A China construiu o maior sistema de produção do mundo em termos de escala, com as categorias industriais mais abrangentes. Com uma Copa do Mundo que exige de tudo, desde melhorias nos estádios até transporte e serviços para os eventos, essa amplitude permite que os fabricantes chineses forneçam uma ampla gama de produtos personalizados para atender às diversas necessidades.
Além de ajudar a modernizar a infraestrutura local, as empresas chinesas também estão ampliando sua presença na Copa do Mundo, aproveitando seus pontos fortes tecnológicos para tornar o torneio mais inteligente e eficiente. Com o sistema do árbitro assistente de vídeo (VAR, sigla em inglês) desempenhando um papel cada vez mais importante à medida que o jogo se torna mais rápido e complexo, há uma demanda crescente por equipamentos de exibição e computação inteligentes e de alta resolução.
Nesse contexto, a fabricante chinesa de TVs Hisense está fornecendo dispositivos de exibição para o VAR, proporcionando aos árbitros uma visão mais clara das jogadas em campo. A empresa chinesa de tecnologia Lenovo também está fornecendo equipamentos para 16 estádios do torneio, com seus servidores e modelos de IA implantados para dar suporte às necessidades tecnológicas e operacionais da FIFA.
Essas melhorias nos produtos oferecidos pelas empresas chinesas refletem o compromisso contínuo do país em tornar a inovação tecnológica uma prioridade máxima em sua estratégia de desenvolvimento. Após anos de esforços, a China emergiu como um importante polo global de inovação. O Índice Global de Inovação 2025 da Organização Mundial da Propriedade Intelectual classificou a China entre os 10 primeiros do mundo pela primeira vez.
PELÚCIAS, SABORES E FÃS
Na cerimônia de abertura, dois personagens Labubu vestindo camisetas de futebol deram o pontapé inicial nas comemorações, brincando animadamente e erguendo uma réplica do troféu da Copa do Mundo, gerando entusiasmo tanto nas arquibancadas quanto nas redes sociais.
A figura fofinha e sorridente, da franquia "Os Monstros" da Pop Mart, apareceu na cerimônia de abertura do torneio como convidada especial, tornando-se a primeira propriedade intelectual original chinesa a participar de uma celebração de abertura da Copa do Mundo.
Tendo a Labubu como exemplo emblemático, um número crescente de marcas chinesas está apostando na interação entre cultura e futebol em um dos maiores eventos esportivos do mundo. Muitas delas são fabricantes chinesas de bebidas, incluindo a Luckin Coffee e a Cotti Coffee, que firmaram parcerias com seleções nacionais como a da Espanha e da Argentina.
Surgiu uma parceria inesperada entre a fabricante de chás de ervas Walovi - versão internacional da bebida chinesa Wanglaoji - e o craque norueguês Erling Haaland, com um vídeo promocional descontraído que rapidamente se tornou viral nas redes sociais em todo o mundo. A colaboração está levando bebidas tradicionais à base de ervas do sul da China a um público internacional mais amplo, impulsionado pela influência da Copa do Mundo.
A Copa do Mundo também é um palco global para os torcedores demonstrarem seu apoio, com bandeiras, camisetas, bonés e brinquedos se tornando símbolos icônicos do espírito de equipe. Uma parcela significativa desses itens favoritos dos torcedores vem de Yiwu, o centro comercial mundialmente conhecido da Província de Zhejiang, no leste da China.
Na Copa do Mundo de 2022 no Catar, quase 70% dos produtos promocionais relacionados ao evento vieram de Yiwu, e espera-se que essa participação aumente este ano. Dados alfandegários locais mostraram que as exportações totais de produtos e equipamentos esportivos da cidade atingiram 2,83 bilhões de yuans (US$ 415 milhões) no primeiro trimestre de 2026, um aumento anual de 12%.
As formas diversificadas e crescentes pelas quais as empresas chinesas estão ampliando sua presença na Copa do Mundo de 2026 mostram que elas não se contentam mais em ganhar visibilidade simplesmente gastando pesadamente em publicidade, mas estão cada vez mais assumindo novos papéis em eventos esportivos globais, como desenvolvedoras de tecnologia, criadoras de conteúdo, prestadoras de serviços e muito mais, afirmou He Yong, comentarista-chefe do Yangcheng Evening News.
Essas marcas integraram seus produtos em quase todas as partes do ecossistema da Copa do Mundo, passando de simplesmente "ser vistas" para "ser necessárias", disse He. "Essa mudança destaca o crescente reconhecimento global da indústria e das tecnologias inteligentes chinesas, e reflete as conquistas mais amplas da China em termos de força econômica, tecnológica e geral."

