Rio de Janeiro, 22 abr (Xinhua) -- Incêndios, secas severas e tempestades estão reduzindo a diversidade da vegetação na floresta amazônica brasileira, embora as áreas degradadas mantenham alta capacidade de regeneração, segundo estudo divulgado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).
A pesquisa, publicada em 20 de abril no jornal científico Proceedings of the National Academy of Sciences e liderada por cientistas brasileiros, mostra que as espécies mais vulneráveis estão sendo substituídas por outras mais resilientes, levando à formação de florestas mais homogêneas, sem evidências de degradação, como sugeriam alguns estudos científicos.
O estudo alerta, no entanto, que as áreas recuperadas são mais vulneráveis a novos distúrbios e a eventos extremos cada vez mais frequentes, exacerbados pelas mudanças climáticas e pelo desmatamento, que afetam serviços ecossistêmicos essenciais, como a regulação hídrica e o sequestro de carbono.
"A principal mensagem do nosso estudo é que, mesmo altamente degradada, a floresta tropical pode se recuperar", afirmou o biólogo Leandro Maracahipes, um dos autores principais.
"No entanto, as florestas são muito vulneráveis a novas perturbações. Elas são resilientes, mas a preservação ainda é necessária", acrescentou Maracahipes, doutor pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no estado de São Paulo.
A pesquisa documentou a degradação e a recuperação de uma floresta experimental no estado do Mato Grosso, no oeste do Brasil, ao longo de duas décadas. Nessa área -- uma zona de transição entre os biomas Amazônia e Cerrado -- o estudo analisou áreas com diferentes regimes de fogo, incluindo parcelas sem queimadas e aquelas com queimadas periódicas, entre 2004 e 2010.
Os pesquisadores também identificaram que gramíneas invasoras desempenharam um papel fundamental na intensificação dos incêndios e no impedimento da regeneração das árvores. A presença de espécies associadas a pastagens atingiu o pico após incêndios severos e, em seguida, diminuiu com o fechamento da cobertura florestal a partir de 2016.
Outro dos autores do estudo, o ecologista Rafael Silva Oliveira, afirmou que "as árvores cresceram e as gramíneas desapareceram", sem evidências de degeneração.
"A Amazônia é muito mais diversa e menos previsível do que os modelos sugerem", acrescentou Silva Oliveira, ressaltando que essas descobertas ajudam a compreender melhor a resiliência do bioma a fenômenos climáticos como o El Niño e o aquecimento global.

