
John Grimes, diretor-executivo do Conselho de Energia Inteligente, dá entrevista à Xinhua em Sydney, Austrália, em 4 de maio de 2026. (Xinhua/Ma Ping)
Por Qi Zijian, Liang Youchang e Li Xiaoyu
Sydney, 6 mai (Xinhua) -- A cooperação benéfica para ambos os lados entre a Austrália e a China desempenhará um papel fundamental na aceleração da transição energética na região Ásia-Pacífico e além, à medida que o cenário energético global passa por uma profunda transformação, disse um líder da principal entidade do setor na Austrália.
John Grimes, diretor-executivo do Conselho de Energia Inteligente, disse em entrevista recente à Xinhua que os dois países construíram décadas de colaboração em energia renovável.
DÉCADAS DE PARCERIA MÚTUA
A Austrália está na vanguarda do desenvolvimento da energia solar desde a década de 1970, disse ele, acrescentando que agora as empresas solares chinesas se tornaram atores que "realmente dominam o mundo todo", com fortes vantagens em escala, tecnologia e custo.
"É uma área onde já existem relações profundas e amizade ao longo de muitas décadas", disse ele. "É ótimo ver que a tecnologia, em parceria com a China, está sendo fabricada em escala e implantada em todo o mundo".
Ele enfatizou a aceleração da mudança global em direção à energia renovável, destacando como as recentes perturbações geopolíticas expuseram vulnerabilidades sistêmicas e impulsionaram uma crescente busca por sistemas de energia mais resilientes e controlados localmente.
"Estamos ansiosos por uma parceria mútua, onde ambos os lados realmente se beneficiem", disse Grimes. "Podemos fazer a transição da nossa região e do mundo rapidamente, e esse deve ser o nosso objetivo".
Ele disse que governos e comunidades em todo o mundo estão se dando conta de que a energia renovável não se trata apenas de energia limpa ou mais barata, mas também de soberania e segurança energética.
"Houve uma mudança fundamental, mesmo que a situação no Oriente Médio estivesse resolvida hoje. O impacto transformador disso, ao conscientizar as pessoas sobre o quão vulneráveis são essas cadeias de suprimentos internacionais, mudará o jogo para sempre", disse Grimes.
Em meio a uma crise energética impulsionada pelo conflito no Oriente Médio, juntamente com os desafios contínuos de desenvolvimento e o aumento do custo de vida, ele disse que a energia inteligente pode ser vista como "a luz na escuridão".
"Acho que a energia inteligente dá esperança às pessoas. É a luz na escuridão. É segurança e soberania energética", disse Grimes. "Acho que é um desenvolvimento empolgante".
MAIOR OPORTUNIDADE NA ÁSIA-PACÍFICO
Grimes observou que, embora a Austrália e a China tenham alcançado níveis relativamente altos de adoção de energia renovável, muitos países da região Ásia-Pacífico ainda estão em um estágio inicial. "Queremos, portanto, fornecer a eles os produtos, a confiança e as políticas necessárias para uma transição rápida", disse ele.
Com uma história que remonta a 1954, o Conselho de Energia Inteligente é a principal organização dos setores de energia renovável e energia inteligente da Austrália.
Após quase 18 anos à frente da organização, Grimes deixará o cargo ainda este mês para se dedicar à sua posição como diretor-executivo do Conselho de Energia Renovável Ásia-Pacífico, iniciativa do Conselho de Energia Inteligente lançada em 2024 na COP29 em Baku, Azerbaijão.
"A região Ásia-Pacífico é a fonte das soluções de carbono, da inovação, dos produtos, do financiamento e da implementação", disse Grimes.
"Acredito que a maior oportunidade que o mundo enfrenta hoje é a rápida transformação e transição da região Ásia-Pacífico", disse ele. "Aprendemos muito com nossa parceria com a China, lições que podemos aproveitar e utilizar em toda a região e no mundo todo".
"SET DE FILMAGEM DE GUERRA NAS ESTRELAS" EM FÁBRICAS CHINESAS
O investimento da China em tecnologias de energia renovável, sua escala de produção e sua implementação prática são notáveis, disse Grimes, acrescentando que, ao aproveitar a energia limpa e de baixo custo, a China também aumentou significativamente sua competitividade econômica.
"Por isso, tenho o prazer de destacar a fantástica liderança que a China exerce nesse campo e dizer claramente ao mundo que esse é um modelo que devemos seguir", disse ele.
Refletindo sobre sua experiência com o setor de energia renovável da China, Grimes disse que perdeu a conta de quantas vezes visitou o país, tendo percorrido cerca de 40 fábricas de painéis fotovoltaicos, 25 empresas de baterias ou inversores e muitas empresas de veículos elétricos.
"Portanto, vi todo o ecossistema, todos os diferentes tipos de tecnologia e empresas. E fiquei muito impressionado com a inovação e a motivação dos chineses que trabalham nessas empresas", concluiu ele.
Durante a entrevista, Grimes compartilhou com entusiasmo suas experiências visitando algumas das principais empresas chinesas, observando que a produção em larga escala por robôs industriais em muitas fábricas era particularmente impressionante.
"Sinceramente, senti como se estivesse entrando no set de filmagem de Guerra nas Estrelas. Quando eu era criança, era um filme muito famoso e grandioso. E agora eu vi Guerra nas Estrelas de verdade, aquele ecossistema tão avançado", disse ele.

John Grimes, diretor-executivo do Conselho de Energia Inteligente, dá entrevista à Xinhua em Sydney, Austrália, em 4 de maio de 2026. (Xinhua/Ma Ping)





