Beijing, 15 abr (Xinhua) -- "Jasmim, jasmim..." -- Sob os holofotes do salão da Universidade Renmin, em Beijing (capital da China), na noite de 14 de abril, os jovens brasileiros da Orquestra Forte de Copacabana, vindos do Rio de Janeiro, ergueram suas vozes. Em mandarim cuidadosamente ensaiado, uma jovem interpretou a famosa canção chinesa "Jasmin", recebendo uma explosão de aplausos calorosos por todo o salão.
Esta é a segunda vez que a Orquestra Forte de Copacabana vem à China. A primeira foi em setembro de 2024 para comemorar 50º aniversário do estabelecimento das relações diplomáticas entre China e Brasil. Desta vez, convidados pela Associação de Amizade do Povo Chinês com o Exterior, eles voltaram para celebrar, em conjunto com Grupo Artístico da Universidade Renmin, o Ano Cultural China-Brasil e os 40 Anos de Amizade entre os municípios de Beijing e do Rio de Janeiro.
Nível Excelente - Avanço da orquestra com apoio chinês
A Orquestra Forte de Copacabana, composta por jovens de 18 a 21 anos, foi criada em 2011. "Da minha casa, eu via uma comunidade chamada Santa Marta. Eu olhava para a favela, de longe, e ficava imaginando como vivem as crianças", lembrou Márcia Melchior, diretora da orquestra e presidente da Associação de Arte e Cultura RioMont. Notando então as circunstâncias das crianças de comunidades de baixa renda, ela pensou em fazer algo, criando assim a orquestra.
Para absorver mais jovens, Márcia passou a subir as comunidades no entorno do Forte - cinco favelas no total - em busca de talentos.
O projeto não avançou com facilidade, com o maior desafio acontecendo em 2022, quando o grupo perdeu vários patrocinadores e esteve à beira da dissolução. "A gente estava numa situação muito difícil", afirmou ela.
Foi então que a CNOOC Petroleum Brasil Ltda., uma empresa chinesa, apareceu e ofereceu ajuda ao projeto, sob a Lei Rouanet. Márcia destaca ainda que o apoio vai muito além do financeiro, incluindo também cuidados específicos direcionados aos jovens. Desde então, a orquestra tem estado intimamente ligada à China. Com o tempo e esforços, a orquestra apresentou novas formações: a camerata Forte de Copacabana e a orquestra de Câmara. Esses grupos ampliaram a diversidade musical da orquestra, criando novas oportunidades de formação e apresentação para os músicos.
Em outubro de 2024, após ganhar visibilidade nacional, a orquestra foi reconhecida como Patrimônio Cultural e Imaterial do Estado do Rio de Janeiro. Márcia comemora: "Logo depois que fomos reconhecidos, todo mundo começou a dar atenção e ver a qualidade do nosso trabalho."
Alma Brasileira - Reescrevendo vida dos jovens com a orquestra
Além da música, o projeto oferece aulas de inglês, matemática e mandarim, assim como subsídios na forma de bolsas de estudo aos membros da orquestra. O objetivo principal, segundo Márcia, é encaminhar os jovens para o futuro, seja em orquestras profissionais, ou na vida acadêmica.
"Eu tinha levado um menino chamado Felipe Santos para a orquestra. Com o inglês que ele aprendeu no Forte Copacabana, ele passou no vestibular, fez um doutorado em sociologia e hoje trabalha em uma Fundação social." disse Márcia com muito orgulho. Muitos jovens, como Felipe, têm acesso a aulas oferecidas pelo projeto e conseguem passar no vestibular, entrando em universidades.
"A gente consegue unir o melhor da música brasileira com a oportunidade de transformar a vida desses jovens", afirmou Márcia.
Segundo Márcia, a orquestra também oferece a oportunidade preciosa de ver o mundo e subir em palcos internacionais. A violoncelista da orquestra, Thiellen Sena, considera a participação no grupo uma experiência única. Para ela, esta é a sua primeira vez que visita a China. "No primeiro dia que cheguei, fui a Grande Muralha da China. Fiquei emocionada de verdade, algo que eu só vi na televisão e em filmes."
Função de conexão - Aproximando as culturas chinesa e brasileira
Além de nível excelente e alma brasileira, uma função de ponte conectando as culturas diferentes é a terceira característica principal da orquestra.
"Em um tempo de tanta confusão, vejo o povo brasileiro como um povo pacífico, que busca amizade para se desenvolver. Eu sinto isso na China também. Então, a música é um elemento comum, através do qual a gente pode trocar, interagir." afirmou Luiz Potter, maestro e arranjador da orquestra, que participou do grupo há 12 anos.
"Embora falemos línguas diferentes, quando os sons dos nossos instrumentos se misturam, uma conexão harmoniosa se cria entre nós. Esse é o poder da música," manifestou Fu Yihan, membro do Grupo Artístico da Universidade Renmin.
Quando há afinidade de ideias, montanhas e mares deixam de ser obstáculos. Agora, o que torna a orquestra mais popular é a sua capacidade de diálogo internacional. Os jovens músicos aprenderam canções chinesas como "Jasmim" e "Desejo" (Ru Yuan, nome em chinês), e se apresentaram na China.
"Amizade para sempre!" Quando o Grupo Artístico da Universidade Renmin e a Orquestra Forte de Copacabana se apresentaram juntos, essa frase da letra da música "Amizade para sempre" (You Yi Di Jiu Tian Chang, nome em chinês) foi um retrato fiel do intercâmbio cultural entre a China e o Brasil.

