Julgamento de Tóquio forja o direito penal internacional moderno e a ordem mundial pós-guerra, dizem especialistas-Xinhua

Julgamento de Tóquio forja o direito penal internacional moderno e a ordem mundial pós-guerra, dizem especialistas

2026-05-07 09:57:18丨portuguese.xinhuanet.com

Visitantes no Salão de Exposições de Evidências de Crimes Cometidos pela Unidade 731 do Exército Imperial Japonês em Harbin, capital da província de Heilongjiang, no nordeste da China, em 3 de maio de 2026. (Xinhua/Zhang Tao)

A importância histórica do julgamento vai muito além da punição de criminosos de guerra individuais. Especialistas acreditam que ele estabeleceu normas essenciais do direito internacional e valores compartilhados da civilização humana.

Moscou, 4 mai (Xinhua) -- O Julgamento de Tóquio de criminosos de guerra japoneses lançou as bases para o direito penal internacional moderno e a ordem mundial pós-guerra, disseram especialistas russos às vésperas do 80º aniversário da abertura do tribunal, ao mesmo tempo em que denunciaram os esforços para minar sua importância.

De 3 de maio de 1946 a 12 de novembro de 1948, o Tribunal Militar Internacional para o Extremo Oriente julgou criminosos de guerra japoneses de Classe A durante a Segunda Guerra Mundial em uma série de julgamentos internacionais em Tóquio, conhecidos como o "Julgamento de Tóquio".

"O Julgamento de Tóquio documentou as atrocidades em massa cometidas pelos militares japoneses em toda a Ásia, incluindo o Massacre de Nanjing, execuções em massa e outros crimes graves", disse Anatoly Koshkin, acadêmico da Academia Russa de Ciências Naturais e membro do conselho executivo da Associação Russa de Historiadores da Segunda Guerra Mundial.

"Representa um processo judicial histórico contra líderes militares e políticos japoneses acusados ​​de crimes da época da Segunda Guerra Mundial", disse Koshkin.

Koshkin também observou que o Julgamento de Tóquio foi um tribunal para todos os povos. "Acreditava-se amplamente que os veredictos contra os instigadores da Segunda Guerra Mundial serviriam como uma forte barreira contra o futuro ressurgimento do fascismo, do nazismo e do militarismo", concluiu ele.

Dmitry Streltsov, pesquisador-chefe do Centro de Estudos Japoneses do Instituto da China e da Ásia Contemporânea da Academia Russa de Ciências, tem opiniões semelhantes.

"O Julgamento de Tóquio foi um evento histórico", disse Streltsov. "Ele expôs a degeneração moral da liderança japonesa e a escala dos crimes hediondos perpetrados pelo militarismo japonês contra os povos asiáticos. Em certa medida, reforçou o senso de justiça entre as nações vitimadas pela agressão japonesa".

Streltsov disse que a ordem internacional do pós-guerra foi amplamente construída sobre esse senso de justiça histórica.

"Isso se aplica tanto à Alemanha nazista quanto ao Japão militarista e fortaleceu os alicerces morais e jurídicos da ordem mundial do pós-guerra", disse Streltsov.

A importância histórica do julgamento vai muito além da punição de criminosos de guerra individuais. Especialistas acreditam que ele estabeleceu normas essenciais do direito internacional e valores compartilhados da civilização humana.

Pessoas se reúnem ao redor do prédio do parlamento para protestar contra tentativas do governo da primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi de revisar a constituição pacifista do país e para pedir a proteção do Artigo 9 em Tóquio, Japão, em 19 de abril de 2026. (Xinhua/Jia Haocheng)

No entanto, também apontaram que o julgamento foi marcado por profundos arrependimentos.

Nem todos os criminosos de guerra foram levados à justiça. Um grande número de criminosos de guerra japoneses, incluindo comandantes de unidades responsáveis ​​por experimentos horríveis com armas químicas e biológicas, escaparam da punição e encontraram refúgio nos Estados Unidos.

Hoje, há uma relutância deliberada no Japão em confrontar as atrocidades cometidas durante a guerra por seus militaristas e ultranacionalistas, disse Koshkin.

Koshkin observou que a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, admira o ex-primeiro-ministro Shinzo Abe, que disse repetidamente que o Japão deveria parar de se desculpar por seu passado de guerra e retornar ao ideal de um Japão pré-guerra.

Koshkin alertou que essas tendências perigosas aparentemente estão ressurgindo no Japão.

"O Japão está mais uma vez trilhando o caminho da militarização. Certas forças no país estão tentando reverter os resultados da Segunda Guerra Mundial e questionar a legitimidade do Jugalmento de Tóquio, descartando-o como ‘um tribunal dos vencedores sobre os vencidos’", disse Koshkin. "Essas são tendências extremamente perigosas que exigem uma oposição resoluta".

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