Beijing, 6 mar (Xinhua) -- O aclamado pianista brasileiro, Cristian Budu, realizou nesta segunda-feira uma apresentação solo em Beijing, capital da China, inaugurando uma série de atividades culturais da extensa programação na cidade, em meio ao desenrolar do Ano Cultural China-Brasil 2026, o primeiro do tipo nas relações bilaterais que duram mais de meio século.
O concerto, realizado na Sala de Concertos da Cidade Proibida de Beijing, trouxe ao público chinês a técnica refinada de Budu, vencedor do prestigioso Prêmio Clara Haskil. "Nosso objetivo é mostrar a diversidade e a vitalidade da cultura brasileira. O Brasil é um país plural, resultado do encontro de muitas influências culturais, e isso se reflete na sua produção artística", afirmou Bárbara Policeno, chefe do Departamento Cultural da Embaixada do Brasil na China, acrescentando que se espera que o público chinês possa perceber essa riqueza, além de encontrar pontos de conexão entre as culturas dos dois países - seja na valorização da criatividade, da tradição ou do diálogo entre o passado e o presente.
Finalizada a apresentação, os aplausos foram estrondosos e prolongados, levando Budu a retornar para um bis. Ele concluiu com uma peça de música brasileira. Em uma entrevista à Xinhua, ele disse acreditar que a música transcende idiomas e fronteiras e esperar que a música brasileira criasse uma experiência imersiva para o público, o aproximando do Brasil, um país distante.
"É a minha primeira vez na China, mas queria vir há muito tempo, sabendo a sua história milenar, o seu desenvolvimento diferencial hoje no mundo e ainda mais, também, a música clássica. Todo mundo fala de que é o futuro da música clássica, em termos de seu desenvolvimento, incentivo e financiamento", disse o pianista.
Budu revelou que tinha chegado na China há dez dias, e aproveitou para visitar Shanghai, Guangzhou e Chengdu. Ele ficou profundamente impressionado com os costumes, a cultura e o desenvolvimento geral da China. Em especial, ele confessou que, apesar da distância geográfica entre a China e o Brasil, sentiu que os povos de ambos os países compartilham muitas características em comum -- cordialidade, diligência e inclusão. Sentiu uma forte conexão e proximidade com o público no palco, acrescentou ele.
A apresentação atraiu um público diversificado que expressou entusiasmo com a nova etapa do intercâmbio bilateral. "Fiquei impressionado com a técnica e a emoção do pianista. Eu conhecia o Brasil pelo futebol e pelo samba, mas não sabia que o piano brasileiro tinha tanta força. Foi uma descoberta emocionante", disse um estudante de música chinês presente no evento, acrescentando que pretende participar de outros eventos do Ano Cultural.
A iniciativa do Ano Cultural 2026 foi lançada oficialmente no mês passado pelos governos dos dois países. A programação deve se estender por todo o ano, incluindo artes visuais, cinema e intercâmbios acadêmicos, entre outros, que serão apresentados em ambos os países.
No próximo mês, será realizada em Brasília um concerto da Orquestra Sinfônica Nacional da China (OSNC). Yao Liang, primeiro-violino assistente da OSNC, antes de viajar ao Brasil, disse à Xinhua que é uma grande honra participar dos eventos do Ano Cultural China-Brasil. "O Ano Cultural tem um significado profundo. Os intercâmbios culturais podem aproximar populações de todo o mundo para se conhecerem e entenderem melhor, e dessa forma se sentirem vivendo em uma aldeia global desfrutando da fusão das culturas do ser humano", disse Yao.

